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31/05/26 às 10:39 / Atualizada: 31/05/26 às 10:50

Goiano deixa Hidrolândia a pé e inicia caminhada de 24 mil quilômetros até o Alasca

Aos 47 anos, Fábio Santos transformou um sonho cultivado por mais de uma década em uma caminhada continental



Depois de percorrer o Brasil e parte da América do Sul de bicicleta por mais de 600 dias, um aventureiro goiano decidiu elevar o desafio. Em março deste ano, Fábio Santos, conhecido nas redes sociais como Aventuras do Formiga, deixou Hidrolândia a pé com destino ao Alasca, em uma expedição de 24 mil quilômetros que deve durar cerca de três anos. Ao Mais Goiás, Formiga revelou que a caminhada vai muito além de alcançar o extremo norte do continente. “Eu acho que vou contar a história das pessoas que estiveram pelo caminho e me estenderam a mão”, disse.

A relação de Fábio com as aventuras começou ainda na infância. Segundo ele, a inspiração veio de um vizinho alemão chamado Willy, que costumava viajar de bicicleta e compartilhar histórias das jornadas que fazia pelo Brasil. “Sempre fui aventureiro. Eu adorava ouvir as histórias dele e conhecer o mundo através daquelas aventuras. Foi ali que nasceu esse sonho”, relembra.

A primeira viagem aconteceu aos 17 anos, quando pedalou até Blumenau e Curitiba. Depois vieram expedições para diferentes regiões do país, incluindo a Amazônia, Corumbá, a Chapada Diamantina e a Chapada dos Veadeiros. O hábito de viajar durante as férias acabou se transformando em um estilo de vida.

Mil dias rumo ao extremo norte

Em 2010, ele encarou uma das maiores aventuras da época: uma viagem de bicicleta que passou pela Amazônia, pela Bolívia e chegou até Ushuaia, no extremo sul da Argentina. A expedição, planejada inicialmente para durar um ano, acabou se estendendo por 623 dias.

“Quando voltei, fiquei pensando: se em 623 dias eu cheguei ao Ushuaia, onde eu chegaria se tivesse mil dias? Foi aí que nasceu a ideia do Alasca”, conta.

Apesar de ter surgido há mais de uma década, o projeto só começou a sair do papel nos últimos anos. Para tornar a viagem possível, Fábio reorganizou a própria vida, vendeu um sítio que possuía em São Paulo e transferiu sua base para Hidrolândia, próximo da mãe. “Ser aventureiro é meu estilo de vida. Meu trabalho sempre viabilizou essas viagens e a ideia nunca saiu da minha cabeça nem do meu coração”, afirma.

A caminhada começou em 26 de março e é acompanhada diariamente por mais de 190 mil seguidores nas redes sociais. Além de mostrar paisagens e desafios da estrada, Fábio compartilha encontros e histórias das pessoas que conhece durante a jornada.

Segundo ele, o principal objetivo não é apenas completar os milhares de quilômetros até o Alasca, mas vivenciar experiências humanas ao longo do percurso. “Eu queria ir mais devagar. De bicicleta eu fazia 150 quilômetros por dia. A pé eu preciso conversar com as pessoas, preciso delas. Essa proximidade é um dos maiores motivos da minha viagem”, explica.

A repercussão da aventura nas redes sociais surpreendeu o viajante. Ele conta que imaginava encontrar apoio apenas das pessoas que cruzasse pelo caminho, mas acabou criando uma comunidade de seguidores que acompanha cada etapa da expedição. “Formou-se uma corrente de apoio muito bonita. Eu sinto que não estou caminhando sozinho. Tem muita gente fazendo parte dessa viagem comigo”, diz.
 
Imagem da viagem
A jornada começou em Goiás e deve durar cerca de três anos, atravessando diversos países das Américas (Foto: reprodução / redes sociais)

Primeiros passos fora do Brasil

Após percorrer mais de mil quilômetros desde a saída de Goiás, Formiga chegou a Cáceres, no Mato Grosso, uma das últimas cidades brasileiras antes da fronteira. Em seguida, cruzou para a Bolívia, onde iniciou uma nova etapa da jornada.

Atualmente, ele está em San Martín, no território boliviano, onde fará uma pausa antes de retomar a caminhada. “Estou em San Martín, na Bolívia. Vou ficar aqui até amanhã. Na verdade, sigo com a caminhada na segunda-feira”, informou ao Mais Goiás.

Segundo o aventureiro, a receptividade encontrada no país vizinho tem sido semelhante à que recebeu durante o trajeto pelo Brasil. Pessoas que acompanham a viagem pelas redes sociais já se ofereceram para ajudá-lo com hospedagem e apoio logístico. “Parece que o Brasil inteiro me deu um abraço e falou: vai lá, estamos com você. Agora estou vendo esse mesmo carinho acontecer em outros lugares e isso é muito especial”, relata.
A rota prevê a passagem por diversas cidades bolivianas antes da entrada no Peru. De lá, a caminhada seguirá rumo ao norte do continente até o destino final.

Embora a chegada ao Alasca seja o grande objetivo da expedição, Fábio acredita que o maior legado da aventura será construído durante o percurso. “Uma vez me perguntaram qual história eu queria contar quando voltasse. Hoje eu tenho certeza de que vou contar a história das pessoas que encontrei pelo caminho. São elas que vão marcar essa viagem para sempre”, conclui.

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