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19/05/22 às 16:00 / Atualizada: 19/05/22 às 17:03

AgroBrasília 2022: Lideranças destacam importância do apoio da Funai para a agricultura indígena

Redação AguaBoaNews

com Assessoria de Comunicação / Funai

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AgroBrasília 2022: Lideranças destacam importância do apoio da Funai para a agricultura indígena

Foto: Mário Vilela/Funai

Lideranças de diferentes etnias destacaram a importância do apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai) no desenvolvimento da produção sustentável nas aldeias. Foi durante a “AgroBrasília 2022: Feira de Tecnologia e Negócios do Agro”. Em uma iniciativa inédita, a Funai promoveu a participação de agricultores das etnias Haliti-Paresi (MT), Xavante (MT), Cinta Larga (RO), Suruí (RO), Guajajara (MA) e Kaingang (SC) na feira, para que pudessem expor seus produtos e trocar experiências com outros expositores.

Para o presidente da Cooperativa Garah Itxa e liderança da etnia Paiter Suruí, Celso Suruí, a Funai abre novas portas aos indígenas com a presença na AgroBrasília. “Esse evento traz novas oportunidades para os indígenas. Expor os nossos produtos aqui abre portas em um mercado específico, o que vai fortalecer a nossa economia. Agradeço a Funai por essa experiência, com certeza será um aprendizado”, afirma a liderança da aldeia Lapetanha, de Cacoal (RO). 




A presidente da Cooperativa Agropecuária dos Povos Indígenas Haliti-Paresi, Nambikwara e Manoki (Coopihanama), Eliane Zoizocaeroce, agradeceu a iniciativa da Funai em disponibilizar o espaço na AgroBrasília para que os indígenas possam apresentar o trabalho desenvolvido pelas etnias no Mato Grosso. “A gente vê a Funai como uma parceira dos indígenas nessas atividades agrícolas, nós pensamos sempre em crescer, em desenvolver a nossa comunidade economicamente, gerar emprego e renda. A Funai está conosco, disposta a ajudar, e hoje trouxemos um pouco do resultado do nosso trabalho para que a população conheça a nossa realidade”, afirma Eliane.



Para o presidente da Cooperativa de Produção e Desenvolvimento do Povo Indígena Paiter Suruí (Coopaiter) de Cacoal (RO), Naraymi Suruí, a iniciativa da Funai possibilita o acesso a novas experiências. “Queremos aproveitar ao máximo essa oportunidade para conseguir aprender coisas novas e levar para a nossa comunidade essas experiências. Expor os nossos produtos, como o açaí, cacau, castanha e café, é um orgulho e queremos que toda a população possa sentir o gosto das riquezas que temos na Amazônia”, explica Naraymi.



Gerson Waraiwe, da etnia Xavante (MT), afirma que a nova Funai, na gestão do presidente Marcelo Xavier, adotou um olhar diferenciado para os indígenas, apoiando as atividades agrícolas e o trabalho do indígena que quer produzir na sua aldeia. “A Funai hoje está mais próxima de nós, seja na parte técnica ou jurídica, estamos sendo ouvidos. É muito interessante para nós termos esse apoio, a participação dos indígenas na AgroBrasília é exemplo disso”, destaca a liderança Xavante.



 Representando a etnia Kaingang de Santa Catarina, Sirley de Oliveira destacou o orgulho de estar presente pela primeira vez em uma feira agrícola. “A Funai sempre incentiva o nosso artesanato, a nossa agricultura. Fico muito feliz de poder participar do trabalho que a Funai faz junto a nossa comunidade”, afirma Sirley, da Terra Indígena Chapecó, em Santa Catarina.



