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01/01/17 às 08:05

ADEUS, 2016 - Recordes positivos e negativos à soja

Perdas no campo, alta no custo de produção e valorização histórica da saca no mercado interno: ano de altos e baixos à oleaginosa mato-grossense

Marianna Peres da editoria Diário de Cuiabá

Edição para Água Boa News, Clodoeste Kassu

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ADEUS, 2016 - Recordes positivos e negativos à soja

Foto: Canal Rural

Do ponto de vista da produção, diretamente ligada ao campo, o ano de 2016, poderia bem ser esquecido pelo sojicultor mato-grossense, já que os resultados ‘colhidos’ não trouxeram nenhum resultado positivo, ou mesmo, animador. A salvação, literal da lavoura, veio dos preços, principalmente, da metade do ano em diante, quando o dólar elevado, incrementou o valor da saca no mercado interno e proporcionou bons momentos de vendas. Na retrospectiva da soja mato-grossense, o ponto positivo foi justamente o preço, que descolou das médias observadas tanto em Chicago quanto no resto do país. Já o ponto negativo esteve centrado nas perdas decorrentes da seca intensa e no alto custo de produção.

Conforme balanço realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Mato Grosso, o maior produtor de grãos do país, encerra o ano de 2016 com alguns resultados positivos, outros nem tanto quando se trata da sojicultura. “O Estado registrou o menor crescimento de área dos últimos cinco anos, com 9,3 milhões de hectares cultivados em MT na safra passada. Do ponto de vista produtivo, o resultado foi desanimador, com média de 49,78 sacas por hectare (sc/ha), sendo esta, a menor produtividade desde 2009. Como consequência, a produção veio abaixo do aguardado, fechando o período em 27,8 milhões de toneladas, o que refletiu sobre a demanda, principalmente para o esmagamento”, resumem os analistas do órgão.

Avaliando outros aspectos, “já que nem todos os resultados foram negativos”, a soja mato-grossense registrou em junho as maiores médias nominais de preços da história estadual, valores estimulados pela oferta interna restrita, pela demanda elevada, e também pela alta de Chicago e do dólar no meio do ano. “No balanço anual, o preço mais elevado que nas safras passadas foi contrabalanceado pelo custo produtivo total, que apresentou patamar inédito de R$ 2.958/ha”. Ao analistas pontuam ainda que “passando a régua, pontos positivos e negativos pesaram sobre o bolso do produtor em 2016”. Do lado positivo, o aumento do escoamento, em 8 pontos percentuais (p.p.), pelos portos do Norte do país na safra de soja em 2016, mostraram novos caminhos e de alguma forma baratearam o custo do escoamento da safra e patamares inéditos das cotações internas trouxeram oportunidades.

Do lado negativo, a alta dos custos produtivos e recuo da produtividade elevaram o risco da safra. O preço da soja em Mato Grosso encerrou 2016 com forte valorização de 19,49% e média anual de R$ 68,55/sc. Isso se deve, principalmente, devido à quebra de safra no Estado, aliada a uma demanda aquecida pelo grão mato-grossense.

PERSPECTIVAS - As lavouras da nova safra no Estado estão com bom desenvolvimento e com clima favorável para a cultura apontando bons rendimentos a campo. Diante das expectativas positivas, o Imea projeta uma produção de 30,5 milhões de toneladas na safra 2016/17 que, se confirmada, consagrará como recorde do maior Estado produtor de soja do país.

No cenário mundial, há uma queda de braço entre a grande oferta mundial aguardada para 2017, que parte dela já está consolidada com a produção recorde dos Estados Unidos versus a demanda agressiva, sobretudo pela China. Ainda assim, com estoques mundiais elevados, a tendência baixista paira sobre o mercado da soja. “Com as incertezas em torno da movimentação do dólar no próximo ano, 2016 encerra com expectativa de preço interno da soja para março/17 próximo a R$ 64/sc, sendo maior que no ano passado. Apesar disso, o custo de produção total atinge novo patamar inédito na temporada 2016/17 em Mato Grosso, de R$ 3.572/ha, aumentando os riscos da nova safra. Ainda assim, as expectativas para 2017 são boas, sobretudo para a produção, e também à logística, com os portos do Arco Norte trazendo boas alternativas para o escoamento do norte do Estado, podendo refletir sobre a competitividade da soja mato-grossense no cenário mundial”.
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