Um ônibus da Gustavo Turismo, que costuma fazer transporte de trabalhadores entre os estados do Maranhão e do Piauí para o Estado do Mato Grosso durante a colheita, e estava realizando o trajeto, entre Sinop (MT), Barra do Corda (MA) e Presidente Dutra (MA), caiu dentro do Rio Tocantins, deixando o motorista reserva morto.
A queda ocorreu quando o motorista tentava embarcar o veículo na balsa, que faz a travessia entre Tocantinópolis (TO) e Porto Franco (MA). Dentro do ônibus, estavam dois motoristas, além de vários passageiros. Um dos condutores, dormia no bagageiro e acabou vindo a óbito. Ele foi a única vítima porque não conseguiu sair do veículo. A queda no rio ocorreu na madrugada desse domingo (26).
De acordo com informações da Polícia Militar do Tocantins (PMTO), o veículo transportava 48 passageiros e dois motoristas. O condutor no momento da tragédia era Gustavo X., de 25 anos, que seria ainda o proprietário da empresa ou dono do veículo. Informação ainda não confirmada.
Já o motorista que faleceu foi identificado como Silvadir Ferreira da Silva, de 43 anos. O corpo foi localizado por mergulhadores do Corpo de Bombeiros por volta das 9h30, de domingo (26).
O outro motorista, de 25 anos, conseguiu sair pelas janelas e sofreu apenas ferimentos leves. Dois passageiros — um homem, de 31 anos, e uma criança, de 7 anos – também ficaram levemente feridos. Os demais ocupantes foram resgatados com o auxílio de barqueiros e funcionários da empresa da balsa.
A Polícia Militar isolou a área e acionou o Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil e a perícia técnica. Uma empresa privada foi contratada para realizar a retirada do ônibus submerso e das bagagens.
O motorista sobrevivente foi conduzido à Delegacia de Tocantinópolis (TO), onde foi autuado em flagrante por homicídio culposo na condução de veículo de transporte de passageiros. Em seguida, foi encaminhado à cadeia pública municipal.
A balsa envolvida no sinistro (acidente) permanece parada no lado maranhense para a realização de perícia, enquanto outras duas embarcações continuam operando normalmente na travessia entre os dois municípios.
Segundo informações da imprensa da região, há indícios de que o veículo fazia regularmente o transporte clandestino, nesta rota. Inclusive contrariando a jornada de trabalho que deve ser limitada, com descanso mínimo de 11 horas entre jornadas. A viagem seria de aproximadamente 2.000 quilômetros.
Nas mídias sociais algumas empresas dizem que essas viagens são frequentes, do tipo bate e volta, e não há tempo hábil para manutenção adequada.
Os passageiros teriam perdido dinheiro, roupas, celulares e há relato até de motocicleta e televisão no bagageiro. Portanto, pode haver ainda excesso de peso, somando passageiros e bagagens fora do padrão.
A empresa responsável pela travessia HNT afirmou que orienta sempre os passageiros a desembarcarem do veículo.
Outro motorista morreu no bagageiro
No dia 7 de janeiro deste ano, um motorista, que também dormia no bagageiro de um ônibus, morreu quando o veículo da Baleia Turismo, transportando 44 pessoas, tombou na BR-135, no Piauí. Na ocasião, também estavam a bordo dois motoristas. Outros seis passageiros também morreram no sinistro.
Travessia de balsa é feita após queda da ponte JK em dezembro de 2024
A Ponte Juscelino Kubitschek desabou na BR-226, entre Maranhão e Tocantins, no dia 22 de dezembro de 2024. Na ocasião 14 pessoas perderam a vida, num drama que durou dias até encontrar todos os corpos dos desaparecidos.
Estrutura deteriorada e falta de manutenção
A ponte apresentava sinais claros de desgaste e estava sem manutenção adequada, mesmo com o intenso fluxo de veículos pesados que trafegavam diariamente por ela. O governo federal, tanto na gestão atual como na anterior, estava ciente da precariedade e riscos.
Na ocasião, um vídeo publicado pelo vereador Elias Júnior, minutos antes do desabamento, mostrou rachaduras visíveis no asfalto.
Somente dois meses depois que o DNIT e governo federal conseguiriam viabilizar a travessia em balsas. Para apurar os responsáveis pelo colapso da ponte, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) abriu uma sindicância para apurar as causas e efetivar as responsabilizações. Logo depois foram convidadas duas empresas a realizarem os estudos e construírem a nova ponte.
De acordo com a Autarquia, a obra teve orçamento de R$171.969.000,00 e o consórcio construtor – formado pelas empresas Gaspar S/A e Arteleste Construções – estão realizando a obra, que tem previsão de conclusão para o fim deste ano. A ponte nova irá substituir a Obra de Arte Especial (OAE) Juscelino Kubitschek de Oliveira. Este valor é somado aos R$39 milhões iniciais que o DNIT assumiu pagar para a empresa que operaria inicialmente as balsas.
O Estradas.com.br está solicitando esclarecimentos ao DNIT e ao Ministério dos Transportes sobre o resultado dessa sindicância bem como o andamento da obra.