De acordo com a Prefeitura de Paraúna, a origem exata da formação é desconhecida, com parte dos pesquisadores acreditando se tratar de uma região que possa ter tido origem oceânica, enquanto outra parte acredita que o muro foi construído por mãos humanas, sendo uma divisão entre os povos Incas e Maias.
A formação fica no Parque Estadual de Paraúna (Pepa), que é formado pela Serra das Galés e pela Serra da Portaria.
Além da muralha, o local conta com outras atrações, como cachoeiras e rochas com formatos de tartaruga, cálice, chapéu, e outras figuras.
Ao g1, o geólogo Silas Gonçalves explicou que o mistério da muralha talvez seja ainda mais antigo que qualquer civilização, com idade entre 135 e 130 milhões de anos.
Ele acredita que a formação nasceu de um dos maiores eventos vulcânicos continentais conhecidos, associado à fragmentação do supercontinente Gondwana e abertura à do Oceano Atlântico Sul.
"Esse evento originou a Província Magmática Paraná, responsável pela emissão de grandes volumes de lava basáltica que recobriram extensas áreas do sul e centro do Brasil", explicou.
A lava se estendeu pelas regiões Sul e Centro do Brasil. Após o resfriamento, o material se torna a rocha vulcânica basalto e fica com fraturas conhecidas como juntas de resfriamento.
Os blocos de pedra da muralha são divididos. Para Silas, isso também tem a ver com a ação da natureza. Acontece que o processo de desgaste - erosão natural - expôs o alinhamento dos blocos vulcânicos, formando o relevo em linha da muralha.
Muralha de pedra, em Goiás — Foto: Weimer Carvalho/O Popular
O geólogo destacou que a formação observada na muralha de pedra não se encaixa com construções artificiais, e sim naturais causadas pela combinação de:
- Derrames basálticos cretáceos: grandes volumes de lava que se espalharam pela superfície há milhões de anos e depois endureceram, formando o basalto;
- Fraturamento térmico do basalto durante o resfriamento: quando essa lava esfriou, ela encolheu e acabou rachando naturalmente;
- Fraturas poliédricas no basalto: essas rachaduras formaram blocos com vários lados, meio "geométricos", em vez de pedras irregulares;
- Controle estrutural de lineamento geológico NE, NW: as direções dessas fraturas seguem padrões do próprio terreno, alinhadas em certos sentidos (tipo nordeste e noroeste);
- Erosão diferencial entre basaltos e rochas sedimentares encaixantes: com o tempo, as partes mais frágeis ao redor foram se desgastando mais rápido, deixando o basalto mais resistente em destaque.
"Esses processos são comuns em áreas vulcânicas e podem produzir alinhamentos rochosos que lembram estruturas construídas", destacou.
Sobre o óleo de baleia, o coordenador da unidade de conservação, Danilo Lessa, pontuou que a afirmação partiu de um dos livros sobre o local, mas que atualmente pesquisadores acreditam que a substância é na verdade dique de diabásio — rocha derretida (magma) que escorreu pelas rachaduras, resfriando dentro das fendas da muralha.
Cachoeiras e formas únicas
A muralha de pedra não é o único atrativo do parque, que também conta com rochas com nomes variados de acordo com a forma que cada uma delas representa, que varia desde animais até ferramentas (veja abaixo).
Formações rochosas de milhões de anos em Paraúna, Goiás