Liderança da etnia Guajajara, no Maranhão, Ubirajara Júnior ressalta a presença da Funai no dia a dia dos indígenas e cita a evolução do trabalho realizado pela fundação no atual governo. “A Nova Funai deu liberdade e oportunidade para o indígena, sem deixar de orientar. Agora temos um acompanhamento técnico que facilita o nosso trabalho. Estar aqui na AgroBrasília é algo histórico para os indígenas. A Funai abriu as portas e hoje estamos ocupando novos espaços”, pontua Ubirajara, da Terra Indígena Araribóia.



Representando a Cooperativa Agropecuária dos Povos Indígenas Haliti-Paresi, Nambikwara e Manoki (Coopihanama) na AgroBrasília 2022, Kevelen Zokezomaiake afirma que participar de um evento nacional é algo novo e que a iniciativa inédita da Funai vai trazer experiências importantes para os indígenas. “A Coopihanama tem um vínculo bom com a Funai, trabalhamos em parceria, direcionando a cooperativa para sempre tomar a melhor decisão para toda a comunidade. Eu vejo que a Funai está avançando, ela ficou muito tempo estagnada no tempo, mas hoje busca ver o que o índio quer. Se ele quer ficar na sua aldeia, caçando, com a sua roça tradicional, a Funai respeita. Mas se o índio quer trabalhar o turismo, a agricultura, quer produzir, a Funai também está ali, trabalhando junto”, pontua Kevelen.



Para Gilberto Cinta Larga, representante da Cooperativa Extrativista de Castanhas Indígenas (Coocasin) de Ji-Paraná (RO), participar de um evento de agronegócio e apresentar as castanhas produzidas na Terra Indígena Roosevelt é um sonho para toda a comunidade. “Sinto muito orgulho de estar aqui representando a minha etnia Cinta Larga e com a oportunidade de apresentar o nosso trabalho. Graças ao apoio da Funai nós trabalhamos hoje na legalidade, eles nos ajudam no transporte das castanhas e em direcionar a cooperativa para o caminho certo”, afirma Gilberto.



Participação do presidente da Funai

O presidente da Funai, Marcelo Xavier, esteve presente na feira na terça-feira (17). Na ocasião, Xavier percorreu as dependências do espaço da AgroBrasília 2022 e visitou os estandes das etnias participantes, prestigiando os itens produzidos pelos indígenas em aldeias de diferentes regiões do país. Produtores de etnias como Paiter Suruí, Kaingang, Guajajara, Haliti-Paresi, Xavante e Cinta Larga participam do evento. Para o presidente da Funai, a iniciativa é um incentivo da fundação à autonomia das populações indígenas por meio do etnodesenvolvimento e da produção sustentável.


"Temos acompanhado o surgimento e consolidação de inúmeras atividades exitosas, cujo retorno para as comunidades é extremamente relevante. Com total respeito à autonomia dos indígenas, queremos seguir contribuindo para que eles conquistem novos mercados e alcancem independência econômica, sempre com respeito aos usos, costumes e tradições de cada etnia", pontua Xavier, que esteve acompanhado no evento de sua esposa, Jucilene Rodrigues.


O presidente da Funai também prestigiou uma apresentação de dança tradicional Haliti-Paresi e parabenizou todos as etnias pelos trabalhos apresentados, ressaltando que, em toda a história da AgroBrasília, essa é a primeira vez que indígenas participam como expositores. “Essa conquista representa uma enorme quebra de paradigmas, pois mostra que os indígenas querem e podem produzir, sendo perfeitamente possível aliar desenvolvimento econômico sustentável com a manutenção da cultura, levando dignidade e melhores condições de vida às aldeias. E reforço: quem tem que dizer o que verdadeiramente quer para as comunidades são os próprios indígenas”, destacou Xavier.


Durante a feira, os indígenas poderão ainda comercializar seus produtos como café, castanha, farinha de mandioca e itens de artesanato e adereços. Além da exposição, eles terão acesso a palestras, cursos e debates sobre o agronegócio e agricultura familiar, além de poder realizar intercâmbio de conhecimentos e experiências com outros expositores e ficar por dentro das últimas tecnologias desenvolvidas para o campo.



