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26/01/16 às 12:39

Jovens excluem redes sociais e superam dificuldades para conquistar vaga em universidade pública

Patrícia Neves - Olhar Direto

Edição: Água Boa News, Clodoeste Kassu

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Antônio Carlos Gomes Júnior de 17 anos é um dos novos alunos da Universidade Federal de Mato Grosso. Técnico administrativo formado pela Escola Estadual Presidente Médici, em Cuiabá,  tinha como sonho de infância cursar medicina em uma universidade pública. Para isso, passava os três períodos na escola, cursou o período integral no Ensino Médio Integrado a Educação Profissional (Emiep) e dedicava no mínimo mais três horas à noite. O tempo investido no estudo o fez abandonar outras atividades, como a interação com os amigos por meio das redes sociais.

“Antes eu ainda estudava mais com o foco em medicina. Mas aí eu decidi seguir pela área de exatas, pensava em engenharia química, mas não sabia que a UFMT já estava aceitando alunos nessas vagas. Então eu pensei no que eu passasse estaria bom”, explica.

Quando teve acesso a nota geral de 672,44, tendo a matemática como melhor desempenho com a nota de 773,00 foi realizar o cadastro na Universidade Federal de Mato Grosso e viu que podia sim se matricular nesse curso, e foi o que ele fez. Já matriculado em engenharia química, na UFMT, Antônio conta que pretende trabalhar na fabricação de medicamentos.

A mãe de Antônio, Fátima Batista é professora de biologia e vendedora. Nascida em Minas Gerais, cresceu no interior de Mato Grosso. Foi no interior também, em Nova Xavantina, que passou parte da infância do filho que nasceu em Cuiabá e para cá retornam apenas há alguns anos.

“Quando ele era pequeno percebi a facilidade dele em aprender, especialmente as disciplinas de exatas. Por isso, eu cobrava mais dedicação dele que sempre se esforçou. Quando chegou a notícia que ele conseguiu uma vaga na universidade pública eu achei fantástico, a família inteira está feliz”, declara Fátima.

Durante a maratona de aprendizagem a atitude do jovem que mais surpreendeu a mãe foi o abandono das redes sociais. Antônio suspendeu as contas em todos os meios de comunicação online para evitar distrações.  Agora, Antônio já voltou as redes sociais, mas permanece focado. Enquanto as aulas não começam o jovem se prepara estudando química e pretende exercer a formação técnica aceitando uma proposta de trabalho temporário.

Darlan Eduardo da Silva tem 19 anos, aluno da rede estadual, trabalha em média sete horas por dia para ajudar a mãe que é garçonete em uma churrascaria. Por isso concluiu o Ensino Médio na Escola Estadual Liceu Cuiabano com um ano de atraso, em 2015. Outros problemas que se sucederam durante o ano passado, quase o fizeram desistir de fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Porém, o incentivo de amigos, professores e familiares, em especial da mãe, Lianara Puhl, colaboraram para a conquista de uma vaga no curso de jornalismo na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Amante dos games e de histórias de ficção, Eduardo, como gosta de ser chamado, estuda desde o ensino fundamental em escolas estaduais e tem como principal sonho ser diretor e roteirista de filmes e seriados dos quais hoje é expectador. Mas as aspirações foram adiadas. Em 2014, o cansaço da tripla jornada, entre estudos e trabalho para ajuda com as economias da casa o levaram a largar a escola. Em 2015 retomou os estudos, mas sofreu mais abalos, com o falecimento do primo em abril e do avó em novembro.

“Sempre me dediquei muito aos estudos para ingressar na universidade pública em Comunicação Social. Mas desanimei nos últimos anos, precisava trabalhar e depois meu avô morreu de uma doença degenerativa e meu primo por afogamento. Mas pensei que eles não gostariam de me ver triste e resolvi dar orgulho pra eles. Precisei ralar muito pra passar”, explica o jovem. Eduardo chega a  UFMT com a nota geral de 589, mas lamenta que a pontuação seja menor que a de 2013, quando cursava o 2º ano do Ensino Médio.

A escolha do curso de Comunicação Social, foi amparada por atividades desenvolvidas nas escolas nas quais estudou. Os últimos dois anos do Ensino Médio cursou no período noturno na EE Maria de Arruda Muller, o Liceu Cuiabano. “Sempre que possível os professores nos envolviam em atividades com recursos visuais. As duas propostas que eu mais gostei. Foram uma entrevista com os nossos familiares, sobre a história e crescimento de cada um. E a outra foi uma matéria de repórter cidadão, quando poderíamos falar sobre a realidade do nosso bairro”, recorda.

O jovem também se recorda com carinhos das escolas nas quais já estudou. Quando morava em Várzea Grande, no bairro Jardim dos Estados, primeiro cursou o Ensino Fundamental na EE Ubaldo Monteiro da Silva e depois na EE Porfiria de Paula.
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