Artigos / Juacy da Silva

12/12/25 às 11:13

FERROVIA ATÉ CUIABÁ E REGIÃO OESTE DE MATO GROSSO

Diante dos desafios socioambientais, principalmente da crise climática, não tem mais sentido o Brasil continuar incentivando o rodoviarismo, o uso de combustíveis fósseis (petróle e derivados, gás natural e carvão) responsáveis por mais de 75% das emissões de gases de efeito estufa, degradam o meio ambiente, polui o ar, afeta a saúde humana, onera os custos do transporte e logísticos, tanto de cargas quanto de passageiros, tornando a economia nacional e regional menos competitiva em relação ao restante do mundo, que há muito tempo tem substituido o modal rodoviário, obsoleto e anti-econômico por outtros modais mais modernos, sustentáveis e  mais eficientes, onde, as ferrovias e veiculos urbanos sobre trilhos, elétricos estão cada vez mais presentes no mundo inteiro, conntribuido para uma justa transição energética.

Pouca gente em Cuiabá, na Baixada Cuiabana e Região Oeste do Estado, sabe que a tão sonhada Ferrovia Senador Vuolo, como estão nos planos e ações da concessionária e de boa parte das lideranças políticas, econômicas e sociais de Mato Grosso não chegará a Cuiabá e Região Oeste de nosso Estado, a não ser que a população lute pela mesma.

Os interesses tanto da Concessionária quanto de muitos líderes políticos, sociais e econômicos são outros e não contemplam o desenvolvimento e a pujança de nossa Capital e das regiões mencionadas anteriormente. O sonho dessas lideranças e fortalecer as regiões norte e Leste do Estado,  visando a divisão de Mato Grosso futuramente. Por isso, da mesma forma que aconteceu com Mato Grosso do Sul, a construção de uma base sólida de innfra-estrutura faz parte deste jogo estratégico.

Estrannho, no caso dos politicos, é que inúmeros dos mesmos tem recebido votação significativa, tanto em Cuiabá, quanto Várzea Grande, Baixada Cuiabana e Região Oeste de Mato Grosso, o maior colégio eleitoral do Estado, é o fato de que essas “figuras ilustres”, da mesma forma que o empresariado Cuiabano e regional também  não tem se epenhado para que a Ferrovia chegue a Cuiabá e também em Cáceres e todas a Região Oeste do Estado.

Se isto acontecer, estaremos fadados a fazer parte de mais  um “vale dos esquecidos” em Mato Grosso,  como já acontece com alguns municípios e regiões do Estado, onde a pobreza e a falta de dinamismo econômico é a característica marcante.

Interessante é que o Plano Diretor de Desenvolvimento Estratégico de Cuiabá, aprovado pela Câmara Municipal e Sancionada pelo então Prefeito Wilson Santos (hoje deputado estadual -PSD), do qual fui Coordenador Geral `a época, transformado na Lei Complementar 150, de 29 de Janeiro de 2007, prestes a completar 19 anos, ainda em vigor, elaborado de forma participativa e democrática, procurou colocar Cuiabá no contexto de sua influência micro e macro regional (estadual), como capital do Estado e sede dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado e também como séde de todos os organismos federais existentes em Mato Grosso e de um empresariado pujante.

Além disso, destacava na época a importância econômica tanto do maior aglomerado urbano constituido por Cuiabá e Várzea Grande e, posteriormente a Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá, ao incluir além da Capital e de Várzea Grande, também os Municípios de Jangada, Nossa Sra do Livramento e Santo Antônio do Leverger, o que aumenta a importância econômica, política e social desta região, não como mais um “vale dos esquecidos”, como querem alguns, mas sim, como uma macro região de importância estratégica tanto para o desenvolvimento de Mato Grosso quanto do ponto de vista estratégico nacional, seja em relação aos Biomas PANTANAL e CERRADO e também quanto `a Integração Sul Americana, com o Norte da Argentina, o Paraguai e a Bolívia e mais uma alternativa de “saída” para o Pacífico, onde estão as econômias mais dinâmica da atualidade mundial e com quem o Brasil mantém um importante comércio internacional.

