Notícias / Meio Ambiente

17/11/16 às 07:42

Brasil quer preservar suas florestas, mas mundo tem que pagar a conta

Ministro da Agricultura Blairo Maggi diz que produtores não têm como bancar esse custo

Bruno Blecher - Globo Rural

Edição para Água Boa News, Clodoeste Kassu

Imprimir Enviar para um amigo
Brasil quer preservar suas florestas, mas mundo tem que pagar a conta

Blairo Maggi, ministro da Agricultura, durante apresentação na COP 22, em Marrakesh

Foto: Divulgação

Nos encontros da COP 22, a 22ª Conferência Quadro das Partes sobre Mudanças Climáticas, que acontece esta semana em Marrakesh (Marrocos)  o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, tem passado um recado muito claro: o Brasil apresentou uma proposta audaciosa no Acordo de Paris e está disposto a cumpri-la, mas o mundo precisa compreender o alto custo dessa conta e ajudar a pagá-la.

Entre os compromissos assumidos na conferência do clima de Paris, para reduzir as emissões de gases efeito estufa, o Brasil se dispôs a eliminar o desmatamento ilegal e reflorestar 12 milhões de hectares.
 
“Mesmo tendo 61% do seu território preservado, os produtores brasileiros têm que arcar com um custo que seus colegas americanos e europeus não têm. O mundo tem que compreender isso e compensar esse custo. Uma das opções é o mercado internacional dar preferência aos produtos agrícolas brasileiros”, disse o ministro. “Não dá para imputar ao produtor brasileiro mais custos com a recuperação de áreas e reflorestamento sem que haja uma contrapartida financeira ou de preferência de mercado. Desculpem, nós não vamos conseguir avançar porque as contas não fecham", acrescentou.

Segundo ele, é possível manter as reservas legais em propriedades agrícolas que estão em regiões afastadas dos grandes centros de produção. “O custo nesses casos é barato. Mas quando você está no meio de uma zona de alta produção agrícola, onde tem energia elétrica, silos, estradas e toda infraestrutura, e tem que deixar 80%, 50%, 35% ou mesmo 20% sem utilização, o custo disto é gigantesco para o produtor e para o país", destacou Maggi.

Ele citou o caso de uma propriedade em Querência (MT) que pertence ao seu próprio grupo (Amaggi). São 80 mil hectares, dos quais 40.000 hectares estão fechados e 40.000 em produção, desmatados antes de 1988.

"A parte que está produzindo vale US$ 5.000 por hectare. A que está fechada não vale nada. São 200 milhões de dólares de patrimônio fechados, sem a mínima chance de produzir nada. Multiplica isto pela quantidade que o Brasil tem, onde cerca de 40% das propriedades têm suas reservas. É um custo gigantesco", afirmou o ministro.

Ele citou também como exemplo o caso de um hotel com 100 apartamentos. "Imagina que vem uma lei que manda o proprietário manter os 100 apartamentos mas só comercializar 20 apartamentos. Quanto custa isto para o dono? Faturar sobre 20 e ter despesas sobre 200. É uma coisa de louco!"
Para Maggi, o Brasil tem regras ambientais rigorosas. Pelo Código Florestal, o produtor é obrigado a manter como reserva legal na Amazônia Legal 80% de sua propriedade em áreas de florestas, 35% em fazendas situadas no Cerrado e 20% em áreas de campos gerais. Nas demais regiões do país, a área de preservação é de 20%.
Imprimir Enviar para um amigo

comentar  Nenhum comentário

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Agua Boa News. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Agua Boa News poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
 

veja maisArtigos

Nilton Moreira

Estrada Iluminada Paciência. 'Um Espírito Amigo'

                 Em meio essa pandemia, está acontecendo situações das mais diversas. Desde famílias que passaram a ter harmonia entre si, o...

 
 
 
 
Sitevip Internet