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09/08/20 às 16:31 / Atualizada: 09/08/20 às 16:46

Os vilarejos à venda na Espanha

Esther Costa

BBC Work Life

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Os vilarejos à venda na Espanha

A região da Galícia tem diversos vilarejos abandonados, em decorrência do êxodo rural.

Foto: BBC Work Life

Rosy Costoya é veterinária, empreendedora e, como ela mesmo diz, um pouco meiga. Na região da Galícia, meiga significa bruxa ou mulher sábia, sobretudo aquelas que vivem na zona rural e dominam as ervas e poções locais.

"Venho de um pequeno vilarejo e sou muito apegada à minha terra", afirma.

Costoya é apaixonada pelo litoral selvagem e a vegetação campestre da Galícia, na costa noroeste da Espanha. Mas a região enfrentou décadas de êxodo rural, o que levou ao despovoamento.

"Meu pai era fazendeiro e, quando criança, eu costumava passear com ele pelos pequenos vilarejos que estavam sendo abandonados", relembra.

Hoje, a baixa taxa de natalidade e o envelhecimento da população espanhola – assim como a infraestrutura precária – atingiram em cheio a Galícia.

A região possui 3.562 vilarejos abandonados, e esse número aumenta a cada semana, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística da Espanha.

Diante deste cenário, Costoya, de 50 anos, e seu marido, Mark Adkinson, nascido no Reino Unido, abriram um negócio que visa ajudar a resolver esse problema: eles vendem vilas inteiras na tentativa de trazer a população de volta a esses povoados abandonados.

‘Vendendo parte da história’

Costoya começou a carreira trabalhando com fazendeiros e cuidando de gados. Mas, em 2005, ela e Adkinson abriram sua própria empresa, a Galician Rustic Homes, para comprar e vender propriedades rurais.

Ela se lembra das primeiras viagens de carro que fez com as duas filhas em busca de vilarejos abandonados e casas charmosas para comercializar, antes de tecnologias como o Google Earth se tornarem populares.

Agora, a internet é sua principal ferramenta para vender casas e vilarejos. E como eles já são bastante conhecidos na região, não precisam sair em busca de oportunidades – quem está interessado em vender vai até eles.

“As pessoas nos oferecem propriedades, nós visualizamos (online), nos certificamos de visitar aquelas que nos interessam, depois chegamos a um acordo sobre o preço e a comissão”, explica Adkinson.


Direito de imagem Esther Costa - Rosy Costoya (à direita) recebe oferta de compradores até dos EUA – mas é seletiva na hora de escolher os novos proprietários

Os compradores são principalmente do Reino Unido, mas também dos EUA e de outras partes da Espanha. O interesse aumentou no ano passado depois que a atriz de Hollywood Gwyneth Paltrow sugeriu em seu site que uma vila abandonada perto de Lugo, na Galícia, daria um belo presente de Natal.

No entanto, manter o negócio exige muito esforço e dedicação. A parte mais difícil de vender vilarejos inteiros, diz Rosy, é reunir toda a documentação legal.

"Para mim, também é muito importante selecionar corretamente o novo proprietário. Estou vendendo uma parte da minha terra, parte da história da Galícia", acrescenta.

Ela vendeu recentemente uma propriedade para um cliente de Londres, que ela selecionou entre 200 candidatos.

"Os preços dos vilarejos que temos à venda variam, dependendo das características”, explica.

“Temos alguns abaixo de 50 mil euros (cerca de R$ 285 mil) e outros de até 2 milhões de euros (aproximadamente R$ 11,4 milhões). Depende de onde as propriedades estão localizadas, se estão em ruínas."

Costoya, que ainda trabalha como veterinária, vendeu um vilarejo com três casas, um terreno enorme e uma praia, perto da cidade costeira de Viveiro, por 300 mil euros (cerca de R$ 1,7 milhão). A nova proprietária, Serena Evans, o marido e as duas filhas estão felizes com a aquisição.

"Nós somos proprietários de um pequeno pedaço da Galícia. Queremos passar um tempo lá e aproveitar", diz a britânica.

'Um belo momento’

Outras vilas ainda estão à espera de novos proprietários.

"Costumávamos ter 30 ou 40 vizinhos", diz Benita Felgueira, de O Penso, vilarejo que está à venda atualmente.

"Fico triste em ver a vila assim."

A questão do despovoamento rural despertou movimentos locais, como La España Vacía (Espanha Vazia, em tradução livre), que tentam chamar a atenção dos políticos.

O presidente regional da Galícia, Alberto Nunez Feijoo, introduziu medidas de incentivo para estimular os galegos que trabalham no exterior a voltar.

Mas Rosy Costoya é otimista quando se trata dos vilarejos abandonados da Galícia.

“Atualmente, por causa da internet, você pode viver remotamente e permanecer conectado. É um belo momento para repovoar todos esses vilarejos abandonados, para repovoar a Espanha."
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