O Artigo 6º do citado Plano Diretor estabelece que “A estratégia de valorização de Cuiabá como polo regional de desenvolvimento tem  como objetivo geral orientar as ações do governo e dos dierentes agentes da sociedade para a promoção  do DESENVOLVIMENTO SUSTENÁVEL e INTEGRADO DA REGIÃO”.

Dentro desta perspectiva e dimensão estratégica, o artigo 9º da Lei do Plano Diretor de Cuiabá inclui diversas diretrizes gerais e inúmerasdiretrizes setoriais ou específicas e, inclusive, cria o Sistema Municipal de Planejamento,para que as ações do governo municipal estejam integradas e articuladas com as ações dos Governos Estadual e Federal, bem como da iniciativa privada, em todos os setores: econômico, social, ambiental/ecológico e político, racionalizando e maximizando a aplicação dos recursos, principalmente dos recursos orçamentários (públicos) e também ser a bússula que orienta os investimentos  e as ações dos diversos setores,principalmente do empresariado e também da sociedade civil organizada.

Vejamos o que estabelece o Artigo 9º do Plano Diretor de Cuiabá “Constituem diretrizes gerais do desenvolvimento estratégico do Município, cabendo `a Prefeitura Municipal de Cuiabá: I...II...VII “promover ações que garantam o suprimento energético necessário ao incremento dos parques industriais, o aproveitamento hidroviário da Bacia do Rio Cuiabá, a construção da ferrovia até Cuiabá e a prestação dos serviços e dos domicílios do Município”

Ao todo são 31 Diretrizes Gerais e mais de 200 Diretrizes Específicas para servirem de base tanto para sucessivos PPAs (Plano Plurianual), LDOs (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e LOAs (Lei Orçamentária Anual), que já foram “elaboradas” ao longo desses quase 20 anos, desde que o Plano Diretor de Desenvolvimento Estratégico foi aprovado, sancionado, ttransformado em uma Lei Complementar, mas, lamentavelmente, pouco ou quase nada foi seguido e observado por sucessivas gestões municipais, que sempre fazem da improvização, do imediatismo , do voluntarismo e da descontinuidade de ações governamentais e a total falta de integração de ações entre as diferentes instâncias governamentais e, dessas, com a iniciativa privada e as organização não governamentais.
Diante disso, podemos concluir, sem sombra de dúvida que ao “deixarem de lado” a racionalidade do planejamento como instrumento fundamental na definição e implementação de políticas públicas de médio e longo prazos, nossos governantes são responsáveis direta ou indiretamente pelos problemas, enfim, pelo caos em que está Cuiabá e toda a região de seu entorno, a Baixada Cuiabana, tem enfrentado e conntinua enfrentando, em todas as dimensões e setores.

Em boa hora coube a Universidade Federal de Mato Grosso, nossa UFMT, criar um Grupo de Trabalho integrado por docentes de diferentes áreas para colaborar com esta luta e elaborar um estudo técnico, bem fundamentado que deverá servir de base para que esta obra vital e estratégica tanto para Cuiabá, para a Baixada Cuiabana, para o Pantanal, para Cáceres e Região Oeste de Mato Grosso e também para o Brasil, em sua estratégia de integração Sul Americana, seja incluida no PAC e demais programas do Governo Federal e possa assim, corrigir esta distorção e evitar que um verdadeiro crime seja cometido contra o verdadeiro polo dinâmico de nosso Estado.

Esta região do Estado, que não pode ser marginalizada e “esquecida” como desejam algumas pessoas e grupos econômicos que buscam uma hegemonia política e econômica do Estado, precisa de muita mobilização para que a Ferrovia chegue a Cuiabá, Cáceres e toda a Região Oeste de nosso Estado.

Oxalá nossos representantes na Assembléia Legislativa, nas Câmaras Municipais e prefeituras dessa região, bem como do Executivo Estadual, empresariado e lideranças em geral nesta região acordem desta letargia, omissão e participem da luta em pról da Ferrovia e de um grande programa de desenvolvimento regional, que será um divisor de águas tanto em relação ao transporte de cargas quanto de passageiros no âmbito regional principalmente.
Juacy da Silva

Juacy da Silva

Juacy da Silva é professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, ambientalista e articulador da Pastoral da Ecologia integral Região Centro Oeste. Email: profjuacy@yahoo.com.br | Instagram: @profjuacy
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