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28/01/24 às 12:18

Roubo de dados, máquinas invadidas: como o agro tem se tornado alvo de cibercriminosos

Assim como diversos outros setores, o agronegócio tem usufruído das diversas vantagens da sua digitalização de processos. Automação de maquinário, que permite a realização de operações complexas no campo com risco reduzido de erro; integração de sistemas, que podem se conectar em tempo real com clientes e empresas, entre outros. Porém, esses mesmos fatores, além do alto volume de dinheiro envolvido no setor, também o tornam cada vez mais atrativo para cibercriminosos.

“A mesma complexidade tecnológica que permite ao agronegócio aumentar sua produtividade gera vulnerabilidades que podem ser exploradas por criminosos”, afirma Allan Costa, Co-CEO da ISH Tecnologia, principal empresa nacional de cibersegurança. Dois exemplos recentes envolvem o ataque à Dole Food, nos Estados Unidos, que prejudicou a distribuição de alimentos no país e teve prejuízos avaliados em dez milhões de dólares, e à sistemas de irrigação automatizados em Israel, que exigiram seu desligamento e consequente irrigação manual das safras.

O especialista explica que ataques cibernéticos que atingem empresas de todos os ramos, como phishings e ransomwares, também se tornaram motivo de preocupação no agro.
“Aqui, podem atuar, por exemplo, por meio da injeção de dados falsos, comprometendo a precisão das decisões automatizadas de maquinário, afetando significativamente colheitas e podendo causar eventuais paralisações no plantio. Isso gera perdas de receita que podem chegar aos milhões de reais, além do dano reputacional.”

Além disso, vulnerabilidades que permitem o controle remoto não autorizado podem afetar máquinas conectadas à internet, e prejudicar operações, como no caso israelense citado. Em muitos casos, o controle só é retomado mediante o pagamento do resgate aos criminosos, que tende a ser um valor elevado. Ataques a redes vulneráveis também podem interromper a comunicação entre empresas, clientes e fornecedores.


Dispositivos IoT

Dentro do agronegócio, uma das tecnologias que tem impulsionado o crescimento do setor são os dispositivos IoT – ligados à Internet das Coisas. Permitem conectar digitalmente computadores e sistemas com câmeras, máquinas industriais, sensores, meios de transporte, entre outros. Estima-se que teremos cerca de 29 bilhões de dispositivos IoT conectados até 2030.

Porém, dados da Kaspersky revelam que, exatamente por serem ferramentas que conectam diversos outros ao mesmo tempo, os dispositivos IoT também têm sido mais procurados por criminosos. Em 2023, foram detectados mais de 700 anúncios em fóruns da dark web de venda de ataques do tipo DDoS, de negação de serviço. Por meio deles, sites ou dispositivos se tornam inutilizáveis pela sobrecarga, devido ao envio de solicitações que excedem a capacidade da rede.

“Seja para facilitar um trabalho que não precisa mais ser feito por mãos humanas, ou para acelerar processos, a junção dos dispositivos IoT com o agro é ideal. Porém, o fato de serem dois vetores cada vez mais atrativos para criminosos somente reforça como o cuidado deve ser redobrado”, analisa Costa.


Maturidade e proteção

Costa também explica que, assim como em outros setores, empresas de menor porte no agro podem sofrer ainda mais com as consequências dos ataques cibernéticos.

“Pequenos e médios produtores não possuem a maturidade nem o orçamento para garantirem sua segurança digital, tornando-se assim alvos fáceis.”

Por fim, o executivo afirma que a indústria agropecuária deve apostar na proatividade como caminho para superar os desafios representados por esses criminosos.

“Ao assumir seu papel como um dos protagonistas da economia brasileira, o agro também coloca um grande alvo em suas empresas – por isso, investimentos em monitoramento de rede, auditorias em segurança e conscientização de colaboradores são fundamentais para garantirem estabilidade no trabalho, além de serem grandes diferenciais no mercado de hoje”, conclui.
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