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24/03/20 às 14:26 / Atualizada: 24/03/20 às 14:44

Pandemia do coronavírus evidencia a falta de armazéns de grãos no Mato Grosso

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Pandemia do coronavírus evidencia a falta de armazéns de grãos no Mato Grosso

Foto: AGRNotícias

Das sete regiões do Mato Grosso, de acordo com a divisão do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), três delas já concluíram a colheita da soja e outras três em fase final. A região Nordeste, que compreende o Médio e o Baixo Araguaia, como historicamente acontece, é a mais atrasada, com 93,74% da soja colhida. Ou seja, ainda tem soja no campo que precisa ir para os armazéns.

A produção de soja esperada nesta safra em Mato Grosso é de 34.013.783 milhões de toneladas. Já em relação ao milho, o Imea estima uma produção de 32.440.723 milhões de toneladas. Somente as duas principais culturas do Estado, somam 66.454.506 milhões de toneladas, o maior produtor brasileiro de grãos. Todo ano, o desafio no escoamento desses grãos esbarra na capacidade estática de armazenamento do Estado.

Conforme reportagem publicada pela AGRNotícias em novembro de 2019, Mato Grosso é o estado brasileiro com menor porcentagem de capacidade de armazenagem estática entre os principais produtores de grãos do País. Enquanto tem uma produção superior a 66 mi/t, possui uma capacidade de armazenagem de pouco mais de 37 mi/t, o que representa apenas 56% de sua produção. Os dados foram colhidos pela AGR, em levantamento junto à Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Apesar da baixa porcentagem de armazéns em Mato Grosso, em anos normais há uma certa fluidez na entrega da soja e do milho. Isso, porque os armazéns já vão levando para os portos a produção assim que ela chega. Para dar conta disso, cada armazém chega a processar duas vezes a sua capacidade a cada safra. Mas em anos com muita chuva, ou mesmo, com coronavírus (Covid – 19), a situação se agrava, devido justamente à dificuldade para o escoamento para os portos.

Canarana e Querência

Localizadas no Nordeste do Estado, a colheita da soja foi concluída na primeira semana de março no município de Querência-MT, o maior produtor da região. Já em Canarana-MT, segundo maior produtor de soja, restam ainda cerca de 10% para serem retirados das lavouras. 

A capacidade de armazenagem estática em Canarana é de 772.140 toneladas, conforme a Conab. A produção de soja nesta safra deve ultrapassar 900 mil toneladas. Para o milho, são previstos quase 500 mil toneladas, somando aproximadamente 1,4 mi/t, fora outras culturas. Com esses números, Canarana possui apenas 55% de armazenagem estática levando em conta apenas a soja e o milho. Querência possui capacidade de 1.224.727 mi/t e a previsão é que colha entre soja e milho, quase 2,5 mi/t, possuindo uma capacidade menor que 50%.


Foto: Senar MT

Como Querência já concluiu a colheita da soja, não há, até então, mais riscos. Porém, em Canarana, restando 10%, há um temor em se conseguir receber essa produção do campo. Conforme representantes dos armazéns nos municípios, a grande maioria destes está lotada e, por conta do coronavírus, está sendo difícil de conseguir caminhoneiros para levar as cargas até os portos, para poder liberar espaço e receber o que ainda está sendo colhido. Se a crise do coronavírus tivesse acontecido um mês antes, os prejuízos seriam bilionários em todo o Estado.

Soluções


Presidente da Aprosoja MT – Antonio Galvan

Em entrevista para a AGRNotícias, o presidente da Aprosoja-MT (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso), Antônio Galvan, disse que, no mínimo, deveria existir a mesma capacidade de armazenamento do que se produz. “Mas o certo é ter a capacidade de 1.2. Por exemplo, se colhe 100 milhões de toneladas de grãos, o bom seria ter 120 milhões de toneladas de capacidade estática, sempre uma sobra de 20%, para você conseguir estocar de um ano para o outro, por várias razões. Em anos com muita oferta de produto e preços baixos, você consegue segurar o produto”.
 
Para o presidente, é importante a construção de mais armazéns comerciais no Mato Grosso, mas a Aprosoja defende que os próprios agricultores possam construí-los em suas propriedades. “Nós temos cobrado do Governo Federal a liberação de recursos para que o produtor possa construir o armazém em sua propriedade. Caso o produtor for pequeno, que se una com outros numa forma de associação, ou condomínio, ou pequenas cooperativas. Queremos um juro abaixo do que está sendo cobrado hoje, para poder aumentar a capacidade estática dentro das propriedades, porque o produtor vai pagar menos frete, visto que temos em muitos lugares estradas ruins”.
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