Imprimir

Imprimir Notícia

02/11/22 às 16:40

Fraude em urnas de seção de Confresa onde Lula teve 100% dos votos válidos é falsa, afirma TRE

Circulam nas redes sociais mensagens e vídeos que afirmam que houve fraude na seção 158 da zona eleitoral 28 em Confresa (MT), porque o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 100% dos votos válidos. Trata-se de notícia falsa.
 
As mensagens falsas dizem que houve fraude nas urnas, pois Lula não poderia ter recebido todos os votos naquela seção e o candidato Jair Bolsonaro (PL), nenhum, já que o atual presidente foi o mais votado no município de Confresa e no estado do Mato Grosso.
 
A seção citada nas mensagens, no entanto, fica na Escola Estadual Tapi'itawa, dentro da aldeia indígena Urubu Branco, que declarou apoio a Lula. O presidente eleito recebeu 383 dos 384 votos registrados na seção – um eleitor votou nulo.
 
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) afirmou que todos os eleitores da seção são indígenas e que "é comum neste tipo de localidade, bem como em áreas quilombolas, que haja convergência nos votos".
 
Uma das lideranças da aldeia, Taroko Edimundo Tapirapé afirmou que a aldeia discutiu a eleição presidencial e que todos optaram pelo candidato petista. Ele pediu respeito à escolha dos indígenas:
 
“Nós, da comunidade, do povo Apyãwa Tapirapé, durante essa política presidencial, tivemos muita conversa com a comunidade, analisando a proposta de cada presidente e, também, lembrando os fatos que vem acontecendo durante o atual mandato. Pela decisão da comunidade, decidimos votar em um presidente que a gente acredita, que possa mudar. Então, a decisão partiu da comunidade para votar em 13, candidato Luís Inácio Lula da Silva. Os eleitores da Aldeia Urubu Branco votaram 100% nesse candidato. Não foi fraude, a gente votou com consciência, com decisão tomada. A gente lamenta muito que essas pessoas que estão se posicionando contra, atacando a comunidade, com ódio, violência, perseguição. Esperamos que essas pessoas entendam a decisão, porque a gente respeita muito a decisão de cada um, até mesmo dessas pessoas que votaram no candidato deles. Então, a gente pede respeito também.”
 
Após a circulação das mensagens falsas, os indígenas começaram a receber ataques nas redes sociais. O povo Apyãwa-Tapirapé, que vive na aldeia, divulgou uma mensagem em rede social confirmando o voto no presidente eleito Lula e repudiando o assédio.
 
"Sim votamos no candidato Luiz Inácio Lula da Silva, somos um povo organizado e nos reunimos para discutir qual seria o melhor candidato a nos representar durante esses quatro anos, não vamos especificar aqui os nossos motivos, pois basta dar um Google nas falas do atual presidente, principalmente quando ele cita os povos originários. Assim como você teve o direito de escolher em quem votar sem ser questionado os motivos nós indígenas também temos, há 4 (quatro) anos estávamos na mesma posição que você, a diferença entre nós é que respeitamos a democracia e o resultado das urnas afinal de contas esse país tende a ser regido por DEMOCRACIA", afirma o comunicado.
 
Veja a íntegra da mensagem publicada pelo povo Apyãwa-Tapirapé:
 
"Em resposta a então influenciadora de Confresa-MT Aracelli Vasconcellos a Aldeia Urubu Branco MUNICÍPIO de Confresa pertencente ao povo Apyãwa-Tapirapé vem a público repudiar a fala da então influenciadora. Primeiro gostaríamos de te corrigir pois não somos índios somos indígenas. Segundo somos brasileiros os primeiros habitantes do Brasil e dessas terras, e assim como você Aracello estamos exercendo o nosso papel de cidadãos e seguindo conforma a Constituição Federal. Sim votamos no candidato Luiz Inácio Lula da Silva, somos um povo organizado e nos reunimos para discutir qual seria o melhor candidato a nos representar durante esses quatro anos, não vamos especificar aqui os nossos motivos, pois basta dar um Google nas falas do atual presidente, principalmente quando ele cita os povos originários. Assim como você teve o direito de escolher em quem votar sem ser questionado os motivos nós indígenas também temos, há 4 (quatro) anos estávamos na mesma posição que você, a diferença entre nós é que respeitamos a democracia e o resultado das urnas afinal de contas esse país tende a ser regido por DEMOCRACIA. Por fim nós indígenas não aceitamos ser expostos dessa maneira, exposição essa que só reflete a incitação de violência e ódio."

Fonte: g1
Imprimir