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16/03/16 às 10:27

Projeto apoiado pela Rede de Referência em Educação implanta mais uma Agrofloresta em escola de Canarana

Rafael Govari – ISA

AGUA BOA NEWS

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Projeto apoiado pela Rede de Referência em Educação implanta mais uma Agrofloresta em escola de Canarana

Foto: Professora Lisani Fuchs

Uma iniciativa que deu muito certo há sete anos e vem sendo implantada em diversas escolas que se localizam na região Xingu Araguaia, foi replicada no mês de fevereiro passado na Escola Municipal Monteiro Lobato, na cidade de Canarana-MT. Mais de 25 crianças do 5º Ano participaram do plantio de uma Agrofloresta, que é a junção de árvores frutíferas e nativas com verduras e legumes. O plantio foi assessorado pelo consultor do ISA (Instituto Socioambiental) Oswaldo Ceres e teve a iniciativa da professora Lisani Fuchs.

Há três anos lecionando na EMEI Monteiro Lobato, a professora Lisani teve a ideia de primeiramente plantar algumas árvores aos fundos da escola, um solo abandonado e com muitas pedras. Com a retomada pelo ISA da Rede de Referência em Educação no ano passado, o projeto da professora foi selecionado para ser apoiado como uma iniciativa educativa pioneira para o plantio de uma Agrofloresta. “Quando o ISA nos chamou eu pensei: se tiver um projeto novo, vai dar pra fazer um plantio maior e pensei em fazer a Agrofloresta. Recebemos uma verba e deu para trabalhar”, contou Lisani.

Cada criança ficou com um canteiro onde foi plantado mandioca, milho, abobora, beterraba, pequi, banana, entre outras. As mudas de verduras, legumes e árvores foram doadas pela horta e pelo viveiro da Prefeitura e as sementes pela Rede de Sementes do Xingu. Os alunos também trouxeram sementes de hortaliças. Ao todo, a Agrofloresta ocupa uma área de 180 metros quadrados. “Prepara-se a terra, depois se divide entre as crianças e cada uma planta seu canteiro, planta suas bananeiras, seus pequis, suas beterrabas, tudo no mesmo canteiro”, explicou Osvaldo.

São múltiplos os objetivos do envolvimento dos alunos no plantio de uma Agrofloresta, por abranger conhecimento e práticas agronômicas, gerar interesse na causa ambiental e no plantio de árvores, além de envolver a atividade no aprendizado de outras disciplinas, através da produção de redação ou mesmo de cálculos matemáticos necessários para o plantio de uma Agrofloresta. E, ao final de tudo, ainda colhem verduras, legumes, frutas e tem um bosque para a escola.

“Este será um ótimo trabalho. Os alunos estão bem envolvidos, estão gostando, todo dia olham os canteiros, na hora de molhar um ajuda o outro. Vamos agora acompanhar o processo de germinação e trabalhar o sistema de manejo ao longo do ano. Vamos também identificar as espécies plantadas. Conforme a gente vai trabalhando, a gente vai implantando os conteúdos através de um trabalho interdisciplinar. As crianças cuidando do seu canteiro, vão aprender a cuidar do lugar onde elas vivem. Começar a cuidar do lugar onde estamos para depois cuidar do restante”, falou a professora.

Osvaldo Ceres explica muito bem o avanço que significa plantar uma Agrofloresta em uma escola: “Passar do plantio do feijão no algodão, que é geralmente o que as crianças fazem na escola, para o plantio de uma Agrofloresta. Essas crianças, ao invés de lembrar que o feijão é vivo, elas têm agora árvores que elas plantaram. Isso é algo muito proveitoso para a formação técnica e socioambiental dos alunos”.

“A inciativa desenvolvida na Monteiro Lobato é uma replicação do plantio de uma Agrofloresta realizada há sete anos na Escola Municipal Coronel Vanick, localizada no distrito do Culuene, interior de Canarana, na época da Formação de agentes socioambientais”, lembra Cristina Velasquez do ISA. A mesma professora Lisani, que na época lecionava no interior, foi uma das coordenadoras do plantio, que abrangeu 70 alunos desde o sexto ano ao Ensino Médio, onde cada um era responsável por um canteiro de dois metros quadrados. Hoje a área virou um bosque, muito visitado pelos atuais alunos da Escola.

Lisani conta como foi a experiência no Culuene: “A ideia da Agrofloresta [na EMEI Coronel Vanik] foi uma parceria com a professora Mônica, que fez o curso de agente socioambiental do ISA. Os alunos se envolveram bastante, quando chegavam a escola já iam olhar o que tinha nascido no canteiro. No ano seguinte pensamos em ampliar e construímos um viveiro. A gente coletava a semente, trazia, classificava, quebrava dormência, plantava e depois que tinha as mudas levava para as nascentes com os alunos e plantava. Essa iniciativa plantou uma grande semente naqueles alunos. Um exemplo é a minha filha, que trabalhava nesse viveiro e hoje ela fala que nunca vai arrancar uma árvore”.

A Rede de Referência em Educação é administrado pelo ISA e apoia iniciativas socioambientais desenvolvidas por professores e escolas de cinco municípios das cabeceiras do Xingu: Canarana, Água Boa, Ribeirão Cascalheira, Querência e Gaúcha do Norte. O apoio se dá com metodologias pedagógicas, ajuda técnica e também financeira.

Os 12 projetos apoiados pela Rede de Referência em Educação:
1 – EMEB Serra Dourada – Projeto: Conhecendo o Cerrado da nossa região;
2 – EMEB Progresso – Projeto: Brinquedoteca;
3 – EMEB Nova Era – Projeto: Agrofloresta;
4 – EMEB Elídio Corbari – Projeto: Educação Ambiental;
5 – EMEB Pioneiros de Canarana – Projeto: Compostagem e Paisagismo na Escola;
6 – Escola Apóstolo Paulo (Serrinha) – Projeto: Horta Escolar e Jardim Agrofloresta;
7 – Colégio Portal do Xingu – Projeto: Reutilização d’água;
8 – EMEB Coronel Vanick – Projeto: Reativação do Viveiro Reviver;
9 – Escola Paulo Freire – Projeto: Educomunicação – Rádio Escolar;
10 – EMEB Monteiro Lobato – Projeto: Reflorestando o espaço escolar da EMEB Monteiro Lobato;
11 – Escola Municipal Dona Antonieta em Ribeirão Cascalheira – Projeto: Pit Stop Ecológico;
12 – Escola Municipal Bela Vista – Projeto: Horta e viveiro Educador, “Plantando e colhendo vida”.

(Por Rafael Govari – ISA; Fotos: Professora Lisani Fuchs)

 
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Osvaldinho ensina aluno a plantar mudas

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Professora Lisani (em pé) é a coordenadora do projeto na EMEI Monteiro Lobato

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Após sete anos, resultado da Agrofloresta no Culuene

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Após sete anos Agrofloresta virou um bosque no Culuene
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