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02/05/22 às 08:13 / Atualizada: 02/05/22 às 08:23

Acidentes com mortes de paraquedistas são raros, diz CBPq

Por mês, são realizados cerca de 30 mil saltos no Centro de Paraquedismo de Boituva

Virginia Kleinhappel Valio

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Acidentes com mortes de paraquedistas são raros, diz CBPq

Confederação Brasileira de Paraquedismo destaca que mortes são exceções diante da quantidade de saltos por mês: 30 mil.

Foto: SECOM/BOITUVA

O acidente com a paraquedista do Exército Bruna Ploner, de 33 anos, ocorrido no último domingo (24), em Boituva, foi o primeiro acidente do ano e não pode ser considerado algo frequente no paraquedismo. É o que defende o presidente da Confederação Brasileira de Paraquedismo (CBPq), Uellinton Mendes de Jesus. Como ele destaca, embora tenham acontecido acidentes fatais nos últimos anos, como em 2020, quando três deles foram registrados em um período de três meses, se comparado ao número total de saltos no mês na cidade, de 30 mil, o número não reflete falta de segurança, mesmo sendo considerado um esporte de risco. Ao contrário, os números de saltos, que não culminaram em acidentes, segue sendo maioria.

Em 24 de abril de 2021, um paraquedista sofreu acidente após saltar de um balão, em Boituva. Segundo colegas que saltaram junto ao atleta, ele fraturou a perna. No dia 27 do mesmo mês, após rodopiar no ar, uma aluna fez um pouso forçado no telhado de uma casa do bairro Cidade Jardim, em Sorocaba. Conforme relatos de pessoas que presenciaram a cena, a paraquedista teve apenas ferimentos leves.

Na maior parte dos casos que resultaram em mortes, os praticantes do esporte tinham uma vasta experiência em saltos, com centenas ou milhares de saltos. É o caso do aspirante e oficial do Exército, Felipe Carlos dos Reis, de 26 anos, que morreu durante um salto em Boituva, em 5 de dezembro de 2020. Ele havia se formado na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) cinco dias antes do acidente e era considerado um atleta experiente, instrutor e com mais de mil saltos. De acordo com a Polícia Civil, durante o salto, houve um problema com o paraquedas principal de Felipe, que acionou o reserva, mas por conta da velocidade acelerada e descontrolada, a queda não foi amortecida.

Ainda em 2020, em 13 de novembro, o soldado aposentado João Marcelino Manassi, de 65 anos, morreu após cair em um pasto durante um pouso mal sucedido. Um mês antes, em 25 de outubro, o paraquedista Leandro Torelli, de 33 anos, perdeu a vida ao realizar uma manobra considerada arriscada no esporte, uma curva brusca em baixa altitude, que diminuiu a pressão no paraquedas e causou a fatalidade.

Em 8 de dezembro de 2019, o paraquedista Bruno Martarello Bon, de 36 anos, morreu após cair no km 115 da rodovia Castelo Branco, em Boituva e ser atingido por um caminhão. No ano anterior, em 19 de agosto, Diego Camargo Martins, de 37 anos, também perdeu a vida ao cair na Castelo Branco. O paraquedista não bateu em nenhum veículo, chegou a ser socorrido e levado ao hospital, mas não resistiu.

“Somos rígidos com a segurança”

Uellinton Mendes de Jesus, presidente da Confederação Brasileira de Paraquedismo explica que o paraquedista está sujeito ao risco “assim como um ciclista ou um piloto de Fórmula 1 estão sujeitos ao risco também”. “Seguimos normas mundiais e a grande maioria são paraquedistas experientes”, ressalta.

Por mês, são realizados cerca de 30 mil saltos no Centro de Paraquedismo de Boituva, sendo sábado o dia de maior movimento. Em relação à segurança, o presidente explica que os paraquedistas são instruídos a seguir e respeitar sua progressão e não pular etapas. “Temos também um grupo que verifica o equipamento dos paraquedistas que saltam com equipamentos próprios. O equipamento deve ser aberto e verificado”.

Os paraquedas usados pelos mais experientes são considerados de alta perfomance. “Seguimos a lei nº 9.615, de 24 de março de 1998 e suas atualizações. A Confederação tem um código esportivo muito bem elaborado e cheio de normas, são as nossas regras de segurança. Não somos inconsequentes ou loucos. Adoramos adrenalina, mas com muita responsabilidade. Somos rígidos com a segurança”, destaca o presidente da CBPq.

A Confederação Brasileira de Paraquedismo recomenda que os paraquedistas que desejam utilizar velames de alta performance, que sigam estritamente as recomendações dos fabricantes de equipamentos e do Código Esportivo da Confederação. Lembra também a importância de avaliar sempre o próprio estado físico e mental. O salto de paraquedas exige tanto do corpo, quanto da mente, para realizar manobras e procedimentos, portanto, o atleta deve sempre cuidar da sua saúde física e do seu equilíbrio mental. “Qualquer sinal de alerta do corpo ou mente, é imperativo permanecer em solo. Temos a vida inteira para saltar”, afirma. (Virgínia Kleinhappel Valio)

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