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01/04/20 às 23:04

Corte de salário de parlamentares é essencial durante a pandemia de COVID-19

Antonio Tuccílio, presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

Antonio Tuccílio

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Corte de salário de parlamentares é essencial durante a pandemia de COVID-19

Antonio Tuccílio, presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

Recentemente, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), disse em entrevistas que está articulando proposta com os partidos políticos para redução de salários de servidores. Ele defende que, devido à crise mundial que se instaurou com a pandemia da COVID-19, essa é a hora de sacrifícios para diminuir gastos públicos. 
 
Eu também concordo que é hora de sacrifícios. Por essa razão, tenho uma proposta melhor e mais coerente que a dele: cortar salários e benefícios de parlamentares. Vamos aos números.
 
O salário de um parlamentar é de R$ 33.763. Essa remuneração é superior a 99% dos trabalhadores. Além dessa alta quantia, parlamentares recebem R$ 4.253,00 de auxílio moradia, como se um salário superior a R$ 33 mil não permitisse, com folga, arcar com custos de aluguel. Há também verba de R$ 111.675,59 para contratação de até 25 funcionários, que são escolhidos a critério do próprio parlamentar.
 
O presidente da Câmara tem direito a outras regalias, como carro oficial com dois motoristas à disposição, gabinete exclusivo, residência oficial de 800 m², viagens em aviões da Força Aérea Brasileira e verbas para contratar 47 funcionários, além dos 25 que já tem direito, que custam em torno de R$ 4,2 milhões por ano.
 
Apenas em 2019, o Congresso gastou quase R$ 190 milhões com o pagamento de despesas que incluem alimentação, aluguel de veículos, combustíveis (gasolina ou álcool), passagens aéreas, entre outros. Somando todos os gastos, o Congresso Nacional é o mais caro do mundo, perdendo apenas para o dos EUA.
 
Com o número crescente de casos de COVID-19, especialistas acreditam que podem faltar recursos para atender os doentes. Essa é a oportunidade que a Câmara, liderada por Maia, tem de demonstrar o seu patriotismo. Com a redução de salários dos deputados seria possível comprar respiradores artificiais suficientes para todas as Unidades de Tratamento Intensivo (UTI). Também seria possível construir mais instalações médicas para recebimento de doentes e adquirir milhões de testes para detecção da presença do vírus.
 
Portanto, ao invés de cortar salários de servidores públicos, o que seria desrespeitoso, desumano e prejudicaria centenas de famílias, Rodrigo Maia e os demais parlamentares devem abrir mão de parte de seus salários e de suas regalias em prol da saúde do povo brasileiro. Se quiserem sacrifícios, que comecem dando o exemplo.
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