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15/07/20 às 23:47 / Atualizada: 16/07/20 às 01:07

Em Mato Grosso a taxa de analfabetismo em 2019 foi de 6,2%

Raquel Gomes e Luiza Goulart | SDI/IBGE

com redação Agua Boa News

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Em 2019, havia 166 mil pessoas com 15 anos ou mais que não sabiam ler e escrever em Mato Grosso, o equivalente a uma taxa de analfabetismo de 6,2%, aponta o módulo Educação da Pesquisa Anual por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) 2019. Em relação a 2018, quando esse índice era de 7,1%, houve uma redução de 22 mil analfabetos no estado. Entre pessoas brancas, 4,2% eram analfabetas no ano passado, enquanto para as de cor preta ou parda a taxa chegou a 7,1%. A diferença entre homens (6,1%) e mulheres (6,4%) foi de 0,3 ponto percentual a mais para elas.

A PNAD Continua Educação retrata o panorama educacional no país, com indicadores que mostram analfabetismo; nível de instrução e número médio de anos de estudo; taxa de escolarização e taxa ajustada de frequência escolar líquida; abandono escolar; condição de estudo e situação na ocupação; aspectos da educação profissional, entre outras abordagens.

Entre a população com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo foi de 23,2% em Mato Grosso em 2019. Entre os homens esse índice cai para 20,4% e, entre as mulheres, aumenta para 25,9%. A diferença da taxa de brancos (14,9%) e de pretos ou pardos (27,4%) chega a 12,5 pontos percentuais.

A PNAD Contínua mostra que a taxa de escolarização, que mede a proporção de pessoas na escola em relação ao total na faixa de idade, no estado aumentou de 50,1%, em 2018, para 54,5%, em 2019, na faixa de 0 a 5 anos e se manteve estável nos outros grupos etários: 92,5% de 4 e 5 anos; 99,6% de 6 a 14 anos; 88,8% de 15 a 17 anos; 30,5% de 18 a 24 anos; e 5,8% de 25 anos ou mais. No geral, a taxa de escolarização de Mato Grosso foi de 29,2% no ano passado. Desde 2013, a idade escolar obrigatória é dos 4 aos 17 anos.


Entre os mato-grossenses com 25 anos ou mais, em 2019, 40,6% não tinham instrução nem ensino fundamental, 13,4% tinham fundamental completo e médio incompleto, 29,1% tinham médio completo (ou curso equivalente) e superior incompleto e 16,9% tinham superior completo. Entre os brancos, 22,4% tinham ensino superior, enquanto que, entre os pretos ou pardos, 14,3% tinham ensino superior. Essa taxa, porém, cresceu nos últimos anos: era de 10,3%, em 2016, de 11%, em 2017, e de 12,6%, em 2018.

Segundo a pesquisa, o número médio de anos de estudo aumentou no estado em todas as categorias, tanto na comparação com 2018 quanto em relação a 2016, com exceção de brancos de 25 anos ou mais, em que permaneceu estável entre 2018, com 9,8, e 2019, com 10,1. No geral, o número médio de anos de estudo das pessoas de 15 anos ou mais aumentou de 9,3, em 2018, para 9,6, em 2019. Já entre os mato-grossenses de 25 anos ou mais, essa média subiu de 9,0 para 9,3.

O estudo aponta ainda que a maior parte das crianças e adolescentes do estado estudavam na rede pública em 2019: dos 476 mil estudantes no fundamental, 87,6% eram da rede pública e 12,4% da rede privada; dos 140 mil alunos no ensino médio, 93,8% eram da rede pública e 6,2% da rede privada. Já na universidade ocorre ao contrário e a maior parte estudava em instituição particular: dos 154 mil universitários de Mato Grosso no ano passado, 26,4% estudavam em universidade pública, enquanto 73,6% cursavam a faculdade em instituição privada.

Permanecem estáveis os problemas do atraso escolar e da evasão, mais característicos do ensino médio (15 a 17 anos), onde foi registrada em Mato Grosso, em 2019, taxa de frequência líquida de 76,7%, ou seja, 23,3% dos alunos estavam atrasados ou tinham deixado a escola. A taxa de frequência líquida nessa faixa era menor para pretos ou pardos (75%) do que para brancos (81,1%). Esse indicador era menor para homens (75,4%) do que mulheres (78%).

Em Cuiabá, das 397 mil pessoas com 25 anos ou mais de idade em 2019, 101 mil (25,5%) eram sem instrução ou tinham o fundamental incompleto, 42 mil (10,6%) tinham o fundamental completo e o ensino médio incompleto, 139 mil (34,9%) tinham o ensino médio completo e o superior incompleto, e 115 mil (29%) tinham o ensino superior completo. Entre os homens essa taxa cai para 26,8% e, entre as mulheres, sobe para 30,9%. Já em 2016, o índice de pessoas com ensino superior era de 22,7%, 6,3 pontos percentuais a menos.

