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17/02/20 às 08:36

Nise da Silveira, psiquiatra brasileira conhecida mundialmente, aluna de Jung, é homenageada pelo doodle do Google

Marcelo Ribeiro, hypescience.com

AguaBoaNews

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Nise da Silveira, psiquiatra brasileira conhecida mundialmente, aluna de Jung, é homenageada pelo doodle do Google

Foto: Arquivo Ministério da Saúde

A médica psiquiatra brasileira Nise da Silveira — uma importantíssima figura na luta antimanicomial mundial — estaria fazendo 115 anos hoje.
Manicômios sempre foram, durante séculos, uma maneira de afastar os indesejáveis dos olhos dos “normais”. E quando digo “indesejáveis” não estou falando apenas daqueles que sofrem de aflições mentais, mas de todos aqueles que, de certa maneira, não se encaixam nos padrões ditados pela moral da época. Também se encaixavam nessa categoria deficientes físicos, moradores de rua de todas as idades (inclusive crianças), mulheres que engravidaram fora do casamento, pessoas totalmente saudáveis que precisavam ser trancafiadas por interesses específicos como esposas indesejadas, irmãs que receberiam parte de uma herança.


Este costume de trancafiar os desvalidos e indesejados vem desde a Europa renascentista e perdura até hoje na sociedade contemporânea. As condições de vida nestas instituições eram e são, quase sempre, apavorantes no pior caso e indignas no melhor. Quem entrou saudável vai desenvolver problemas mentais e físicos e quem entrou doente fica ainda pior.
Nise da Silveira e seu papel na luta antimanicomial
A psiquiatra Nise da Silveira revolucionou o tratamento mental no Brasil. Ela se opôs radicalmente contra as técnicas violentas que eram consideradas tratamento mental em sua época: internamentos perpétuos, eletrochoque, lobotomias, etc. que, além de cruéis, costumavam transformar os pacientes em inválidos completos. Ela também foi a primeira a descobrir o valor terapêutico da interação entre pacientes e animais.
Nise da Silveira foi a única mulher a se formar médica em uma classe com 157 homens na Faculdade de Medicina da Bahia. Foi uma das primeiras mulheres a se tornar médica formada no país. Ela e seu marido não tiveram filhos com o objetivo específico de dedicarem suas vidas à medicina. Publicou inúmeros artigos científicos que conectavam pobreza e desigualdade a doenças no Brasil.
Por recusar-se a aplicar as técnicas cruéis de eletrochoque foi transferida para uma unidade desprezada pelos médicos, a “Seção de Terapêutica Ocupacional”. Ela revolucionou o tratamento psiquiátrico no Brasil ao modificar a unidade que assumiu. Ao invés dos pacientes praticarem limpeza e manutenção ela criou ateliês de pintura e modelagem para reconectar seus pacientes com a realidade através da expressão artística.

Ela também introduziu animais ao hospital, que deveriam ser cuidados pelos pacientes, criando assim vínculos afetivos estáveis em suas vidas.
Nise possui ao menos sete livros publicados e incontáveis artigos científicos.

Suas contribuições para a medicina são reconhecidas mundialmente. E, em 2016, foi lançado um filme longa metragem que retratou parte de sua luta Nise: O Coração da Loucura.
 
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