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06/01/20 às 11:33

Deu na Gazeta - Casos de menores desaparecidos sem solução desafiam a polícia

Elayne Mendes, Gazeta

AguaBoaNews

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Deu na Gazeta - Casos de menores desaparecidos sem solução desafiam a polícia

Foto: Divulgação

Entre janeiro e novembro de 2019, 1.933 pessoas foram consideradas desaparecidas em Mato Grosso. Desse total, 36,8% é referente a menores com idade de 0 a 17 anos. Dentre as faixas etárias expostas nas estatísticas da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), crianças com idade entre 12 e 17 anos são a maioria, com 614 registros. Segundo o Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Polícia Civil, a maioria dos casos notificados na Grande Cuiabá são solucionados. Porém, especialmente em cidades do interior, há aqueles que são considerados emblemáticos e desafiadores. O caso do pequeno Flávio Henrique de Souza, desaparecido desde o dia 15 de janeiro de 2015, em Peixoto de Azevedo (691 km ao norte de Cuiabá) é um dos que nunca foram desvendados.
 
Flavinho como era carinhosamente chamado pelos familiares e amigos, sumiu após chegar de viagem na casa da avó materna. Ele brincava no quintal da residência e no dia não haviam desconhecidos no local. Uma das hipóteses levantadas pela mãe do menino, Silvana Aparecida da Silva, 35, é que convidados de uma festa que acontecia na propriedade vizinha tenham levado o menino. “Até hoje não tem explicação plausível e a polícia parece que não faz questão de continuar com as investigações. Me sinto totalmente impotente diante dessa situação”.
 
 
Silvana tem outros dois filhos, um menino de 16 anos e uma menina de 13 anos. Afirma que assim como ela, os irmãos também tem esperanças de encontrar Flavinho. “Temos fé que ele está vivo e ainda voltará para nossa família”.
 
No próximo dia 15, completará 5 anos que o filho caçula de Silvana desapareceu sem deixar qualquer vestígio. O caso ganhou repercussão nacional e em 2018 a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo chegou a fazer uma progressão de como Flavinho estaria, na época com 6 anos. “Agradeci imensamente à empresa Águia Sul que adesivou a frota com a imagem, pedindo para ajudar a localizá-lo. Vi mais empenho da população em geral, do que da própria polícia”, critica a mãe do garoto.
 
 
Além de Flavinho, há cerca de dois meses e meio, Samuel Victor da Silva Gomes Carvalho, 6, de Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá) também desapareceu e até o momento familiares não têm pista de seu paradeiro. Ele foi visto pela última vez no dia 20 de outubro de 2019. Segundo sua mãe, Anelice Silva, ele desapareceu em uma tarde de domingo, quando saiu da casa da avó materna onde vivia, para brincar com amigos e desde então seu paradeiro é incerto. “Eu tenho 4 filhos, Samuel é o mais velho. Minha caçula acabou de completar um mês de vida. Ela se chama Ana Heloísa, nome que o Samuel escolheu. Meu sonho é ter todos os meus filhos comigo. Sofro diariamente com essa situação”.
 
Dois cães farejadores chegaram a ser usados para ajudar nas buscas por Samuel. Hórus e Zafira procuraram pelo garoto por dois dias, mas sem sucesso. A polícia também realizou buscas em regiões de mata e rio, e também não encontram pistas do menino.
 
 
Apesar da aflição devido à falta de notícias, Anelice afirma sentir que seu filho está vivo e sendo bem cuidado. Pensa que a pessoa que o pegou está com medo de devolver devido à repercussão que o caso ganhou na mídia. “Mas, peço encarecidamente que entreguem meu filho para a nossa família. Não precisa nem se identificar, só o deixe aqui na porta de casa, de onde o levaram. Falta uma parte de nós sem ele aqui”.
 
Outro caso que recentemente veio à tona é do sumiço de Claudemir Ramos Quintino, 10, de Nova Ubiratã (502 km ao norte). Ele teria desaparecido no dia 15 de dezembro do ano passado, logo após sair de sua residência com destino à casa do irmão que mora no mesmo distrito de Entre Rios, região rural da cidade.
 
 
De acordo com o delegado Nilson Farias, muitos mistérios rondam o caso, já que a família só registrou o boletim de ocorrência referente o desaparecimento 4 dias após o ocorrido. Além disso, os familiares do menino resistiram em comparecer na delegacia para prestar depoimento. “Ele morava com a mãe e o padrasto. O pai é de Sinop e não conseguimos localizá-lo”.
 
Devido as diferentes circunstâncias que rondam a ocorrência, Farias explica que também é ampla as linhas de investigação. Diz que pode se tratar desde um homicídio com ocultação de cadáver, a um sequestro, por exemplo. “Recebemos muitas informações anônimas e estamos checando uma a uma. A mãe, inclusive, disse que uma pessoa afirmou ter visto o menino na cidade de Feliz Natal”, frisa o delegado.
 
Na última quinta-feira (2), uma equipe de buscas bombeiro-cão do Corpo de Bombeiros Militar foi até Nova Ubiratã e realizou buscas pelos arredores das casas onde a criança tinha costume de frequentar. Como não houve mudança no comportamento do cão nas áreas indicadas, estas foram descartadas e as informações foram repassadas às polícias Militar e Civil local. “Resta agora o aguardo de novas informações pela equipe de investigação da polícia civil para que seja dado a continuidade ou interrupção das buscas nas regiões e áreas de interesse com utilização do cão Luke”, diz trecho da nota do Corpo de Bombeiros.
 
Farias informou que como a cidade onde o menino sumiu conta apenas com 3 investigadores, a partir da próxima segunda-feira (6), o caso passará a ser responsabilidade da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Sorriso (420 km ao norte). “Acho que assim o caso terá a atenção que merece e logo deve ser solucionado”.
 
 
Estatísticas
O quantitativo de desaparecidos no estado até o penúltimo mês de 2019, é 11% maior que o registrado em todo o ano de 2018, quando foram registrados 1.740 desaparecimentos. Porém, em se tratando de vítimas com idade até 17 anos, houve uma redução de 4,7%, passando de 746 para 711.
 
Conforme a Polícia Civil, na Grande Cuiabá o índice de localização de desaparecidos chega a 90%. E para ajudar ampliar a divulgação de pessoas desaparecidas, o Núcleo de Pessoas Desaparecidas da DHPP criou em 2016, no Facebook, a página “Desaparecidos - Polícia Civil Mato Grosso”. A Polícia frisa que apesar do setor ser responsável apenas por desaparecimentos registrados na região metropolitana, presta apoio às unidades do interior do estado, caso seja requisitado e também a outros estados, uma vez que a troca de informações é fundamental no processo de levantamento e cruzamento de dados.
 
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