Diante dos desafios socioambientais, principalmente da crise climática, não tem mais sentido o Brasil continuar incentivando o rodoviarismo, o uso de combustíveis fósseis (petróle e derivados, gás natural e carvão) responsáveis por mais de 75% das emissões de gases de efeito estufa, degradam o meio ambiente, polui o ar, afeta a saúde humana, onera os custos do transporte e logísticos, tanto de cargas quanto de passageiros, tornando a economia nacional e regional menos competitiva em relação ao restante do mundo, que há muito tempo tem substituido o modal rodoviário, obsoleto e anti-econômico por outtros modais mais modernos, sustentáveis e mais eficientes, onde, as ferrovias e veiculos urbanos sobre trilhos, elétricos estão cada vez mais presentes no mundo inteiro, conntribuido para uma justa transição energética.
Pouca gente em Cuiabá, na Baixada Cuiabana e Região Oeste do Estado, sabe que a tão sonhada Ferrovia Senador Vuolo, como estão nos planos e ações da concessionária e de boa parte das lideranças políticas, econômicas e sociais de Mato Grosso não chegará a Cuiabá e Região Oeste de nosso Estado, a não ser que a população lute pela mesma.
Os interesses tanto da Concessionária quanto de muitos líderes políticos, sociais e econômicos são outros e não contemplam o desenvolvimento e a pujança de nossa Capital e das regiões mencionadas anteriormente. O sonho dessas lideranças e fortalecer as regiões norte e Leste do Estado, visando a divisão de Mato Grosso futuramente. Por isso, da mesma forma que aconteceu com Mato Grosso do Sul, a construção de uma base sólida de innfra-estrutura faz parte deste jogo estratégico.
Estrannho, no caso dos politicos, é que inúmeros dos mesmos tem recebido votação significativa, tanto em Cuiabá, quanto Várzea Grande, Baixada Cuiabana e Região Oeste de Mato Grosso, o maior colégio eleitoral do Estado, é o fato de que essas “figuras ilustres”, da mesma forma que o empresariado Cuiabano e regional também não tem se epenhado para que a Ferrovia chegue a Cuiabá e também em Cáceres e todas a Região Oeste do Estado.
Se isto acontecer, estaremos fadados a fazer parte de mais um “vale dos esquecidos” em Mato Grosso, como já acontece com alguns municípios e regiões do Estado, onde a pobreza e a falta de dinamismo econômico é a característica marcante.
Interessante é que o Plano Diretor de Desenvolvimento Estratégico de Cuiabá, aprovado pela Câmara Municipal e Sancionada pelo então Prefeito Wilson Santos (hoje deputado estadual -PSD), do qual fui Coordenador Geral `a época, transformado na Lei Complementar 150, de 29 de Janeiro de 2007, prestes a completar 19 anos, ainda em vigor, elaborado de forma participativa e democrática, procurou colocar Cuiabá no contexto de sua influência micro e macro regional (estadual), como capital do Estado e sede dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado e também como séde de todos os organismos federais existentes em Mato Grosso e de um empresariado pujante.
Além disso, destacava na época a importância econômica tanto do maior aglomerado urbano constituido por Cuiabá e Várzea Grande e, posteriormente a Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá, ao incluir além da Capital e de Várzea Grande, também os Municípios de Jangada, Nossa Sra do Livramento e Santo Antônio do Leverger, o que aumenta a importância econômica, política e social desta região, não como mais um “vale dos esquecidos”, como querem alguns, mas sim, como uma macro região de importância estratégica tanto para o desenvolvimento de Mato Grosso quanto do ponto de vista estratégico nacional, seja em relação aos Biomas PANTANAL e CERRADO e também quanto `a Integração Sul Americana, com o Norte da Argentina, o Paraguai e a Bolívia e mais uma alternativa de “saída” para o Pacífico, onde estão as econômias mais dinâmica da atualidade mundial e com quem o Brasil mantém um importante comércio internacional.
