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28/09/20 às 12:47

Influência da cultura italiana ultrapassa os limites de São Paulo e chega ao Mato Grosso e a outros pontos do Brasil

Lucas Pedron

Agua Boa News

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Em seu processo de formação, o Brasil foi certamente influenciado por uma série de nações cuja população imigrou para o país em busca de oportunidades melhores de vida. Vários destes povos vieram de grandes nações europeias que no fim do século XIX e no começo do século XX estavam em maus lençóis devido a um ciclo de crises econômicas e políticas que culminariam na Primeira Guerra Mundial.

No processo de saída da Europa rumo ao Novo Mundo, chegaram em solo brasileiro italianos, espanhóis, portugueses (que já haviam chegado aqui nos tempos de Brasil colônia e posteriormente na era imperial) e até alguns alemães, franceses e ingleses. Mas, dentre estes povos, aqueles que tiveram e ainda têm maior peso em nossa formação cultural são com certeza os italianos.

Alguns italianos já haviam chegado ao Brasil durante os tempos de colonização portuguesa, no século XVI. À época, o cavaleiro Filippo Cavalcanti, que carregava um cargo de nobreza da cidade de Florença, tornou-se senhor de engenho na capitania de Pernambuco. Seu casamento com Catarina de Albuquerque, filha do administrador Jerônimo de Albuquerque, foi o princípio da família Cavalcanti, que se espalhou por diversas partes do Brasil, muitas vezes carregando a corruptela aportuguesada Cavalcante.

De 1870 a 1970, cerca de 28 milhões de italianos deixaram a Itália devido aos desenvolvimentos econômicos, políticos e demográficos do país e do resto do continente. Boa parte deles chegou ao Brasil, onde está localizada a maior população de descendentes italianos no planeta fora da própria “bota”.

 

 
Grande parte destes imigrantes instalou-se em São Paulo e ajudou a mudar o panorama agrícola da região. Os imigrantes auxiliaram no processo de transição de latifúndios controlados por alguns grandes barões da indústria agrícola, para a formação de pequenos terrenos de subsistência espalhados pelos campos paulistas. Posteriormente, esses terrenos se tornariam mais produtivos do que os próprios latifúndios, graças às técnicas do campo introduzidas pelos italianos, que começavam a produzir gêneros típicos das regiões de onde vieram, como uvas e outras frutas, nos seus próprios espaços.

Mas os imigrantes italianos não ficaram somente em São Paulo. Pouco a pouco, os mesmos foram se espalhando para outras partes do país, incluindo o próprio leste do Mato Grosso. Não é à toa que em 2015 a cidade de Barra do Garças teve a volta de cantores italianos de músicas típicas do país, conforme comenta a matéria publicada no Agua Boa News, após fazerem um show para 5 mil pessoas na Arena do Porto do Baé dois anos antes.

A chegada dos italianos no Centro-Oeste, e consequentemente em Mato Grosso, está inteiramente ligada com a expansão da fronteira agrícola a partir do sul do país. Com a iniciativa de descendentes diretos de italianos, alemães e portugueses dos estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, novos terrenos foram desbravados com fins de aumentar a produtividade agrícola do país e desenvolver de vez o agronegócio brasileiro. Consequentemente, a influência do país de origem dos ancestrais desses desbravadores se manteve nas instituições construídas nas novas cidades que surgiram desses esforços.

A conexão cultural entre a Itália, o Brasil e o resto do mundo não para por aí. Muitos itens da cozinha tradicional mundial que envolvem massa, como macarrões, lasanhas e pizzas, têm origem nas cidades italianas. Alguns dos maiores autores literários da história mundial, como Dante Alighieri, Umberto Eco e Primo Levi, são italianos. Jogos de cartas famosos, como o bacará, que se baseia em adivinhar se a distribuição das cartas será favorável para o jogador, para o crupiê ou para nenhum dos dois (em um empate), vieram da Itália e posteriormente se difundiram pelo mundo devido à simplicidade de suas regras, explicadas passo a passo em sites como https://www.casinos.pt/jogos/baccarat/. Além disso, a Itália serviu como cenário para filmes clássicos como O Carteiro e o Poeta e Cinema Paradiso, que acabou inspirando a criação do longa brasileiro Cine Holliúdy, filme dirigido por Halder Gomes – disponível no serviço de streaming Globoplay – e cuja inspiração na obra-prima italiana mostra como os dois países se influenciaram em termos culturais.

 

Tudo isso deu à Itália um lugar privilegiado no palco mundial quando se trata de questões políticas e econômicas. O país se mantém como um dos principais destinos turísticos do mundo graças a turistas que querem conhecer os grandes cenários que ilustram algumas das grandes peças culturais criadas pelo homem, além de querer também se conectar com sua ancestralidade.
 
Além disso, a Itália ainda é a casa de algumas das maiores empresas do mundo. Estão lá grandes companhias como TIM, Ferrari, Pirelli e Enel – todas estas sendo multinacionais com filiais espalhadas por vários cantos da Europa e do mundo, incluindo aí o próprio Brasil.

Entretanto, a crise financeira de 2008 deixou a Itália e outros países mais afastados do centro da Europa em maus lençóis. Mas, como é de feitio do povo italiano, a perseverança venceu a adversidade. Munidos de um grande arcabouço cultural que permite que eles consigam manejar os campos político e econômico com uma virtuosidade exemplar, a Itália estará sempre presente não apenas nas mesas de negociação mundial, mas também nos grandes palcos artísticos mundo afora.
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