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15/02/26 às 08:41 / Atualizada: 15/02/26 às 08:53

Chaminés de fada: especialistas definem como será visitação em formação geológica rara

Área no nordeste de Goiás ainda não está aberta ao público, mas pesquisadores organizam trilha, estudos acadêmicos e regras para garantir preservação


Formações conhecidas como “chaminés de fada” chamam a atenção pelo tamanho e formato incomum, preservadas em área particular no nordeste de Goiás — Foto: Divulgação/Joana Paula Sánchez

As “chaminés de fada”, formações geológicas raras identificadas no nordeste de Goiás, ainda não estão abertas à visitação. No entanto, especialistas já definem como será o acesso ao público e quais áreas poderão ou não receber visitantes no futuro.

 
Localizadas em propriedade particular no município de Campos Belos, as estruturas são consideradas inéditas no Brasil pelo tamanho, quantidade e estado de conservação. Agora, a equipe responsável trabalha no ordenamento da área para que ela possa se tornar visitável sem comprometer a preservação. A área está sendo delimitada com cordas para indicar o trajeto permitido aos visitantes. O público não poderá tocar nas formações.
 
Segundo a geóloga Joana Paula Sánchez, professora da Universidade Federal de Goiás, o processo atual envolve organização básica e estudos técnicos.

“Estamos ordenando e deixando algo que tenha o mínimo de organização, como trilha definida, barreiras físicas e até estrutura simples, como banheiro na recepção”, explicou.

 
Será aberta uma área para contemplação, onde estão estruturas maiores e menos frágeis. Já os trechos de difícil acesso e que nunca foram tocados permanecerão fechados, justamente para manter a integridade das formações mais delicadas.
 
Além da organização física da área, há também um estudo acadêmico voltado especificamente para o ordenamento turístico. Uma aluna da Universidade Federal de Goiás desenvolve mestrado em Geoturismo no Programa de Pós-Graduação em Geociências com foco na estruturação da visitação.
 
A pesquisa prevê a elaboração de um inventário turístico da região algo que ainda não existe de forma sistematizada e deve auxiliar na organização prática da atividade.
 
Critérios técnicos
 
As futuras visitações seguirão critérios técnicos para áreas frágeis:
  • Cada guia poderá conduzir no máximo seis pessoas por vez;
  • O limite diário será de até 40 visitantes por dia;
  • O acesso será feito inicialmente por trilha, sendo necessário veículo 4x4 em parte do trajeto;
  • A área visitável será restrita às estruturas maiores, consideradas menos frágeis.
De acordo a pesquisadora, o número de visitantes não foi definido de forma aleatória. A limitação segue normas aplicadas a ambientes naturais sensíveis.  
“A gente delimitou a área que pode ser percorrida. Não pode tocar nas formações. Só o fato de andar no leito seco do rio já modifica a paisagem. Então quanto menos pessoas, melhor para a conservação”, explicou.
 
Antes de liberar o agendamento ao público, a equipe fará um teste de visitação com moradores da região. A partir do resultado, o número de visitantes poderá ser mantido, reduzido ou ampliado.
 
Local nunca foi usado para agricultura ou turismo, o que ajudou a preservar as formações em perfeito estado — Foto: Divulgação/Fabiane Gontijo
Local nunca foi usado para agricultura ou turismo, o que ajudou a preservar as formações em perfeito estado — Foto: Divulgação/Fabiane Gontijo
 
Por que preservar?
 
As formações têm cerca de 300 anos na configuração atual e foram moldadas dentro do leito de um rio que já secou. Isso significa que novas estruturas como aquelas não estão mais sendo formadas no local..
 
O que existe ali são resquícios do que foi formado no passado. Se destruir, não forma de novo”, destacou Joana.
 
A pesquisadora reforça que a proposta não é fechar o acesso, mas educar para preservar.
 
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade iniciou processo para transformar a área em Monumento Natural (Mona), categoria de unidade de conservação que permite visitação controlada e desenvolvimento sustentável.
 
A medida ainda depende de trâmites legais e da concordância dos proprietários.
Detalhes das ‘chaminés de fada’, formações rochosas raras descobertas em Goiás — Foto: g1/Arte
Detalhes das ‘chaminés de fada’, formações rochosas raras descobertas em Goiás — Foto: g1/Arte
 
O que se sabe sobre as chaminés de fada em Goiás
 
As chaminés de fada ficam em área particular no município de Campos Belos, no nordeste de Goiás, e foram identificadas oficialmente por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás em 2023. A formação chamou a atenção de especialistas pela dimensão, quantidade e pelo estado de conservação.
 
As estruturas chegam a até três metros de altura e estão concentradas em grande número em uma mesma área, algo considerado inédito no Brasil nesse porte. Diferentemente de outros registros pontuais no país, o local nunca foi utilizado para agricultura, turismo ou criação de gado, o que garantiu a preservação natural das torres rochosas.
 
Segundo a geóloga Joana Paula Sánchez, as chaminés se formaram por um processo chamado erosão diferencial. Nesse mecanismo, a base da formação, composta por material mais frágil, foi desgastada pela ação da água ao longo do tempo, enquanto a parte superior, formada por rocha mais resistente, funcionou como um “chapéu” protetor, permitindo que a coluna permanecesse em pé.
 
No caso de Goiás, as estruturas foram moldadas dentro do leito de um antigo rio que já secou. A configuração atual tem cerca de 300 anos, mas o processo geológico que possibilitou a formação pode ter levado centenas de anos. Como o rio não existe mais no local, novas estruturas desse tipo não estão sendo formadas na região, o que reforça a importância da preservação.

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