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28/03/16 às 21:24 / Atualizada: 28/03/16 às 22:03

Exemplo de inclusão social e produtiva, Auto da Paixão é sucesso de público

Evento teve um público de 80 mil pessoas e a peça gerou 950 empregos diretos e indiretos

Renata Prata | Gcom-MT

Edição para Agua Boa News, Clodoeste Kassu

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Exemplo de inclusão social e produtiva, Auto da Paixão é sucesso de público

Foto: Rafaella Zanol/Gcom-MT

Exemplo nacional de inclusão, o Auto da Paixão terminou neste domingo (27) com grande sucesso de público em Cuiabá. Aproximadamente 80 mil pessoas assistiram o espetáculo que foi apresentado de 22 a 27 de março para uma plateia ecumênica e diversificada com a participação da comunidade evangélica, juntamente com os católicos. O projeto contou também com a inclusão de pessoas com deficiências física, auditiva e visual que puderam apreciar o espetáculo em lugares reservados, com o recurso de audiodescrição, utilizado no sábado com uma narrativa detalhada do espetáculo, e a tradução simultânea da língua brasileira de sinais.


 
A iniciativa inédita de inclusão social em um espetáculo de grande porte foi o ponto alto do evento. Grande parte da peça - 80% - foi produzida por reeducandos do sistema prisional nos regimes aberto e semi-aberto, egressos do trabalho escravo, haitianos, indígenas, trabalhadores do aterro sanitário de Cuiabá, crianças e jovens atendidos por casas lares, adolescentes que cumprem medidas socioeducativas. O grupo participou da encenação, construção do cenário, confecção do figurino e maquiagem dos personagens.

Foram investidos no espetáculo R$ 1,8 milhão, sendo grande parte desse valor utilizado no pagamento, vale refeição e transporte dos 950 prestadores de serviço que trabalharam direta e indiretamente durante 210 dias para que o espetáculo fosse montado. Foram gerados 150 empregos diretos e 550 indiretos, além de 250 atores profissionais e amadores que ensaiaram durante 8 semanas para a encenação. O valor foi menos que a metade do utilizado no evento em  2014, quando aproximadamente R$ 5 milhões foram gastos na ocasião.


 
A organizadora do evento, primeira-dama do Estado Samira Martins, coordenadora do Núcleo de Ações Voluntárias, destacou a importância da inclusão e agradeceu os parceiros. “A inclusão sociocultural e a soma de esforços entre parceiros e voluntários foi o que tornou o Auto da Paixão 2016 um verdadeiro sucesso. Juntos, conseguimos promover trabalho, renda, lazer e acesso à cultura a aproximadamente 80 mil pessoas. Estamos muito satisfeitos com este resultado!”, disse

Henri Casteli, ator que interpretou o papel principal, aprovou a iniciativa destacando que já participou de cinco Autos da Paixão, mas que a união e inclusão em Cuiabá foram incomparáveis gerando um saldo extremamente positivo. “Já estive em cinco apresentações de Paixão de Cristo e esta foi a maior e melhor que eu já participei. Foi tudo muito especial, o figurino, o cenário, a inclusão social. Foram noites marcadas pela caridade, pelo amor. Essa foi uma das grandes emoções que vivi em minha carreira”.


 
Inclusão social 
Flávio Ferreira, diretor do grupo de teatro Cena Onze e responsável por selecionar o elenco, destacou que a inclusão social foi uma ideia coletiva e disse se sentir privilegiado por fazer parte do espetáculo realizado em parceria com o Governo do Estado. “Toda essa inclusão junto com atores profissionais foi um aprendizado para todos nós. Foi um sonho coletivo e ficamos emocionados, honrados. Foi algo inédito, uma experiência para que as pessoas viessem para cá e sentisse o que nós sonhamos. O número de pessoas que compareceram surpreendeu, nós que vivemos de aplauso, do reconhecimento do nosso trabalho isso é muito importante”.

