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27/07/15 às 23:38

Rubens de Mendonça, o mestre sem diploma

Reportagem especial conta um pouco da história e homenageia este ilustre historiador cuiabano, cujo centenário se comemora nesta segunda-feira

ALECY ALVES

Diário de Cuiabá

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Rubens de Mendonça, o mestre sem diploma

Rubens de Mendonça e a filha Adélia: autodidata, o historiador era referência inclusive fora do país

Nesta segunda-feira, 27, comemora-se o centenário de um dos mais ilustres cuiabanos, o historiador Rubens de Mendonça (que morreu em 1983, aos 67 anos).

Sem nenhum diploma de faculdade, Rubens tornou-se um mestre, ou o Mestre, reverenciado no campo da história, geografia, jornalismo, poesia, trova, além de exímio conferencista e orador.

Um jovem autodidata que, ao contrário dos filhos das famílias da classe média cuiabana de sua época, preferiu permanecer na capital mato-grossense a ir estudar no Rio de Janeiro.

Além de “estudar fora” não fazer parte de seus planos, ele não era dado a viagens longas, especialmente se tivesse de embarcar em avião.

Autor de mais de 30 livros, ocupou a cadeira de número 9 da Academia Mato-grossense de Letras. Mas Rubens de Mendonça não fez história somente em Mato Grosso, onde retratou como ninguém a cultura e os costumes de seu povo.

Também elevou seus feitos, e o nome do Estado, claro, a outras nações ao integrar organismos internacionais como a Sociedade de Geografia de Lisboa, o Instituto Antônio Cabreira, também de Lisboa, e o Instituto de Cultura Americana, de La Plata (Argentina) e Centro Intellectual Augustin Aspiazu, de La Paz (Bolívia).

Mas aqui, em solo cuiabano, as reverências a ele vão além da personalidade do homem culto cuja vida e obras contribuíram e contribuem com a cultura mato-grossense.

Quem teve o privilégio de conhecê-lo e gozar de sua amizade, orgulha-se do aprendizado, lealdade e das divertidas tiradas do “Rubinho”, como os mais íntimos costumavam tratá-lo.

Vinte anos mais novo, ou “mais criança” (como diria o cuiabano tchapa e cruz) que o historiador, o médico e ex-reitor da UFMT Gabriel Novis Neves o teve como um grande amigo.

“Alegre, irônico, generoso, solidário, leal...” a lista de qualidades atribuídas por Gabriel ao amigo é longa. Conta que desde os 10 anos recorria a Rubens de Mendonça para fazer as tarefas da escola.

“Sim, posso lhe ajudar Bugrinho”, respondia Rubens ao vê-lo com os cadernos em mãos na porta de sua casa. “Qual é a tarefa de hoje? Português, geografia...?” E assim o pequeno estudante, vizinho do jovem mestre, concluía os trabalhos escolares com a certeza de que asseguraria mais um 10 no boletim. “Eu só tirava 10 quando tinha a ajuda dele”, recorda.

E esse não era um privilégio apenas de “Bugrinho”, apelido de infância de Gabriel Novis (herdado do pai, Bugre). Praticamente todas as crianças da Rua do Campo (hoje Barão de Melgaço) tinham Rubens de Mendonça como o professor voluntário de reforço, especialista em tudo.

Gabriel, assim como boa parcela dos jovens, foi estudar no Rio de Janeiro. Aos 16 anos deixou a capital mato-grossense para fazer Medicina e só reencontrava o amigo-mestre nas férias escolares.

Formado, retornou a Cuiabá onde, além de grande amigo, tornou-se o médico de confiança do historiador. Com consultório vizinho a casa do amigo, conta que “Rubinho” dava socos na parece todas as vezes que queria conversar com ele.

Muitas vezes, o médico parava a consulta, pedia licença ao paciente, para atendê-lo ou, como na maioria das vezes, apenas ouvi-lo. Na década de 80, os dois enveredaram pelo campo da política.

Candidatos a cargos distintos, faziam reuniões juntos, mas não sabiam pedir votos. “Eu falava de saúde e ele de educação, só que ao final não pedíamos o voto [risos]. Fomos derrotados, claro”, completa.

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