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31/05/20 às 19:09 / Atualizada: 31/05/20 às 19:35

Encontros e Desencontros - Entregue para outra família, filha encontra mãe biológica após 40 anos

Vitória Lopes, Gazeta Digital

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Encontros e Desencontros - Entregue para outra família, filha encontra mãe biológica após 40 anos

Foto: Arquivo pessoal

Quando colocou os pés no mundo, a pequena Patrícia nem sabia dos encontros e desencontros que estavam por vir. Adotada por outra família quando era um bebê de 3 meses, Patrícia – que agora é Elcimara Bertúlio de Souza Martins – ficou 40 anos sem conhecer sua mãe biológica.

Há mais de três meses, a analista de vendas entrou em contato com a reportagem do Gazeta Digital para contar sua história e pedir ajuda para localizar a mãe. Atualmente com 42 anos e moradora de Palhoça (SC), Elcimara tinha como única informação o nome da mãe: Lourdes.
 
A esperança de encontrar a progenitora reacendeu quando sua mãe adotiva veio para Cuiabá em abril deste ano, e visitou uma antiga patroa de Lourdes. Novas informações foram repassadas, como o fato de que ela teria trabalhado como empregada doméstica da senhora em 1978, que na época morava na rua Corumbá, próximo a Igreja São Benedito.

No entanto, Lourdes não tinha condições de criá-la e a deixou com a patroa. Ela retornou para buscar a filha, que já tinha por volta de 4 anos, porém, bateu de frente com o primeiro desencontro: a criança tinha sido dada para outra família. Desesperada, a mulher não conseguiu contato com a família que adotou Elcimara.

O (re)encontro

Elcimara relata que assim que a matéria foi publicada, no dia 2 de março, ela divulgou nas redes sociais. Dias depois, alguém entrou em contato com ela e disse que possivelmente elas seriam primas.

“Era uma coisa que falaram escondido, porque era segredo da família. Uma tia, que é irmã da minha mãe biológica, falou comigo e disse: eu tenho certeza que é você”, conta a analista.

Conversando aos poucos com primos e outras pessoas da família, Elcimara não entrou em contato imediato com Lourdes. Ela descobriu que, na verdade, a mulher estava morando em um sítio em Chapada dos Guimarães. Por ser um local afastado, o sinal do telefone é complicado.

Com as informações batendo, a certeza de que Elcimara era a filha perdida de Lourdes veio ao analisar fotos. Além da semelhança entre mãe e filha, o filho de Elcimara se parece muito com seu irmão mais novo – a analista descobriu ainda que tem três irmãos.

Foi no Dia das Mães que o reencontro das duas ocorreu, com todo o simbolismo que a data carrega. “Eu não sei te explicar, foi algo fora do normal. Você sabe que é sua mãe biológica, e vai ouvir a voz dela depois de 42 anos, sendo que você ouve desde dentro da barriga. Ao mesmo tempo foi emocionante. Ela é uma mulher muito simples, chorou muito, me pediu perdão, e sempre pedia a Deus para me encontrar”, relembra a primeira conversa.

Lourdes ainda explicou para a filha que tinha dois filhos mais velhos, que foram criados pela família dela. Por um infortúnio, ela acabou perdendo Elcimara quando foi adotada por outra família.

“Ela tinha perdido as esperanças. O marido da patroa me entregou pro meu padrinho, e na época era professor da universidade. Logo depois, meu padrinho se mudou pra Curitiba. Então quando ela me procurou, ela achava que eu estava no Paraná. Porém, estava aqui, com o meu pai adotivo”, relata. As duas mantem contato sempre que podem.

Agora, o reencontro das duas precisa passar por mais uma provação. Com a pandemia do coronavírus, fica complicado Elcimara visitar a mãe e os parentes em Mato Grosso. Contudo, ela torce para que a situação se amenize em dezembro, porque um Natal em família já está programado.

“Eu posso ir até Mato Grosso para conhecê-los, fazer o DNA, por mais que a gente veja semelhança, mas só pra ficar tudo certinho”.


A seguir a matéria foi publicada, no dia 2 de março


Chama-se Lourdes
Após 40 anos, filha procura a mãe biológica em Cuiabá
 
Por: Vitória Lopes, Gazeta Digital
 
Reprodução
Reprodução
Há 7 anos morando em Palhoça (SC), Elcimara Bertúlio de Souza Martins busca pela mãe biológica, identificada apenas por  Lourdes, em Cuiabá. Adotada por outra família quando era um bebê de apenas 3 meses, a analista de vendas, atualmente com 41 anos, nunca conheceu a sua progenitora.
 
De acordo com Elcimara – que antes de ser adotada se chamava Patrícia -, há poucas informações sobre sua mãe biológica. Ela se chama Lourdes e "trabalhou em 1978 como empregada doméstica da senhora Nilza Ricardino, que na época morava na rua Corumbá, próximo a Igreja São Benedito". 
 
A analista conseguiu as novas informações após sua mãe adotiva visitar Nilza, na última sexta-feira (28). 
 
Lourdes teve “Patrícia”, mas não tinha condições de criá-la. “Fui adotada com 3 meses e minha mãe se mudou. A informação que temos é que ela trabalhou com a Nilza, me deixou com ela e foi embora. A Nilza tinha um filho com a mesma idade e não tinha como ficar com duas crianças”, relata.
 
Lourdes teria voltado casada e com melhores condições financeiras para buscar a filha. No entanto, ela já havia sido adotada por outra família. Elcimara estima que a mãe biológica retornou quando ela já tinha 4 anos.
 
Nilza Ricardino, por sua vez, relembra que Lourdes pediu para ela criar a menina por um tempo, até estar com melhores condições. A mulher também sugeriu que ela pudesse ser entregue para outra família. “Ela disse que se eu quisesse ficar com a criança, ela deixava comigo. Eu falei tudo bem, tenho 3 meninos, ia gostar de ficar com uma menina. Mas trabalhava dois períodos, não tinha como ficar com a bebê e as crianças pequenas”.
 
A menina então foi entregue para a família de um professor do ex-marido de Nilza. Por ter se apegado à criança nos 3 meses que passaram juntas, ela decidiu não ter mais contato com os pais adotivos. Quando Lourdes retornou, Nilza relembra que ela chorou muito.
 
“Ela voltou disse que tinha se casado, que o marido aceitava o neném e pediu para passar o endereço pra busca-la, mas eu perdi e não tinha mais contato. Soube que pela última vez, eles haviam mudado de cidade. Ela chorou muito”, lamenta.
 
Nilza informa ainda que, na época, Lourdes devia ter entre 20 e 22 anos – ou seja, atualmente deve estar na faixa dos 60 anos. Ela era morena, cabelos castanhos claros e alisados, além de ser bem magrinha. 
 
Morando em Santa Catarina, Elcimara disse que vai registrar um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), no Núcleo de Desaparecidos.
 
Se alguém tiver informações sobre Lourdes, uma mulher por volta dos 60 anos e que trabalhou na casa de Nilza Ricardino em 1978, na rua Corumbá, próximo a Igreja São Benedito, pode entrar em contato com Elcimara pelo número (48) 99654-1743.
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