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18/12/16 às 10:00

Fronteira fechada deixa brasileiras sem poder sair da Venezuela

Brasileiras de Roraima e do Amazonas estão há dez dias na Venezuela. Itamaraty diz que é feito articulação para brasileiros retornarem ao Brasil.

Marcelo Marques e Valéria Oliveira Do G1 RR

Edição para Água Boa News, Clodoeste Kassu

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Fronteira fechada deixa brasileiras sem poder sair da Venezuela

Brasileiras temem faltar comida no apartamento onde elas estão (Foto: Márcia Cristina Medeiros/Arquivo pessoal) Brasileiras temem faltar comida no apartamento onde elas estão

Foto: Márcia Cristina Medeiros/Arquivo pessoal

Brasileiras que estão na Venezuela relataram ao G1 neste sábado (17) a tensão e as dificuldades em retornar para Roraima após o presidente do país, Nicolás Maduro, prorrogar fechamento da fronteira com o Brasil por mais 72 horas.

O Governo de Roraima disponibilizou o telefone (95) 99146 9977 para que brasileiros façam pedidos de ajuda. O Itamaraty  busca solução para o caso dos brasileiros que desejem retornar ao país.

A esteticista Márcia Cristina Medeiros, de 37 anos, que mora em Boa Vista, foi para a cidade de Puerto Ordaz, no país vizinho, no dia 7 de dezembro com mais duas amigas de Manaus. Elas iriam voltar na quinta-feira (15), mas não foi possível devido ao fechamento da fronteira.

Nicolás Maduro prorrogou na quinta por 72 horas o fechamento das fronteiras com Brasil e Colômbia, vigente desde a noite de segunda (12) para combater as "máfias colombianas" que entram no país com notas de 100 bolívares, que o governo tirou de circulação, para desestabilizar a economia da Venezuela.
 
Brasileiras temem faltar comida no apartamento onde elas estão (Foto: Márcia Cristina Medeiros/Arquivo pessoal)Brasileiras temem faltar comida no apartamento onde elas estão
(Foto: Márcia Cristina Medeiros/Arquivo pessoal)
"Estamos em um prédio, onde alugamos um apartamento. Nosso dinheiro está acabando e o climas nas ruas é tenso. Compramos comida antes de tudo isso acontecer e estocamos na geladeira. Não há como fazer câmbio. Quem trouxe dólar, ficou no prejuízo", cita Márcia.

Conforme a esteticista, outros oito brasileiros estão na mesma situação, sem poder voltar para casa.
Ainda de acordo com ela, está ocorrendo conflitos entre a polícia venezuelana e os moradores, saqueamentos em lojas e depredação de bancos, em razão da troca de moedas e falta de alimentos.

"A nota de 100 bolívares não vale mais. Não há máquinas para cartão. Não tem como sair às ruas porque há muita manifestação. Pessoas queimando carros. A comida está escassa em Puerto Ordaz. Quem quer comer, tem de esperar em filas enormes. Está uma loucura. Você não pode transitar na cidade. Estamos impossibilitados de sair desse país", afirma.

 
 
Ela disse estar receosa com a situação e, embora não seja a primeira vez que vai à Venezuela, impera o sentimento do medo.

"Não sabemos o que pode acontecer. Minhas amigas que vieram passear estão assustadas", revela.

Elisete, moradora de Manaus, disse que entrou em contato com os familiares para deixá-los tranquilos, mas a preocupação é constante. Ela e a irmã decidiram conhecer a Venezuela e fazer compras de Natal, mas não esperavam presenciar os conflitos no país vizinho.

"O dinheiro está acabando. A situação aqui é precária. Há protestos nas ruas, e não saímos. Ficamos com medo porque não se sabe o que acontecerá. Ele [Maduro] disse que ia abrir meia noite a fronteira [na quinta] e isso não aconteceu. Ele pode piorar a situação [do país]. Minha preocupação é ficar sem dinheiro, sem nada e ficar 'presa' na Venezuela", conta desesperada.

Ela ressalta que chegou a ir a supermercados antes de o conflito no país se agravar. "Me sujeitei a filas imensas para comprar comida, entretanto, a venda é escassa para comprar um quilo de carne ou metade de um frango, por exemplo", diz.

Em Margarita situação é tranquila, diz brasileira que mora na Venezuela

A brasileira Cláudia Oliveira, que mora em na Ilha de Margarita, relatou ao G1 não haver conflitos na região turística.

"Há pessoas que estavam indo para Boa Vista ou Manaus, mas resolveram ficar em cidades onde não há manifestações. Quem estava vindo para Margarita teve de esperar essa situação ser resolvida, o que pode acontecer na segunda-feira (19) com as novas cédulas de 100 bolívares. Aqui está tranquilo. Shooping cheio, praias lotadas. Aqui é diferente. A sensação é de ser outro país", avalia Cláudia.

Itamaraty

Em nota, o Itamaraty esclareceu que, no dia 16 de dezembro, a informação recebida da parte das autoridades venezuelanas foi de que a fronteira permaneceria fechada por mais 72 horas.

"Estão sendo realizadas gestões com vistas a buscar uma solução para o caso dos brasileiros que desejem retornar ao Brasil. Os brasileiros que necessitem de assistência consular emergencial devem contatar o Vice-Consulado do Brasil em Santa Elena de Uiarén", descreve a nota.

Governo de Roraima diz que dialoga com autoridades venezuelanas

Por telefone a titular da Secretaria Extraordinária de Assuntos Internacionais do Governo de Roraima, Verônica Caro,  informou que está ciente da situação dos brasileiros impedidos de sair da Venezuela.

Ela disse que até este sábado cerca de dez pedidos de ajuda foram feitos à Secretaria. Verônica afirma que a pasta está em constante diálogo com as autoridades das cidades venezuelanas e busca alternativas para reduzir transtornos aos brasileiros.

"Infelizmente só temos conseguido autorização para que pessoas com alguma problema de saúde atravessem a fronteira. Mas, é extremamente importante que quem está lá, ou quem conhece alguém que esteja lá, que nos avise para que possamos buscar soluções", enfatizou a secretária.

A secretaria disse que pedidos de ajuda podem ser feitos por meio de ligação ou WhatsApp por meio do telefone (95) 99146 9977.
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