Celebrado em 1 de março, o Dia do Turismo Ecológico reforça a importância de práticas que unem lazer, conscientização ambiental e desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, os estádios de futebol têm ampliado seus papéis para além das quatro linhas, tornando-se pontos de visitação que estimulam reflexões sobre o uso dos recursos naturais e o impacto das grandes concentrações de público. Cada vez mais, arenas passam a integrar roteiros turísticos não apenas pela arquitetura ou pela história esportiva, mas também pelas iniciativas ambientais implementadas em seus espaços.
No Sudeste, a pauta sustentável ganha força dentro e fora dos gramados, especialmente no Campeonato Paulista, em que clubes têm adotado soluções compatíveis com suas realidades operacionais e estruturais. O Corinthians lançou recentemente o Pacto 2030, iniciativa que estabelece compromissos ambientais e sociais a serem desenvolvidos ao longo da próxima década, enquanto o Palmeiras desenvolve o projeto “Por Um Futuro Mais Verde”, reunindo ações ambientais e sociais voltadas a funcionários, sócios e torcedores.
Outro exemplo no estado é o São Paulo, que mantém desde 2012 um programa socioambiental estruturado, com foco em biodiversidade, gestão de resíduos e uso racional da água. O clube é signatário do Pacto Global da ONU e incorpora diretrizes de sustentabilidade e responsabilidade social à sua governança, envolvendo atletas, funcionários e associados em suas ações.
No interior paulista, em Ribeirão Preto, o Botafogo-SP adotou medidas de eficiência energética como parte de um processo de adequação estrutural. A substituição de lâmpadas convencionais por modelos de LED foi realizada em todos os setores do estádio, incluindo os refletores, e resultou em uma redução estimada de 40% no consumo de energia elétrica. A iniciativa contribui tanto para a diminuição dos custos operacionais quanto para a redução do impacto ambiental das partidas.
“A modernização do sistema de iluminação foi pensada a partir de critérios técnicos e de eficiência. Temos direcionado investimentos em infraestrutura que gerem economia no longo prazo e, ao mesmo tempo, reduzam os impactos ambientais da operação do estádio”, explica Ferdinando Brito, diretor administrativo do Botafogo-SP.
Além das ações promovidas diretamente pelos clubes, iniciativas ligadas à experiência do torcedor também ampliam o alcance dessas práticas. A Soccer Hospitality passou a adotar copos reutilizáveis em camarotes localizados nos estádios de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos.
“Acreditamos que a sustentabilidade precisa fazer parte da experiência do torcedor. O uso de copos reutilizáveis nos camarotes reduz de forma significativa o consumo de descartáveis ao longo da temporada e mostra que mudanças operacionais simples podem gerar um impacto ambiental relevante”, destaca Léo Rizzo, CEO da Soccer Hospitality.
No interior paulista, o Estádio Ítalo Mário Limongi, do Primavera, também integra esse movimento. Em parceria com a Klivex, o clube promove ações de conscientização ambiental que incentivam os torcedores a recolherem os próprios resíduos durante os jogos, transformando o estádio em um espaço educativo.
“Quando o futebol é usado como ferramenta para estimular atitudes mais conscientes, o efeito ultrapassa o evento esportivo e se reflete no cotidiano das pessoas, fortalecendo a relação entre esporte, comunidade e meio ambiente”, afirma Mauro Silveira, diretor executivo da Klivex.
No Sul do país, esse movimento já faz parte da rotina de clubes que utilizam o futebol como plataforma de educação ambiental. Em Santa Catarina, o Estádio Heriberto Hülse, casa do Criciúma, é um dos exemplos mais consolidados. Desde 2019, o clube desenvolve o projeto Recicla Junto, que garante a coleta e a destinação correta de todos os resíduos gerados nos dias de jogos, incluindo o entorno da arena. A iniciativa, idealizada pela Cristalcopo, já retirou mais de 480 mil quilos de resíduos de estádios brasileiros, reforçando o papel do futebol na conscientização socioambiental, e destinou à reciclagem em parceria com cooperativas locais .
“O futebol possui um impacto marcante na sociedade, o que o torna uma das plataformas de conscientização mais poderosas que temos hoje. O estádio já não é mais apenas um local de entretenimento, mas sim um ambiente fundamental de conscientização e responsabilidade ambiental”, analisa Augusto Freitas, presidente-executivo da Cristalcopo e idealizador do projeto Recicla Junto.
Ainda na região Sul, em Caxias do Sul, o Juventude tem reforçado seu compromisso com a sustentabilidade por meio de uma série de ações voltadas à preservação ambiental e ao uso consciente dos recursos naturais. O clube investiu em energia solar com a instalação de 240 placas fotovoltaicas distribuídas no Estádio Alfredo Jaconi e no Centro de Treinamento, gerando uma economia aproximada de R$ 15 mil mensais. No CT, a água da lavanderia passa por tratamento para posterior reutilização, enquanto todo o lixo produzido pelo clube, incluindo resíduos gerados em dias de jogos, é destinado à reciclagem.
“O Juventude entende que sustentabilidade não é apenas discurso, mas uma responsabilidade cotidiana. Temos buscado soluções práticas para reduzir nosso impacto ambiental, desde o uso de energia limpa até o reaproveitamento da água e a destinação adequada dos resíduos. São ações que beneficiam o meio ambiente e contribuem para uma gestão mais eficiente e consciente”, afirma o presidente do clube, Fábio Pizzamiglio.
No Centro-Oeste, o Cuiabá lidera a pauta ecológica na região. O CT Manoel Dresch reutiliza a água da chuva, que é captada de um lago artificial quando está em excesso, e distribui para a manutenção e irrigação dos gramados. Além disso, cerca de 90% de toda a energia necessária para o funcionamento de todas as instalações do clube é de geração solar, incluindo os Centros de Treinamento e as escolinhas.
"O Cuiabá entende que a sustentabilidade é um dos pilares do esporte e do mundo. Com isso, fizemos todos os esforços para que nossas instalações atingissem um patamar ecológico acima das demais, tanto com a reutilização da água das chuvas, quanto com o uso de energia solar", explica Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá.
Já no Nordeste, a Arena Castelão, em Fortaleza, se consolidou como referência em turismo sustentável. O estádio foi o primeiro da América do Sul a obter a certificação ambiental LEED e conta com sistemas de economia de água, reaproveitamento de recursos e captação de águas pluviais. Em parceria com os clubes que jogam na arena, foi criado o Movimento Fortaleza Limpa, para a promoção do Campeonato da Reciclagem durante os jogos de Fortaleza e Ceará. Somente nos dois primeiros meses, foram mais de 3,4 toneladas de resíduos coletados.