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02/02/17 às 07:52 / Atualizada: 02/02/17 às 08:20

Direito de resposta - Índios do Xingu saem em defesa do enredo da Imperatriz

João Paulo Saconi, Sambarrazo

Edição para Água Boa News, Clodoeste Kassu

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Direito de resposta - Índios do Xingu saem em defesa do enredo da Imperatriz

Índios da etnia Kamayurá, que fazem parte do Parque Indígena do Xingu, divulgaram foto em apoio à Imperatriz

Foto: Reprodução/Facebook

Protagonistas do tema que a Imperatriz Leopoldinense vai levar para a Sapucaí neste Carnaval, os índios do Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, querem mostrar que também têm voz. Diante das críticas feitas ao enredo da escola por inúmeras associações de empresários do agronegócio, os “donos da terra” se manifestam e dividem com os leitores do Sambarazzo as impressões que tiveram desde que a verde e branco anunciou a homenagem aos 16 povos que habitam a região.

A jovem Amanda Rudarte Kamayurá, de 20 anos, saiu do Xingu para estudar em Goiânia, onde está prestando vestibular para tentar uma vaga no curso de odontologia. Para a indígena, apoiar a Imperatriz é dar suporte à luta das pessoas que vivem no lugar de onde ela saiu para correr atrás de um sonho.

– A gente esperava (as críticas do agronegócio), mas não de uma maneira tão forte. Eles querem caçar os indígenas, logo agora que a escola está nos dando oportunidade de expor o que vivemos. Ao redor do parque, há fazendas pelas quais passamos para entrar e sair da nossa área e, nesse percurso, sofremos até ameaças de morte. Estou acompanhando a Imperatriz e apoiando o desfile – diz Amanda.


Amanda Kamayurá vai desfilar pela Imperatriz e já até visitou o barracão da escola na Cidade do Samba, Zona Portuária do Rio de Janeiro, para conhecer melhor o projeto | Foto: Divulgação
 
Índios souberam de polêmica através da internet

Anaya Suya tem 23 anos e quer ser médica. Está passando pelo segundo processo seletivo para uma faculdade de medicina e também reside em Goiânia. Ela relata que as críticas ao enredo viraram pauta dentro das aldeias xinguanas:

– Há internet nas aldeias e quem mora lá está sempre ligado. Temos, inclusive, um grupo no WhatsApp e as críticas ao enredo foram comentadas lá. Vimos publicações que dizem que o índio é preguiçoso por depender da ajuda do governo. Também teve uma apresentadora de TV que foi bem ofensiva (veja o vídeo). É muito importante mostrarmos o Xingu para o mundo, além das consequências do desmatamento, da poluição e do uso de agrotóxicos.


Anaya Suya, Leandro Gabriel Ramirez, Amanda Kamayurá e Elismar Xavante se inspiram na coragem dos ancestrais indígenas para sair em defesa do enredo da Imperatriz | Foto: Divulgação
 
“A Imperatriz mexeu num vespeiro”, diz sertanista

Há quase cinquenta anos, a sertanista Eunice Cariry dedica a própria vida para cuidar de nativos adoentados. Aos 81 anos de idade, é gestora da Casa do Índio da Ilha do Governador e presta assistência diária aos 21 internos da instituição.

Responsável por guiar o carnavalesco Cahê Rodrigues na expedição que ele fez pelo Xingu, a ativista vai ganhar uma homenagem no desfile que classifica como a salvação dos indígenas.

– O Cahê acertou na mosca. A Imperatriz mexeu num vespeiro. Os índios precisavam de uma defesa desse tipo. Na hora em que vi o enredo, pensei: ‘Os índios estão salvos’. Não só os do Xingu, mas todos os que estão espalhados por esse Brasil todinho. Esse tema foi encaminhado por Deus e vai beneficiar a todos – afirma Cariry, que adora samba e já viveu a experiência de participar da ala de baianas da União da Ilha.

 

Indígenas do Xingu posam ao lado de Eunice Cariry e de Tony Paixão, pesquisador e facilitador do xamanismo (cultura que envolve a filosofia e a religião indígena, focada na figura de um xamã, chamado geralmente de pajé) | Foto: Divulgação
 
Carnavalesco ficou feliz com demonstrações de apoio

Tanto a foto produzida pelos índios Kamayurás quanto os elogios feitos por Eunice Cariry foram recebidos com alegria por Cahê Rodrigues. O artista realiza no próximo sábado, 4, um evento beneficente em prol da Casa do Índio, onde se emocionou ao fazer uma visita em novembro do ano passado. A iniciativa conta com o apoio das beldades Cris Vianna e Luiza Brunet, madrinhas da primeira edição do “Amigos do Cahê”.

– Estou muito feliz com a manifestação positiva dos povos do Xingu. Essa foto que está circulando com o povo Kamayurá é um exemplo de como eles estão apoiando o Carnaval da escola, como estão felizes com a homenagem. Fico feliz de ver essa reação positiva após essa onda de ataques recentes que a escola sofreu após um mal entendido por parte dos segmentos do agronegócio. Só tenho que agradecer o carinho de todos os povos com o trabalho que está sendo feito na escola – afirma o carnavalesco.



Cahê Rodrigues promove um evento beneficente em prol da Casa do Índio neste sábado, 4, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Luiza Brunet, musa da Imperatriz, e Cris Vianna, rainha de bateria da escola, apoiam a causa |

Fotos: Divulgação/Alê de Souza

Assista ao vídeo dos índios do Xingu cantando o samba da Imperatriz!

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comentar2 comentários

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  • por Vinicius Baldo, em 03/02/17 às 06:25

    Só uma observação: as críticas e o repudio foram feitas para a escola de samba e não aos indígenas! Tem muita asneira dita aí! Quem conhece a região sabe do que estou falando!! Essa lorota aí de que já foram ameaçados de morte por exemplo, isso quem costuma fazer são os indígenas e não o branco como essa moça disse aí na reportagem! Enfim, A RESERVA DO XINGU ESTÁ INTACTA!! Fora dela cada um fazer o que a lei permite, cria gado, planta soja, faz reflorestamento e etc.

  • por Agricultura em primeira mão, em 02/02/17 às 10:01

    ridiculo Entao quem apoia vai morar la no mato, defenda seus direitos. parem de comer bber e se vestir pois sao tdo derivados da agricultura.

 
 

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