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12/01/26 às 10:53

Caminhos de Gigantes: Ibama promove rastreamento da maior espécie de tartaruga marinha do mundo

Brasília/DF (09/01/2026) - No início de dezembro foi instalado o último transmissor do Projeto de Monitoramento da Tartaruga-de-Couro por Telemetria Satelital (PMTTS) na temporada reprodutiva de 2025. A iniciativa é uma exigência do licenciamento ambiental conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para atividades de pesquisa sísmica marítima na Bacia de Campos. O objetivo do Projeto é entender, principalmente, como a espécie interage com as atividades humanas no ambiente marinho, com ênfase nos empreendimentos de exploração e produção de petróleo e gás.

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Instalação do dispositivo de telemetria durante a desova da tartaruga-de-couro - Foto: Julliane Pereira/Ibama

A Dermochelys coriacea, maior tartaruga marinha do planeta, está classificada no Brasil, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), como criticamente em perigo – nível mais grave antes da extinção na natureza. Todos os anos, fêmeas da espécie sobem às praias da Reserva Biológica (Rebio) de Comboios, no Espírito Santo, para nidificação: essa é uma importante fase do ciclo reprodutivo da tartaruga, que retorna ao seu local de nascimento para desovar. São, em média, apenas 14 animais por temporada reprodutiva – que ocorre de setembro a dezembro de cada ano. No ciclo de 2025, sete novas fêmeas foram identificadas e marcadas com aparelhos de telemetria.

Projeto de Monitoramento

A telemetria por satélite é uma técnica que permite o monitoramento remoto do comportamento de animais e possibilita colher informações sobre os deslocamentos realizados e ambientes frequentados por eles. O método é especialmente útil para o estudo de espécies que realizam grandes migrações.

Para o PMTTS ser possível, o trabalho é executado, basicamente, em duas fases:
Primeira
Segunda
O monitoramento satelital permite a visualização do deslocamento das fêmeas no oceano pelo tempo que o dispositivo permanecer acoplado à carapaça da tartaruga. Espécimes marcados ainda no primeiro ano do projeto continuam enviando informações de localização; um dos animais, por exemplo, transmitiu sinal próximo à região da foz do rio da Prata entre Argentina e Uruguai e, posteriormente, de uma área oceânica próxima às ilhas de Tristão da Cunha.

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Mapa dos deslocamentos das tartarugas-de-couro monitoradas por telemetria satelital - Imagem: Sistema de telemetria

0 PMTTS é executado desde 2024 pela Fundação Projeto Tamar com a supervisão do Centro Tamar, do ICMBio, e da equipe do licenciamento ambiental do Ibama.

Sobre a Dermochelys coriacea

A tartaruga-de-couro possui distribuição natural desde oceanos tropicais e temperados (Atlântico, Pacífico e Índico) até regiões subpolares. Isso se deve a um sistema de controle, próprio da espécie, que permite manter a temperatura interna mesmo em ambientes frios (endotermia comportamental).

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Tartaruga-de-couro durante desova na Rebio Comboios - Foto: Julliane Pereira/Ibama

Uma D. coriacea adulta pode chegar até 2,1 m de comprimento e 900 kg. O formato de seu casco, caracterizado por manchas circulares brancas e pequenas quilhas ósseas recobertas por couro flexível, possibilita mergulhos superiores a 1.500 m (o maior entre as tartarugas) em busca de alimentos.

Apesar de toda adaptação natural, a espécie tem apresentado um declínio populacional acentuado no mundo inteiro ao longo dos anos. Alguns dos fatores listados por pesquisadores são:
Reprodução da tartaruga-de-couro

A D. coriacea atinge sua maturidade sexual após os 20 anos de idade. Seu ciclo reprodutivo a partir de então, se repete a cada dois ou três anos. Nesse intervalo, as fêmeas ficam no que é designado como área de alimentação – local onde os animais passam a maior parte da vida seja para crescimento e desenvolvimento para a vida adulta ou, no caso, armazenamento de reserva antes da migração para reprodução e desova. O deslocamento de uma área para a outra pode chegar a seis mil quilômetros.

Cada fêmea de tartaruga-de-couro desova cerca de seis vezes por temporada com subidas para nidificação a cada 10 dias. Em média, 80 ovos são postos por ninhada; desses, 20% não são viáveis (não geram filhotes). Acredita-se que a função desses ovos “placebo” seja criar uma distração para possíveis predadores que, após chegarem aos ovos falsos, geralmente colocados mais superficialmente, não persistam até os que contém gema e que podem gerar filhotes. Os ninhos da espécie possuem mais de um metro de profundidade; são os mais profundos entre as tartarugas marinhas.

Após a eclosão, que geralmente ocorre de noite, os filhotes seguem em direção ao mar orientados pela luminosidade refletida em condições naturais. Estima-se que um em cada 1000 filhotes chega à idade adulta. As fêmeas voltam à terra apenas para por os ovos; os machos, por outro lado, passam a vida inteira no mar.

Rebio Comboios

Gerida pelo ICMBio, a Rebio Comboios foi criada em 1984, principalmente, para proteger tartarugas-marinhas e seus locais de desova.

O monitoramento dos animais nas praias da Reserva é realizado há mais de 40 anos pelo Projeto Tamar (hoje compartilhado com o Centro Tamar/ICMBio) devido ao aparecimento regular da Dermochelys coriacea e outras espécies de tartaruga, como a Cabeçuda (Caretta caretta), na região.

Com a criação da área protegida procurou-se evitar intervenções humanas que interferissem no comportamento dos animais, como construção imobiliária, iluminação e trânsito de pessoas e veículos.
A Rebio está localizada na Foz do rio Doce que, além da presença de tartarugas-marinhas, é marcada pela ocorrência de toninhas - pequeno cetáceo classificado como criticamente em risco no Brasil, e por ser ponto de concentração das baleias jubarte e de outras espécies de interesse econômico, cultural e ambiental.
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