O primeiro levantamento para a safra de grãos 2025/26, divulgado na quarta-feira (15) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostra que Mato Grosso deverá perder ritmo e somar produção 3,3% abaixo do contabilizado na temporada 2024/25.
Conforme os números, o Estado deve produzir 108,6 milhões de toneladas, abaixo do recorde atual em mais de 112,39 milhões de toneladas de grãos e fibra de algodão.
Ainda que a estimativa da Conab se confirme, Mato Grosso estará na contramão do recorde histórico previsto à safra nacional, mas seguirá sendo o maior produtor nacional de grãos e fibra pelo 14º ano seguido.
Todas as principais culturas mato-grossenses surgem nessa primeira estimativa com saldo negativo em relação à safra 2024/25. Se tudo seguir assim, não haverá recorde no Estado.
Soja, algodão e milho devem encolher cerca de 4,3%, 3% e 2,5% na comparação anual.
Conforme os analistas da Conab, o clima é a grande incógnita e pesa em desfavor da produtividade.
Para o Brasil, a companhia projeta produção total de 354,7 milhões t de grãos para a nova safra, volume 0,8% superior ao obtido em 2024/25, e um crescimento na área a ser semeada de 3,3% em relação ao ciclo anterior, sendo estimada em 84,4 milhões de hectares na temporada 2025/26.
Neste novo ciclo, há uma expectativa de crescimento de 3,6% na área semeada para soja se comparada com 2024/25, estimada em 49,1 milhões de hectares.
Com isso, a Conab estima uma colheita de 177,6 milhões toneladas na safra 2025/26 frente à colheita de 171,5 milhões de toneladas temporada anterior.
As precipitações ocorridas em setembro nos estados do Centro-Sul do país permitiram o início do plantio com 11,1% da área já semeada, índice ligeiramente superior ao ocorrido até o mesmo momento do ciclo passado.
Nos maiores estados produtores de soja do país, Mato Grosso e Paraná, nos primeiros 10 dias de outubro, registravam 18,9% e 31%, respectivamente, da área semeada.
Assim como a soja, é esperada uma maior área plantada para o milho em 2025/26, podendo chegar a 22,7 milhões de hectares, com uma expectativa de produção de 138,6 milhões t as 3 safras do grão.
Apenas na primeira safra do cereal, a companhia prevê um incremento na área semeada em torno de 6,1%, com estimativa de colher 25,6 milhões t, crescimento de 2,8% em relação à safra passada.
No Rio Grande do Sul, onde a semeadura tem início a partir do final de agosto, em 11 de outubro, já havia 83% da área semeada, 84% no Paraná e 72% em Santa Catarina.
Já no Centro-Oeste e nos demais estados, o plantio ainda não foi iniciado.
Já para o arroz, a primeira estimativa para o ciclo 2025/26 indica uma redução de 5,6% na área a ser semeada, projetada em 1,66 milhão de hectares, sendo que na área irrigada a queda está prevista em 3,7% e na de sequeiro a diminuição pode chegar a 12,5%.
Com a menor área destinada à cultura, a produção de arroz pode chegar a 11,5 milhões t.
Na região Sul, principal produtora do grão, os produtores intensificam os trabalhos de preparo do solo e do plantio.
No caso do feijão, por ser uma cultura de ciclo curto, a tendência é que a safra 2025/26 mantenha-se próxima da estabilidade.
Somada as três safras da leguminosa, a produção está estimada em 3 milhões t.
A área da primeira safra do grão deverá ter redução de 7,5% em comparação com o primeiro ciclo da temporada 2024/25, totalizando uma previsão de plantio em 840,4 mil hectares.
A semeadura foi iniciada na região Sudeste do país, com 100% da área semeada em São Paulo, e em andamento nos demais estados da região.
Na Bahia, terceiro maior produtor da leguminosa, e nos demais estados, o plantio ainda não foi iniciado.