Notícias / Agricultura

29/01/20 às 08:39 / Atualizada: 29/01/20 às 09:50

Abertura da Índia para o gergelim do Brasil anima produtores de Mato Grosso

Confirmado pelo Ministério da Agricultura, o sinal verde pode ajudar no desenvolvimento da cultura no estado e diminuir a oscilação dos preços pagos pela oleaginosa

Pedro Silvestre/Canal Rural

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Abertura da Índia para o gergelim do Brasil anima produtores de Mato Grosso

Gergelim deve ocupar 70 mil hectares em Canarana-MT nesta safra

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural

Opção de cultura para a segunda safra, o gergelim é cultivado após a colheita da soja, disputando terreno com o milho. Nos últimos anos a oleaginosa tem ganhado espaço em Mato Grosso, especialmente em Canarana – na região leste do estado. O município é responsável por 90% do gergelim produzido no Brasil, segundo estimativas do Sindicato Rural.

Na última safra, os 50 mil hectares plantados com gergelim em Canarana renderam 27 mil toneladas do grão. A expectativa é de que este ano a área salte para 70 mil hectares, com produção prevista em torno de 40 mil toneladas. A expansão é um reflexo do maior interesse internacional pela oleaginosa brasileira, e com a abertura do mercado indiano, o otimismo dos agricultores fica ainda maior.

Com duas décadas de investimento no gergelim, o Diego Dallasta vai ampliar a aposta na cultura. A área destinada à produção deve saltar de 600 para 1.300 hectares nesta safra. “Estamos ampliando área de plantio principalmente pela melhora no cenário internacional na demanda do gergelim e tbm pelas empresas exportadoras que se instalaram na cidade, construindo silos de armazenagem, limpeza, compra e venda do grão, o que gera concorrência e necessidade de compra pelo produto”, explica.

Segundo o Ministério da Agricultura, as exportações brasileiras de sementes de gergelim cresceram 596% de 2018 para 2019, saltando de US$ 3,7 milhões para US$ 25,4 milhões. No ano passado, os principais destinos foram Vietnã (25%), Guatemala (15%), Turquia (12%) e Arábia Saudita (12%). A esperança dos agricultores é de que o sinal verde da Índia amplie as vendas e diminua a oscilação dos preços.

Produtor de gergelim também em Canarana, Marcos da Rosa considera a abertura uma importante conquista para o setor. “Nós participamos com apenas 1% das necessidades do mercado mundial de gergelim e estávamos restritos a praticamente 2 ou 3 países. Esse trabalho para a liberação da Índia e também da China – que não ocorreu ainda – é muito importante para o produtor de gergelim do Brasil, especialmente de Mato Grosso e de Canarana. Cria expectativa de que tenhamos maiores compradores no mercado e portanto menor pressão de preços em cima dos produtores”, analisa.

A previsão de aquecimento no mercado da oleaginosa também tende a impulsionar os investimentos na cultura em outras regiões do estado. É o que estima a Associação dos Produtores de Feijão, Trigo e Irrigantes de Mato Grosso (Aprofir-MT), que também tem o gergelim entre as culturas “abraçadas”. Segundo Afrânio Migliari, que é diretor-executivo da entidade, a área destinada à cultura pode chegar a 200 mil hectares já este ano. “Com esta abertura teremos muito mais oportunidades, não só para a região de Canarana – que é um polo na produção de gergelim – como também para outras regiões do estado. Já vamos ter gergelim na região de Sorriso, Campo Novo do Parecis, Nova Ubiratã. A cultura está se espalhando para o estado inteiro e como uma boa oportunidade para o produtor, como opção para a segunda safra”, afirma.

Quanto ao início das exportações de gergelim para a Índia, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do MAPA, Orlando Ribeiro, informou que o “assim que concluída a ARP (análise de risco de praga), o grão brasileiro está apto para ser exportado para o país asiático. Não há quota ou qualquer tipo de restrição quantitativa. O produto brasileiro pagará uma tarifa ‘ad valorem’ de 30%”. Ribeiro comentou ainda que a apesar de produzir gergelim, “a Índia importou US$ 60 milhões no ano passado”. Segundo ele, “não dá para dizer que esse será o teto das exportações brasileiras, pois, se o preço for competitivo, há a possibilidade de exportarmos ainda mais, deslocando a produção interna indiana”, concluiu o secretário.
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