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21/07/15 às 00:36 / Atualizada: 21/07/15 às 08:59

Furtos de defensivos em Canarana já supera cinco vezes valor levado do Banco do Brasil

Polícia acredita que quadrilhas estão focando em furtos de defensivos agrícolas, se estabelecendo em municípios como Canarana. A suspeita também é que bandidos se passam por agrônomos para colher informações dos locais. Polícia já tem informações qu

Jornal O Pioneiro

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Furtos de defensivos em Canarana  já supera cinco vezes valor levado do Banco do Brasil

Valdivino conduz suspeito para a DEPOL de Canarana.

Foto: Arquivo JOP

CANARANA - Cinco grandes furtos de defensivos agrícolas em Canarana nos últimos meses causaram um prejuízo de mais de cinco milhões de reais em valor de mercado. Três furtos foram em revendas localizadas na cidade e dois em fazendas no interior. A reportagem do J. O Pioneiro conversou com o policial Valdivino Vital, chefe de investigação da PC de Canarana.

Os valores que envolvem defensivos agrícolas são gigantescos. Cada produtor investe em média 400 reais de agrotóxicos por hectare. Canarana irá plantar mais de 250 mil hectares com soja no próximo ciclo, um investimento, somente em agrotóxicos, de mais de 100 milhões de reais. É nesse montante que os bandidos estão de olho.

O motivo pelo qual os bandidos estão mirando os agrotóxicos é muito simples. Para assaltar a agência do Banco do Brasil de Canarana em janeiro de 2010, por exemplo, os bandidos correram um risco grande, porque a modalidade é assalto, feito durante o dia e com reféns. Além disso, é necessário o envolvimento de vários bandidos, vários fuzis e uma enorme logística. Tudo isso para roubar cerca de um milhão de reais, montante levado da agência do Bando do Brasil em 2010.

Já no furto que ocorreu em uma revenda de defensivos agrícolas em Canarana no final de semana entre os dias 03 e 05 de julho, foram levados mais de 2,5 milhões de reais em produtos, um valor muito maior, a um risco muito menor e a um custo operacional também bem menor. Não houve troca de tiros, não houve reféns, não houve testemunhas. 

Cientes disso, integrantes de quadrilhas do crime organizado, têm deslocado integrantes para cidades como Canarana, onde observam os alvos, estudam os locais e apoiam as ações. Alguns desses integrantes chegam até a se passar por agrônomos. São bem recebidos pelos produtores nas fazendas e pelos empresários nas revendas, quando observam o alvo e planejam a ação. “Não restam dúvidas que existem pessoas da cidade envolvidas. É uma pessoa que a gente chama de final de cadeia, é um pessoal que não ganha muito, mas que tem as informações, recebem pelas informações e pelo trabalho que eles realizam no momento do furto. São indivíduos que se passam por produtores, se passam por agrônomos e estão aí simplesmente para fazerem a observação”, disse Vital.

Valdivino explicou que a Polícia Civil de Canarana está recebendo apoio investigatório da PC do estado do Mato Grosso do Sul, pois o modus operandi praticado pelas quadrilhas aqui no município tem sido o mesmo de furtos realizados no estado vizinho. “Tivemos contato com a polícia do Mato Grosso do Sul e conseguimos chegar a nomes de integrantes de quadrilhas que estavam atuando naquele estado e em Mato Grosso. Temos nomes, temos informações e mecanismos para continuar as investigações”, disse. Os inquéritos dos furtos, depois de concluídos, serão encaminhados para o GCCO, que é o Grupo de Combate ao Crime Organizado da Polícia Civil de Mato Grosso.

O investigador chefe de Canarana diz que em todos os furtos praticados no município os sistemas de vigilância falharam. “Ficou demonstrado que o sistema de monitoramento não é o suficiente e não surtiu o efeito que era esperado. Porquê? Porque esses sistemas foram rompidos, os produtos foram subtraídos e nós não tivemos acesso a nenhuma imagem armazenada no HD. O que eu sugiro? Que os empresários valorizem a presença humana [vigilantes] em seus comércios. Pedimos que as pessoas tomem o máximo de cuidado, porque recuperar o produto furtado é muito complicado. Autoria é mais fácil do que recuperar os produtos”, explicou. Como os furtos geralmente ocorrem aos finais de semana e os sistemas de monitoramento tem falhado, sem testemunhas, a polícia só é informada da ação várias horas depois do furto, quando os bandidos já ganharam bastante vantagem.

Vital acredita que os produtos furtados aqui em Canarana são levados para outras regiões ou armazenados em depósitos clandestinos, para depois serem revendidos aos receptadores. “Outro problema que enfrentamos são os receptadores, porque muitos furtos estão ocorrendo sob encomenda. Se tem o ladrão, é porque tem alguém que compra, tem mercado certo. E infelizmente em Canarana nós já constatamos que existem pessoas que estão plantando já contando com a possibilidade de adquirir produtos furtados”, falou.

Entre dezembro do ano passado e julho deste ano, foram furtadas duas grandes fazendas e três revendas de defensivos agrícolas em Canarana. Das duas fazendas foram levados mais de 500 mil reais em produtos. Das revendas, em uma foi levado mais de 1,6 milhão, de outra 600 mil e da última mais de 2,5 milhões de reais, totalizando mais de cinco milhões de reais em produtos no valor de mercado.
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