Apontado como líder financeiro e operacional da tentativa do maior roubo já registrado em Mato Grosso, o produtor rural Francivaldo Moreira Pontes, conhecido como “Velho Ban”, comandou um consórcio criminoso responsável por financiar o mega-assalto à transportadora de valores Brinks, em Confresa, em 9 de abril de 2023. A informação foi confirmada nesta manhã de quinta-feira (9) à imprensa, pelo delegado Gustavo Belão.
Conhecido pelos nomes falsos "Levi Ferreira Gonçalves" e "Ronaldo Leão da Gama", Francivaldo mantinha uma vida paralela como produtor rural, enquanto, segundo as investigações, investia na aquisição de terras como estratégia para "lavagem de dinheiro". Apenas em seu nome verdadeiro, havia seis mandados de prisão em aberto fora do estado de Mato Grosso.
De acordo com a Polícia Civil, “Velho Ban” não apenas financiou a ação, como também participou diretamente da execução. Ele estava presente no dia do ataque e teria, inclusive, reagido às equipes policiais com um fuzil durante tentativas de captura no dia 26 de novembro de 2024, no interior do Pará, ocasião em que foi morto.
Atuação do "Velho Ban"
O histórico criminal de Francivaldo remonta pelo menos a 2007, incluindo participação em roubos a banco e episódios de extrema violência. Em uma das ações, ele fez um juiz e um delegado reféns dentro de uma agência bancária.
As investigações apontam que ele era a principal liderança do núcleo de comando e financeiro da organização criminosa, responsável por movimentar a maior parte dos recursos utilizados no ataque. O grupo, segundo a polícia, funcionava como um “consórcio” entre criminosos experientes, empresários e pessoas sem antecedentes. Foi descartado, neste caso, o financiamento por facções como o PCC.
O plano que ele ajudou a estruturar começou a ser desenhado meses antes do crime. Ainda em novembro de 2022, integrantes da quadrilha já estavam na região realizando levantamentos logísticos, estudando rotas de fuga e mapeando a atuação das forças de segurança.
Em abril de 2023, a ação foi colocada em prática com um nível de organização considerado superior ao chamado “novo cangaço”. Cerca de 20 criminosos fortemente armados, com seis veículos blindados, armamento de grosso calibre e ao menos 50 explosivos, sitiaram a cidade.
Diferentemente de outras ações desse tipo, não houve uso de reféns como escudo humano em larga escala. Segundo Belão, o grupo atuou de forma mais técnica, “fria e calculista”, com foco total na execução do plano e tempo rigorosamente controlado.
O alvo era o cofre da transportadora, onde os criminosos acreditavam haver entre R$ 40 milhões e R$ 60 milhões. No entanto, o ataque fracassou após o acionamento de um dispositivo de segurança, que liberou uma substância química e impossibilitou a permanência no local.
Sem sucesso, a ordem foi de recuo. O grupo deixou para trás veículos, explosivos e parte do material utilizado, levando apenas cerca de R$ 2 mil.
Mesmo assim, o rastro financeiro e logístico permitiu à polícia avançar nas investigações, que culminaram, nesta quinta-feira (9), na terceira fase da Operação Pentágono.
Ao todo, foram cumpridas 97 ordens judiciais, incluindo 27 mandados de prisão e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 6 milhões. Até o momento, ao menos 15 pessoas foram presas.