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01/05/24 às 14:55 / Atualizada: 01/05/24 às 15:14

Ciclista que desapareceu na fronteira com Essequibo é encontrado na Guiana

Informação foi confirmada pelo filho do ciclista, Gregori de Souza, e pela Defesa Civil Municipal de Uiramutã, município de Roraima que faz fronteira com a Guiana. Ele foi encontrado por um grupo de caçadores indígenas.

Samantha Rufino, g1 RR — Boa Vista

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Ciclista em chamada de vídeo com amigo depois que foi encontrado (à esquerda) e antes de desaparecer (à direita) — Foto: Arquivo pessoal
Ciclista em chamada de vídeo com amigo depois que foi encontrado (à esquerda) e antes de desaparecer (à direita) — Foto: Arquivo pessoal
 
O missionário e ciclista George da Silva de Souza, de 63 anos, que desapareceu perto da fronteira do Brasil com Essequibo, na Guiana, foi encontrado debilitado nesta terça-feira (30) em uma área indígena no país vizinho. Ele havia feito o último contato com a família no dia 27 de março.
 
A informação foi confirmada pelo filho do ciclista, Gregori de Souza, e pela Defesa Civil de Uiramutã, município de Roraima que faz fronteira com a Guiana. George fazia sozinho uma expedição de bicicleta que começou no Chuí (RS), no extremo sul do país, e tinha como destino o Monte Caburaí, o ponto mais extremo do Norte do Brasil, em Roraima (entenda mais abaixo).
 
"A primeira informação que foi passada para nós é que ele será levado pra Georgetown [capital da Guiana] amanhã", informou o filho de George.
 
Ele foi encontrado por um grupo de caçadores indígenas e estava "bastante debilitado", segundo o coordenador da Defesa Civil Municipal de Uiramutã, Julimar Sena. Os indígenas levaram o ciclista para a comunidade Pipillipai, que é de difícil acesso, de acordo com a família.
 
George fez uma chamada de vídeo com um amigo e também fez contato com os familiares por ligação. A esposa e o filho dele, que moram em Bertioga (SP), estão em Boa Vista desde semana passada para acompanhar as investigações do desaparecimento.
 
"Ele disse que está com 46 kg. Quando resgataram ele, pesaram ele lá e está bem magro mesmo. Ele falou que estava deitado na rede dentro da selva, se entregando, esperando o fim porque ele já não tinha mais forças nem para andar e foi encontrado por um grupo de caçadores dessa localidade", disse Gregori.
 
Militar aposentado da Força Aérea Brasileira, Geeorge começou a expedição no dia 19 abril do ano passado no Arroio Chuí, que fica na fronteira do Brasil com o Uruguai, conhecido por ser o ponto mais extremo no Sul do território brasileiro.  
Chegou a Uiramutã, no Norte de Roraima, no dia 25 de março e de lá seguiria viagem pedalando até o Monte Caburaí.
 
Mapa mostra a distância em linha reta da expedição traçada por George de um extremo ao outro do país — Foto: Editoria de Arte/g1
Mapa mostra a distância em linha reta da expedição traçada por George de um extremo ao outro do país — Foto: Editoria de Arte/g1
 
Ao g1, o filho explicou que o pai deve receber atendimento médico e nos próximos dias retorna ao Brasil, após cumprir normas burocráticas do país vizinho por entrar sem autorização no território. A família está em contato com o governo da Guiana e uma aeronave deve ser enviada à comunidade para levá-lo ao hospital.  
 
"Ele vai ter que assinar alguns papéis, vai ter todo um trâmite, mas já adiantaram para nós que não vai ter nenhuma sanção para ele, ele não vai ficar preso não vai ficar detido nem nada disso por se tratar de uma questão assim única e uma questão extrema humanitária".
 
Desaparecimento
 
Antes de desaparecer, George disse que entraria em contato quando passasse por alguma comunidade indígena. A última pessoa com quem ele havia falado era a esposa, por chamada de vídeo, por volta de 8h30 do dia 27 de março.
 
À época do desaparecimento, Gregori disse que o pai sempre fez esse tipo de expedição, mas essa seria a mais complexa. Ele mantinha contato frequente com a família durante toda a viagem.
 
“Meu pai não levou nenhum equipamento de geolocalização, ele fez um mapeamento prévio utilizando o Google Maps. O mapeamento que ele fez foi pelo trecho que iria passar, nas comunidades, e levou apenas uma bússola. Fora isso ele não levou nenhum equipamento", disse.
 
O ciclista George da Silva de Souza no Chuí (RS), em abril de 2023, e em Uiramutã (RR), no mês passado — Foto: Arquivo pessoal
O ciclista George da Silva de Souza no Chuí (RS), em abril de 2023, e em Uiramutã (RR), no mês passado — Foto: Arquivo pessoal
 
Sem notícias, a família registrou dois boletins de ocorrência por desaparecimento. O primeiro, feito pelo irmão, foi registrado no dia 11 de abril na delegacia virtual da Polícia Civil. O segundo foi registrado pela esposa dele na segunda-feira (22) no 1º Distrito Policial, após a família receber informação de que ele havia sido visto na Guiana.
 
O prazo dado pelo missionário à família para retorno do Monte Caburaí seria no dia 8 de abril. O acesso ao Monte Caburaí é difícil, não tem estradas e é feito somente por trilhas no meio da mata fechada.  
 
A área de rios que limita Brasil e Guiana, onde ficam os rio Maú e rio Uailã, também é de difícil acesso. Para atravessar os rios, é preciso contar com uma embarcação e com a ajuda de indígenas locais.  
 
Com a hipótese da travessia, a Polícia Civil de Roraima informou que não teria jurisdição para realizar buscas no país vizinho.  
 
Os Bombeiros informaram que estavam mantendo contato direto com os familiares e que os orientaram a fazer contato com o Consulado da Guiana em Roraima para que as equipes pudessem fazer buscas no país vizinho, caso se confirmasse que ele estivesse no território guianense.
 
Em 2002, há 21 anos, George fez uma expedição semelhante que durou 79 dias. Na época, ele saiu de bicicleta do Uiramutã e foi até o Chuí. George mora com a esposa em Bertioga, interior de São Paulo.

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