Notícias / Justiça

22/11/25 às 19:29 / Atualizada: 22/11/25 às 19:59

Jair Bolsonaro confessa que tentou violar tornozeleira eletrônica (vídeo)

A declaração está registrada em vídeo e num relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal

José Marques, Valdo Cruz e Márcio Facão

Da Folhapress - Brasília, e do G1- Brasília

Imprimir Enviar para um amigo
Jair Bolsonaro confessa que tentou violar tornozeleira eletrônica (vídeo)

Foto: Divulgação PF

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou a uma agente que fez uso de "ferro quente" para tentar abrir sua tornozeleira eletrônica.

A declaração está registrada em vídeo e num relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal.

A tentativa de violação foi um dos pontos citados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ao determinar a prisão do ex-presidente.

Na tarde deste sábado (22), Moraes determinou que a defesa de Bolsonaro esclareça o motivo de ele ter tentado avariar a tornozeleira eletrônica.

"O equipamento possuía sinais claros e importantes de avaria. Havia marcas de queimadura em toda sua circunferência, no local de encaixe/fechamento do case. No momento da análise o monitorado foi questionado acerca do instrumento utilizado", diz o documento da Seape, assinado por Rita Gaio, diretora adjunta do Centro Integrado de Monitoração Eletrônica.

Veja vídeo:


 
De acordo com o documento, a informação inicial era de que Bolsonaro havia batido o dispositivo na escada.

Mas, após a entrada da servidora da secretaria no local, "a tornozeleira não apresentava sinais de choque em escada".

Em vídeo, a servidora da administração penitenciárias do DF pergunta a Bolsonaro que hora ele teria começado a tentar violar a tornozeleira. O ex-presidente respondeu que no final da tarde. 

 
No omento da análise da situação, Bolsonaro foi questionado sobre que instrumento havia utilizado, e que o ex-presidente disse que tinha utilizado um ferro de solda para tentar abrir o equipamento.
 
Ao ser questionado pelas autoridades, Bolsonaro afirmou que começou a mexer no aparelho no fim da tarde de sábado.
 
A Secretaria de Administração Penitenciária anexou ao relatório um vídeo, onde o próprio ex-presidente confessa ter utilizado o ferro de solda.
 
O alarme da tornozeleira disparou às 0h07. Imediatamente, a equipe que faz a segurança de Bolsonaro foi acionada pela Secretaria de Administração Penitenciária do governo do Distrito Federal, responsável pelo aparelho.
 
A escolta, então, confirmou a violação e fez a troca à 1h09. 

"METI FERRO QUENTE AÍ" - Em um vídeo divulgado, uma policial penal aponta para a tornozeleira avariada e pergunta a Bolsonaro:

 
"O senhor usou alguma coisa para queimar isso aqui?". Ele responde: "Eu meti ferro quente aí. Curiosidade".
 
"Que ferro foi, ferro de passar?", a servidora questiona. "Não, ferro de soldar, de solda", diz Bolsonaro.
 
Em seguida, a servidora pergunta se Bolsonaro tentou arrancar a pulseira que prende o equipamento ao tornozelo, e ele nega.

"Pulseira aparentemente intacta, mas o 'case' [a capa] violado", relata a servidora no vídeo.

"Que horas o senhor começou a fazer isso, seu Jair?", ela pergunta. "No final da tarde", Bolsonaro afirma.

CRONOLOGIA - Relembre a cronologia dos movimentos que resultaram na prisão de Bolsonaro na Superintendência da PF em Brasília:

· Por volta das 17h de sexta-feira (21)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) convoca, pelas redes sociais, uma vigília próxima à casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, no bairro Jardim Botânico, em Brasília.

O convite previa que a vigília começaria às 19h deste sábado (22).

· Por volta das 23h de sexta-feira (21)

A Polícia Federal pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão preventiva de Bolsonaro com base na convocação feita por Flávio.

A PF afirmou haver "a possibilidade concreta de que a vigília convocada ganhe grande dimensão, com a concentração de centenas de adeptos do ex-presidente nas imediações de sua residência, estendendo-se por muitos dias, de forma semelhante às manifestações estimuladas pela organização criminosa nas imediações de instalações militares, especialmente no final do ano de 2022".

 Para a PF, havia risco de a vigília dificultar que Bolsonaro cumprisse a pena de prisão no processo da tentativa de golpe, que está próximo de ser encerrado.

"Tal fato [a vigília] tem o condão de gerar um grave dano à ordem pública, podendo inclusive inviabilizar o cumprimento de eventuais medidas em decorrência do trânsito em julgado da ação Penal 2.668/DF [da trama golpista], ou exigir o indesejável emprego de medidas coercitivas pelas forças de segurança pública para o seu cumprimento, colocando em risco a segurança de moradores do condomínio de residência e imediações, apoiadores, policiais designados para a missão e até mesmo o condenado e seus familiares", afirmou a PF.

· 0h08 de sábado (22)

Em paralelo ao pedido da PF, o Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (Cime), ligado à Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, registra a "ocorrência de violação" da tornozeleira eletrônica usada por Bolsonaro.  

O Cime informou nesta manhã, em nota, que não fornece detalhes sobre casos concretos. Alexandre de Moraes registrou a comunicação do órgão.

"O Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou a esta Suprema Corte a ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico do réu Jair Messias Bolsonaro, às 0h08min do dia 22/11/2025.

A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho", escreveu o ministro.

· 1h25 de sábado (22)

Acionado por Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, assina um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) informando que não se opunha à prisão preventiva solicitada pela PF.

"Diante da urgência e gravidade dos novos fatos apresentados, a Procuradoria-Geral da República não se opõe à providência indicada pela Autoridade Policial", afirmou Gonet ao Supremo.

ORDEM DE PRISÃO - Moraes decreta a prisão preventiva do ex-presidente por ver risco de fuga nos fatos novos — a vigília convocada por Flávio e a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica.

A decisão é tomada na madrugada, após o ministro consultar a PGR — não há um horário expresso no documento.

"Não bastassem os gravíssimos indícios da eventual tentativa de fuga do réu Jair Messias Bolsonaro acima mencionados, é importante destacar que o corréu Alexandre Ramagem, a sua aliada política Carla Zambelli, ambos condenados por esta Suprema Corte; e o filho do réu, Eduardo Nantes Bolsonaro, denunciado pela Procuradoria-Geral da República no Supremo Tribunal Federal, também se valeram da estratégia de evasão do território nacional, com objetivo de se furtar à aplicação da lei penal", afirmou Moraes na decisão.  

O ministro determina que a prisão seja cumprida na manhã deste sábado, "com todo o respeito à dignidade do ex-presidente [...], sem a utilização de algemas e sem qualquer exposição midiática", e que Bolsonaro fique recolhido na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.

· Por volta das 6h de sábado (22)

A PF vai até o condomínio do ex-presidente e cumpre a ordem de prisão.

Bolsonaro é levado em um comboio de veículos para a Superintendência da PF, na Asa Sul, em Brasília.

comentar  Nenhum comentário

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do AguaBoaNews. É vedada a inserção de opiniões que violem as Leis, a moral, os bons costumes e/ou direitos de terceiros. O portal poderá retirar, sem prévia notificação, comentários publicados que não respeitem os critérios impostos e/ou estão fora do tema da matéria comentada.

 
 
 
Sitevip Internet