A participação dos indígenas na AgroBrasília 2022 foi viabilizada pela Diretoria de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável (DPDS) da Funai, por meio da Coordenação-Geral de Promoção ao Etnodesenvolvimento, cujo coordenador, Denis Raimundo de Quadros Soares, também compareceu ao evento e acompanhou a exposição dos produtos indígenas.

Etnodesenvolvimento nas aldeias

Nos últimos anos, a Funai investiu aproximadamente R$ 30 milhões em projetos voltados à geração de renda nas aldeias. Os recursos foram destinados para diversas ações que visam a autossuficiência, como a aquisição de materiais de pesca, sementes, mudas, insumos, ferramentas, maquinário agrícola, apoio para o escoamento da produção e realização de cursos de capacitação para os indígenas.

Entre os projetos que contam com o apoio da Funai e que têm apresentado resultados expressivos na transformação da realidade das comunidades indígenas estão a produção de grãos da etnia Paresi no Mato Grosso, a colheita de castanha dos Cinta Larga em Rondônia, a produção de camarão da etnia Potiguara na Paraíba e a produção artesanal dos indígenas Guarani no Sul do país.


Exemplo de produção no Mato Grosso
 
As lavouras cultivadas pelos Haliti-Paresi, Nambikwara e Manoki, no Mato Grosso, ocupam quase 20 mil hectares de um total de 1,3 milhão de hectares – ou seja, apenas 1,7% da área indígena é usada na atividade agrícola. O plantio ocorre em locais já antropizados, sendo um exemplo bem-sucedido de etnodesenvolvimento na Região Centro Oeste. A produção de grãos como soja, milho e feijão movimenta cerca de R$ 140 milhões ao ano.
 

Projeto Independência Indígena
 
Por meio do projeto Independência Indígena, a cooperativa Xavante Cooigraandesan busca incentivar a produção sustentável em comunidades indígenas do Mato Grosso. Nas diversas ações, o projeto disponibiliza ferramentas e maquinários utilizados no plantio e colheita do arroz, bem como promove a capacitação de indígenas na operação de tratores e práticas de cultivo, beneficiando 57 aldeias.

Na última safra, os indígenas colheram cerca de 50 hectares de arroz. A intenção é plantar também, num futuro próximo, soja e milho em uma pequena área da Terra Indígena. O projeto Independência Indígena é uma parceria entre diferentes instituições como a Funai, o Governo do Mato Grosso, o Sindicato Rural de Primavera do Leste e a Cooigrandesan, e conta com o apoio de dezenas de caciques da região.


 
Produção de café e castanha se consolida em Rondônia
 
A produção de café se consolidou com uma das principais atividades produtivas das comunidades indígenas em Rondônia. Desde 2018 a produção de café indígena é vendida para o grupo 3Corações, por meio de acordo que prevê o aumento da produtividade com foco na qualidade do café especial sustentável. A unidade descentralizada da Funai em Cacoal apoia os cafeicultores indígenas ainda por meio da logística do transporte da produção e o fornecimento de materiais como sacarias, lonas e peneiras utilizados na colheita do grão.

Além do café, a coleta e o beneficiamento da castanha-da-Amazônia geram emprego para cerca de 280 famílias indígenas que garantem sua renda com a comercialização do produto para os estados de São Paulo, Santa Catarina e Goiás, além dos municípios de Rondônia.


 
Sobre a AgroBrasília
 
A AgroBrasília é uma feira de tecnologia e negócios voltada para empreendedores rurais de diversos portes e segmentos. Realizada pela Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (COOPA-DF), serve como vitrine de novas tecnologias para o agronegócio e tem um cenário de referência em debates, palestras e cursos sobre diversos temas relacionados ao próprio setor produtivo. A 14° AgroBrasília ocorre de 17 a 21 de maio, com expectativa de receber de 90 a 120 mil visitantes nos cinco dias de programação da Feira. Confira a programação completa aqui.


Assessoria de Comunicação/Funai

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