Notícias / Meio Ambiente

22/12/16 às 08:52 / Atualizada: 22/12/16 às 09:03

Ibama flagra exploração de diamantes e madeira em terras indígenas em MT

Operação ocorreu na semana passada em duas terras indígenas. Fiscais apreenderam maquinários, caminhões, motos e veículos.

Do G1 MT

Edição para Água Boa News, Clodoeste Kassu

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Ibama flagra exploração de diamantes e madeira em terras indígenas em MT

Operação ocorreu na semana passada em duas terras indígenas entre Mato Grosso e Rondônia

Foto: Reprodução/TVCA

Atividades ilegais de mineração e exploração de madeira dentro de duas reservas indígenas, na região noroeste de Mato Grosso, foram flagradas por fiscais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente em Mato Grosso (Ibama-MT). Uma operação, feita na semana passada, encontrou materiais usados na extração, caminhões, motocicletas e caminhonetes.

Um grupo de pessoas que trabalhava irregularmente no local conseguiu fugir com a chegada dos fiscais do órgão ambiental. O flagrante ocorreu na região da Reserva Aripuanã e da Terra Indígena Sete de Setembro, localizadas entre Mato Grosso e Rondônia. As reservas têm 750 mil hectares e 248 mil hectares, respectivamente.
 
Ibama flagrou exploração de diamantes e madeira em terras indígenas em MT (Foto: Reprodução/TVCA)Ibama flagrou exploração de diamantes e madeira em terras indígenas em MT
(Foto: Reprodução/TVCA)

 
São 30 hectares de garimpo na Terra Indígena Aripuanã e mais 10 hectares na Terra Indígena Sete de Setembro.

Quando os fiscais do Ibama e a Polícia Federal chegaram os garimpeiros fugiram deixando pra trás todos os equipamentos usados na extração de diamantes. Qualquer tipo de atividade desenvolvida por não índios dentro das reservas é proibida por lei.

A legislação também autoriza a queima e destruição de todo o material usado na prática deste crime ambiental que representa também um risco para a população que vive na região por causa do uso do mercúrio.

O doutor em microbiologia agrícola da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Marcos Soares, explica que o mercúrio é capaz de causar mortandade de animais, dependendo da quantidade e concentração dele em água e em solo. E, se não matar plantas e animais, ele pode chegar se acumular no corpo desses organismos vivos.

“Para o homem é diretamente tóxico, sobretudo para o sistema nervoso central. Ele pode causar doenças degenerativas a longo prazo, problemas de memória, problemas cognitivos, inclusive durante o exame em mulheres grávidas. O homem é atingido indiretamente se alimentando de animais e plantas que acumularam mercúrio nos seus corpos”, explicou.

Dentro da mata, a fiscalização flagrou mais um crime: roubo de madeira em terra indígena. Em um dos caminhões carregado de madeira retirada ilegalmente, os agentes encontraram uma guia de transporte de toras em nome de um fazendeiro. Ele tem uma propriedade ao lado da reserva e, segundo o Ibama, há indícios de que ele usava a guia para esquentar a madeira retirada da terra indígena.

“O proprietário do plano de manejo ele recebe autorização para explorar madeira específica dentro da propriedade dele. No entanto, ele utilizou esses créditos para explorar madeira, produto florestal dentro da terra indígena fora da área dele”, explicou a superintendente do Ibama-MT, Lívia Martins.

O fazendeiro vai responder a um processo administrativo e será cobrado R$ 300 por metro cúbico de madeira explorada numa área irregular dentro da terra indígena. Além da multa, ele também vai ter a obrigação de fazer a recuperação do dano na área onde houve a exploração irregular que é dentro da terra indígena.

Além das punições administrativas o fazendeiro será indiciado pelos crimes de fraude, declaração falsa no sistema de plano de manejo e exploração ilegal de madeira. Em relação ao garimpo, a Polícia Federal vai ouvir os indígenas e moradores.

Ver vídeo da reportagem AQUI

 
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