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10/12/16 às 16:17 / Atualizada: 10/12/16 às 16:25

Itanhangá - Sem-terra ocupam área e fazendeiros fazem protesto na rodovia MT-338

Grupo montou acampamento em um lote em Itanhangá, nesta sábado. Parte das áreas da União estão sub judice após vendas irregulares.

Pollyana Araújo Do G1 MT

Edição para Água Boa News, Clodoeste Kassu

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Itanhangá - Sem-terra ocupam área e fazendeiros fazem protesto na rodovia MT-338

Área ocupada fica às margens da MT-338

Foto: Arquivo pessoal

Um grupo de sem-terra acampou em uma área, às margens da MT-338, no município de Itanhangá, a 447 km de Cuiabá, neste sábado (10), e ameaça invadir as terras, que pertenciam à União e destinadas à reforma agrária. Algumas delas teriam sido vendidas e ocupadas irregularmente, o que foi alvo da Operação Terra Prometida, da Polícia Federal, em 2014. De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), 100 pessoas estão no local.

Enquanto isso, para tentar evitar novas invasão, fazendeiros, com o apoio de comerciantes locais, bloqueiam trecho da rodovia, sobre a ponte do Rio Borges.

O clima é tenso no local e a Sesp informou ter enviado mais de 50 policiais militares, de Sorriso, Lucas do Rio Verde e Tapurah, para fazer a segurança do local e evitar conflitos entre sem-terra e fazendeiros.
 
Polícia Militar tenta evitar conflito entre fazendeiros e sem-terra (Foto: Arquivo pessoal)Polícia Militar tenta evitar conflito entre fazendeiros e sem-terra (Foto: Arquivo pessoal)
 
Foram bloqueadas as entradas de acesso às propriedades rurais. "Só estamos fazendo a averiguação para evitar que pessoas que querem invadir as terras invadam as áreas, mas não estamos impedindo os moradores da região de circularem", disse o produtor rural Claudecir Contreras, que vive na região há 20 anos.

"Sou pioneiro na região. Meu lote é registrado junto ao Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e já cumpri todas as cláusulas que me pediram, inclusive as ambientais. Somos trabalhadores, gente do bem", disse o produtor rural Claudecir Contreras.
 
O G1 não conseguiu entrar em contato com os líderes do movimento dos sem-terra até a publicação desta reportagem. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os manifestantes aguardam representantes do Incra, pois a área pertence à União.

Operação Terra Prometida

Parte das áreas do município está sub judice. A exploração de terras destinadas à reforma agrária na região de Itanhangá para monoculturas, como de soja e de milho, por grandes fazendeiros motivou a Operação Terra Prometida.

As investigações do Ministério Público Federal e Polícia Federal começaram em 2010. Durante as investigações, foram identificadas irregularidades na concessão e manutenção de lotes destinados à reforma agrária.
 
Ponte sobre o Rio Borges foi bloqueada para evitar invasão de outras áreas (Foto: Arquivo pessoal)Ponte sobre o Rio Borges foi bloqueada para evitar invasão de outras áreas (Foto: Arquivo pessoal)
 
À época, a PF divulgou que estimava que 80 fazendeiros teriam ocupado cerca de mil lotes da União. Um deles teria obtido 55 lotes e regularizado essas áreas com o apoio de servidores do Incra.

Usavam da força física para invadir terras ou comprar a preço baixo e depois, com o auxílio de servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e de servidores das câmaras de vereadores e das prefeituras desses municípios buscavam regularizar a situação do lote.

Para a manutenção do comércio ilegal de terras da reforma agrária, a quadrilha teria usado documentos falsos, feito vistorias simuladas, fraudado termos de desistência e até mesmo inserido dados falsos no sistema de informações de Projetos de Reforma Agrária do Incra, permitindo que latifundiários, grupos de agronegócio e até empresas multinacionais ocupassem ilicitamente terras da União destinadas à reforma agrária.

Confome a PF,  o esquema era operado, basicamente, por pessoas ligadas ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itanhangá e ao serviço social da prefeitura municipal daquele município, que elaboravam listas com nomes de 'laranjas' que, em nome de fazendeiros, falsificavam 'cartas de desistência' e declaração de aptidão ao Incra.

Depois disso, servidores do Incra faziam  uma vistoria fictícia para comprovar a posse dos 'laranjas', que após cadastrados no sistema do órgão, eram homologados e emitidos na posse. Entretanto, quando o documento do Incra era emitido, o fazendeiro já estava ocupando e produzindo nas parcelas reconcentradas.
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