O Artigo 6º do citado Plano Diretor estabelece que “A estratégia de valorização de Cuiabá como polo regional de desenvolvimento tem como objetivo geral orientar as ações do governo e dos dierentes agentes da sociedade para a promoção do DESENVOLVIMENTO SUSTENÁVEL e INTEGRADO DA REGIÃO”.
Dentro desta perspectiva e dimensão estratégica, o artigo 9º da Lei do Plano Diretor de Cuiabá inclui diversas diretrizes gerais e inúmerasdiretrizes setoriais ou específicas e, inclusive, cria o Sistema Municipal de Planejamento,para que as ações do governo municipal estejam integradas e articuladas com as ações dos Governos Estadual e Federal, bem como da iniciativa privada, em todos os setores: econômico, social, ambiental/ecológico e político, racionalizando e maximizando a aplicação dos recursos, principalmente dos recursos orçamentários (públicos) e também ser a bússula que orienta os investimentos e as ações dos diversos setores,principalmente do empresariado e também da sociedade civil organizada.
Vejamos o que estabelece o Artigo 9º do Plano Diretor de Cuiabá “Constituem diretrizes gerais do desenvolvimento estratégico do Município, cabendo `a Prefeitura Municipal de Cuiabá: I...II...VII “promover ações que garantam o suprimento energético necessário ao incremento dos parques industriais, o aproveitamento hidroviário da Bacia do Rio Cuiabá, a construção da ferrovia até Cuiabá e a prestação dos serviços e dos domicílios do Município”
Ao todo são 31 Diretrizes Gerais e mais de 200 Diretrizes Específicas para servirem de base tanto para sucessivos PPAs (Plano Plurianual), LDOs (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e LOAs (Lei Orçamentária Anual), que já foram “elaboradas” ao longo desses quase 20 anos, desde que o Plano Diretor de Desenvolvimento Estratégico foi aprovado, sancionado, ttransformado em uma Lei Complementar, mas, lamentavelmente, pouco ou quase nada foi seguido e observado por sucessivas gestões municipais, que sempre fazem da improvização, do imediatismo , do voluntarismo e da descontinuidade de ações governamentais e a total falta de integração de ações entre as diferentes instâncias governamentais e, dessas, com a iniciativa privada e as organização não governamentais.
Diante disso, podemos concluir, sem sombra de dúvida que ao “deixarem de lado” a racionalidade do planejamento como instrumento fundamental na definição e implementação de políticas públicas de médio e longo prazos, nossos governantes são responsáveis direta ou indiretamente pelos problemas, enfim, pelo caos em que está Cuiabá e toda a região de seu entorno, a Baixada Cuiabana, tem enfrentado e conntinua enfrentando, em todas as dimensões e setores.
Em boa hora coube a Universidade Federal de Mato Grosso, nossa UFMT, criar um Grupo de Trabalho integrado por docentes de diferentes áreas para colaborar com esta luta e elaborar um estudo técnico, bem fundamentado que deverá servir de base para que esta obra vital e estratégica tanto para Cuiabá, para a Baixada Cuiabana, para o Pantanal, para Cáceres e Região Oeste de Mato Grosso e também para o Brasil, em sua estratégia de integração Sul Americana, seja incluida no PAC e demais programas do Governo Federal e possa assim, corrigir esta distorção e evitar que um verdadeiro crime seja cometido contra o verdadeiro polo dinâmico de nosso Estado.
Esta região do Estado, que não pode ser marginalizada e “esquecida” como desejam algumas pessoas e grupos econômicos que buscam uma hegemonia política e econômica do Estado, precisa de muita mobilização para que a Ferrovia chegue a Cuiabá, Cáceres e toda a Região Oeste de nosso Estado.
Oxalá nossos representantes na Assembléia Legislativa, nas Câmaras Municipais e prefeituras dessa região, bem como do Executivo Estadual, empresariado e lideranças em geral nesta região acordem desta letargia, omissão e participem da luta em pról da Ferrovia e de um grande programa de desenvolvimento regional, que será um divisor de águas tanto em relação ao transporte de cargas quanto de passageiros no âmbito regional principalmente.