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10/11/25 às 17:27

Rede Pantaneira pela Coexistência Humano-Onças reforça compromisso para reduzir conflitos entre pessoas e onças-pintadas no Pantanal

Diversas instituições participaram do encontro no Hotel Sesc Porto Cercado para definir plano de ação para 2026

Redação AguaBoaNews

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Rede Pantaneira pela Coexistência Humano-Onças reforça compromisso para reduzir conflitos entre pessoas e onças-pintadas no Pantanal

Foto: Assessoria

A coexistência entre pessoas e onças-pintadas é um dos desafios do Pantanal. No bioma, onde vivem algumas das maiores populações de onças-pintadas do planeta, os encontros entre felinos e humanos são cada vez mais frequentes. Diálogo, ciência e compromisso coletivo são alguns caminhos para a convivência harmônica no bioma, e é justamente isso que propõe a Rede Pantaneira pela Coexistência Humano-Onças. 
 
 
Realizado no Hotel Sesc Porto Cercado, em Poconé (MT), o encontro, que foi idealizado pela WWF-Brasil, reuniu representantes de organizações ambientais, produtores rurais e pesquisadores de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, dois estados brasileiros onde o Pantanal está presente. Entre as instituições participantes estão WWF-Brasil, Aliança 5P, Panthera, Instituto Pró-Carnívoros, Ampara Silvestre, Instituto Homem Pantaneiro, Jaguarte, Onçafari, Impacto/Pousada Piuval, ICMBio/Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap).  
 
 
O movimento iniciado em 2024 como um grupo técnico de trabalho, evoluiu este ano para uma Rede estruturada, com propósito, valores e metas comuns. Essa consolidação marca um novo momento: de articulação mais madura, colaborativa e com foco em resultados práticos.  
 
 
Para Cyntia Cavalcante, analista de conservação do WWF-Brasil, a formalização da Rede representa um avanço importante na governança da conservação no Pantanal. “O que começou como uma articulação entre pesquisadores e produtores, agora ganha estrutura para gerar resultados reais. A Rede amplia o diálogo, mas também cria caminhos para políticas públicas e práticas de manejo mais eficazes”, destaca.  
 
 
Para quem vive no Pantanal no dia a dia, o trabalho da Rede tem significado prático. O médico veterinário e pesquisador Diego Viana, de Corumbá (MS), acompanha de perto os desafios dessa convivência e reforça que conservar as onças é também um modo de manter vivo o modo de vida pantaneiro. “Entender as relações entre as pessoas e a fauna como parte da identidade do território, é conservar as onças e o modo de vida do pantaneiro. Cada ação da Rede é um passo para fortalecer esse equilíbrio”, reforça.  
 
 
Para Ana Paula Felício, produtora rural e secretária-executiva da Aliança 5P, a convivência nasce da troca de experiências. “A coexistência se constrói com escuta e disposição para aprender juntos. Cada propriedade é única, e é no diálogo entre produtores e pesquisadores que encontramos soluções viáveis, construídas a muitas mãos”. 
 
 
Parceiro da Rede desde sua criação, o Sesc Pantanal atua como elo entre pesquisa científica, conservação ambiental e envolvimento comunitário. “O Sesc Pantanal é um espaço de conexão entre ciência, conservação e pessoas. Nosso papel é somar conhecimento e contribuir para soluções que nascem da vivência e da escuta do território”, explica Alexandre Enout, gestor da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal. 
 
 
A partir de agora, a Rede inicia a implementação do plano de ações para 2026, que inclui a participação na COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, a ser realizada em Campo Grande (MS).  
 
 
O cronograma também prevê ações de capacitação para produtores rurais, ampliação do diálogo com comunidades pantaneiras e intercâmbio de informações entre instituições de pesquisa e conservação. 
 
 
 
Coexistência na maior RPPN do Brasil 
 
 
A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal é a maior do Brasil e se consolidou como um laboratório vivo de biodiversidade. Desde 2013, mantém pesquisa contínua sobre onças-pintadas e pardas, com uso de armadilhas fotográficas em parceria com universidades e instituições científicas. Até o momento, 39 indivíduos foram identificados, e o banco de dados reúne mais de 300 mil registros audiovisuais de mamíferos e aves silvestres. 
 
 
Entre os registros mais emblemáticos está o do pantaneiro Dito Verde, único morador da RPPN, que convive pacificamente com as onças próximas à sua casa, uma cena que simboliza o espírito da Rede. “As onças são minhas amigas, e eu sou amigo delas”, diz Dito. 

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