Entre esse público diferenciado estava o deficiente auditivo Márcio Santos, de 8 anos, que foi com a avó Maria José Santos pela primeira vez em um espetáculo. “Esse dia vai ficar marcado na vida dele para sempre. Pela primeira vez na vida ele foi a um teatro graças a interprete de libras. Ele ficou muito feliz e eu espero que eventos com a participação de pessoas com deficiência aconteçam cada vez mais”.  


 
Uma das figurinistas da peça, a reeducanda, A.L.C, agradeceu a oportunidade de mostrar o que foi aprendido dentro da unidade prisional, com um curso de costura que a possibilitou fazer parte da equipe que montou os figurinos para o espetáculo “É uma emoção mostrar meu trabalho. Agradeço o voto de confiança que nos foi dado. Vou continuar fazendo cursos para aprender e me capacitar. Estamos mostrando que podemos nos relacionar bem com as pessoas.  Muitos estão abraçando a oportunidade que nos foi dada, dando valor nisso”.

Atores natos, os índios xavantes pretendem implantar um projeto de artes cênicas na aldeia de Barra do Garças, por meio de um trabalho com o Cena Onze, de acordo com Xisto, líder da aldeia Nova Esperança. “Nesse mundo globalizado tem que ser trabalhada essa formação filosófica, psicológica. A arte do povo indígena é passada de geração para geração e estamos conversando com o Flávio a importância de levar esse trabalho de formação de pessoas para a aldeia”.
 


Formação inclusiva
O evento também contribuiu para a geração de emprego e renda, promovendo a inclusão produtiva do público vulnerável, por meio da assistência, trabalho e cidadania, que é uma proposta do governo do Estado por meio da Secretaria de Trabalho e Assistência Social (Setas-MT). “O Auto da Paixão conseguiu alcançar uma nova etapa esse ano e ultrapassar a barreira de evento cultural para uma ação transformadora. Isso porque, utilizando dos valores de inclusão sócio produtiva, conseguimos envolver na construção do espetáculo àqueles em situação de vulnerabilidade, promovendo a mudança de vida dessas pessoas, o que viabiliza também a mudança de olhar da sociedade para o evento”, ressaltou o gestor. 

Um exemplo de inclusão produtiva foi o espaço reservado para as “Meninas da Setas”, um grupo de mulheres vítimas de violência que, por meio do curso realizado em parceria com a Associação de Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), ganharam a possibilidade de inclusão social e econômica. No Auto da Paixão puderam mostrar um pouco do que aprenderam e o prato de costelinha com arroz, feito por elas, foi um sucesso de venda.

O evento contou com a participação de 30 artesãos que expuseram seus trabalhos na feira de artesanato e 20 comerciantes na praça de alimentação. A artesã Cleonice da Silva, que trabalha com cerâmica e sempre participa de feiras destacou que os eventos promovidos pelo governo do Estado são vitrines para os produtos mato-grossenses. “Nós ouvimos a opinião das pessoas, divulgamos nosso artesanato, fazemos contato para vender os produtos em lojas e participar de outros eventos. As vezes não é um ganho imediato a participação aqui é uma vitrine, todos os contatos são validos e oportunidade de trabalho”.

Parceiros
O Auto da Paixão de Cristo 2016 foi organizado pelo NAV-MT, Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social e do Grupo Cena Onze. Foram parceiros da iniciativa as secretarias de Cultura e Lazer (Secel), Educação e Esporte (Seduc), Desenvolvimento Econômico (Sedec), Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Meio Ambiente (Sema), Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Secretaria de Mobilidade Urbana de Cuiabá, Federação da Indústria de Mato Grosso (Fiemt), Câmara de Dirigentes Logistas de Cuiabá, Associação Mato-grossense de Atacadistas e Distribuidores (AMAD), Senac, Arquidiocese de Cuiabá, Conselho de Ministros Evangélicos de MT (Comec), Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), TV Centro América, Juizado da Infância e da Adolescência de Cuiabá, NET e Colégio Master.

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