No Vale do Rio Cuiabá, havia 29 mil analfabetos com 15 anos ou mais de idade em 2019, sendo 14 mil homens e 15 mil mulheres, enquanto que, em 2018, eram 30 mil analfabetos. Entre os moradores com 60 anos ou mais de idade, eram 19 mil analfabetos em 2019, sendo 8.000 homens e 11 mil mulheres, enquanto que, em 2018, eram 18 mil analfabetos. Já em 2016, havia 25 mil analfabetos com 15 anos ou mais e 16 mil analfabetos com 60 anos ou mais de idade.


Mais da metade das pessoas de 25 anos ou mais no Brasil não completaram o ensino médio

Apesar da proporção de pessoas de 25 anos ou mais com ensino médio completo ter crescido no país, passando de 45,0% em 2016 para 47,4% em 2018 e 48,8% em 2019, mais da metade (51,2% ou 69,5 milhões) dos adultos não concluíram essa etapa educacional. Entre as pessoas de cor branca, 57,0% tinham concluído esse nível no país, enquanto essa proporção foi de 41,8% entre pretos ou pardos.

A pesquisa está divulgando pela primeira vez dados sobre abandono escolar. Das 50 milhões de pessoas de 14 a 29 anos do país, 20,2% (ou 10,1 milhões) não completaram alguma das etapas da educação básica, seja por terem abandonado a escola, seja por nunca a terem frequentado. Desse total, 71,7% eram pretos ou pardos.

Os resultados mostraram ainda que a passagem do ensino fundamental para o médio acentua o abandono escolar, uma vez que aos 15 anos o percentual de jovens quase dobra em relação à faixa etária anterior, passando de 8,1%, aos 14 anos, para 14,1%, aos 15 anos. Os maiores percentuais, porém, se deram a partir dos 16 anos, chegando a 18,0% aos 19 anos ou mais.

Entre os principais motivos para a evasão escolar, os mais apontados foram a necessidade de trabalhar (39,1%) e a falta de interesse (29,2%). “Esses dois principais motivos somados alcançam cerca de 70% desses jovens, independentemente da região, e sugerem a necessidade de medidas que incentivem a permanência dos jovens na escola. A taxa de analfabetismo no país (6,6%) está em queda constante, atingindo quase à universalização do ensino. Mas elevar o nível de escolarização até a conclusão do ensino médio ainda parece ser um desafio”, comenta a analista da pesquisa Adriana Beringuy. Entre as mulheres, destaca-se ainda gravidez (23,8%) e afazeres domésticos (11,5%).

No total, 56,4 milhões de pessoas frequentavam escola ou creche em 2019. A taxa de escolarização foi de 35,6% (3,6 milhões) para crianças de 0 a 3 anos, 92,9% (5 milhões) na faixa de 4 e 5 anos, 99,7% (25,8 milhões) dos 6 aos 14 anos – percentual próximo à universalização –, 89,2% (8,5 milhões) de 15 a 17 anos, 32,4% (7,3 milhões) de 18 a 24 anos e 4,5% (6,1 milhões) para 25 anos ou mais.

O atraso ou abandono escolar atingia 12,5% dos adolescentes de 11 a 14 anos e 28,6% das pessoas de 15 a 17 anos. Entre os jovens de 18 a 24 anos, quase 75% estavam atrasados ou abandonaram os estudos, sendo que 11% estavam atrasados e 63,5% não frequentavam escola e não tinham concluído o ensino obrigatório. Por outro lado, a taxa de frequência líquida das pessoas de 15 a 17 anos cresceu 2,1 p.p em relação a 2018, com mais de 70% dessa faixa etária na etapa escolar adequada.

Entre as pessoas de 15 a 17 anos de idade, ou seja, em idade escolar obrigatória, 78,8% se dedicavam exclusivamente ao estudo. No entanto, considerando as 46,9 milhões de pessoas de 15 a 29 anos de idade, 22,1% não trabalhavam, não estudavam, nem se qualificavam, sendo que entre as mulheres esse percentual foi de 27,5% e entre pessoas pretas e pardas, 25,3%.

Dentre outros indicadores, a pesquisa mostrou ainda que a taxa de analfabetismo está em 6,6%, o que corresponde a 11 milhões de pessoas, sendo que mais da metade (56,2% ou 6,2 milhões) vive na região Nordeste. Para pretos e pardos, a taxa é 5,3 p.p maior do que para brancos (8,9% e 3,6%).
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