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15/11/19 às 07:29 / Atualizada: 16/11/19 às 07:15

Pesquisadores da Unemat alertam sobre risco de invasão do Tucunaré no Rio Paraguai

Lygia Lima | Unemat

AguaBoaNews

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Pesquisadores da Unemat alertam sobre risco de invasão do Tucunaré no Rio Paraguai

Foto: Moisés Bandeira

Esta quinta-feira, 14 de novembro é o dia do Rio Paraguai, um dos principais formadores do Pantanal, que vem sofrendo o risco de ver várias espécies de peixes sendo reduzidas por conta da invasão de um predador, o Tucunaré, cujo ambiente natural é a Bacia Amazônica. Os pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) estão desenvolvendo o projeto de pesquisa, que deve ser concluído no final de 2020, em que são estudados os efeitos da presença do invasor em riacho de cabeceira do Pantanal e no próprio Rio Paraguai.

O professor doutor em Ecologia, Wilkinson Lopes Lázaro, da Unemat, que coordena o projeto e iniciou os trabalhos em 2018, destaca que o Rio Paraguai e os pesquisadores estão em estado de alerta. “Quando iniciamos o projeto pensávamos que só havia a presença do tucunaré no córrego Padre Inácio em Cáceres, mas ao iniciarmos o trabalho de campo, identificamos e coletamos exemplares desde o Hotel Baiazinha até a Foz do Rio Sepotuba. Esse fato demonstra que o tucunaré já está presente no Rio Paraguai, o que causa grande preocupação entre os pesquisadores”, afirmou.

De acordo com o professor, o tucunaré é uma espécie exótica, oriunda da Bacia Amazônica e que foi introduzido na região do Pantanal por meio de criatórios, cujas represas se romperam. “No Córrego Padre Inácio, havia relatos da presença do tucunaré há pelo menos 30 anos, mas no Rio Paraguai essa presença é recente. Nós estamos trabalhando com duas linhas de investigação: a de que o tucunaré esteja utilizando o rio como corredor para chegar às baías, ou de que ele esteja sofrendo uma adaptação comportamental para viver nas águas do Rio Paraguai, que é mais turva do que as que a espécie normalmente habita”. 

Em qualquer das hipóteses, os pesquisadores alertam para os riscos da perda da biodiversidade, isso porque na Bacia do Pantanal ele não tem um predador natural como garças, alguns felinos, o hábito alimentar da população, e alguns peixes. “Aqui, o ambiente não consegue reconhecer esse indivíduo (tucunaré) e, então, ele está com a faca e queijo na mão”, resume o pesquisador. Dessa forma, a espécie invasora pode se multiplicar rapidamente e ameaçar outras espécies como traíras, peraputangas e outros peixes pequenos que compõem a biodiversidade do Rio Paraguai.

A pesquisa ainda não consegue medir os impactos da presença do tucunaré no Rio Paraguai, mas o fato de se tratar de um predador que não tem um período único de reprodução, podendo se reproduzir até três vezes por ano, além de ser territorialista e defender fortemente seus filhotes, isso acaba por ameaçar diversas espécies de peixes. “Muitas vezes, o tucunaré come outros peixes que se aproximam dos seus filhotes, não porque esteja com fome, mas come para eliminar a competição com a cria dele”.

Caminhos

Os pesquisadores estão coletando informações e devem propor junto à Secretaria de Pesca a possibilidade de colocar o tucunaré no calendário de pesca estadual, como uma espécie isenta de cotas e sem um período de restrição, por exemplo. “O tucunaré é um peixe bastante esportivo, e poderia aquecer a economia e o turismo de pesca, além de servir como uma forma de controlar a espécie invasora na bacia do Rio Paraguai”, sinaliza Wilkinson.

“Nós tivemos informações que também foi encontrado tucunaré no Rio Paraguai, em Mato Grosso do Sul, e que essa invasão teria ocorrido de forma similar, com criadores em represas que teriam se rompido. Então queremos colaborar com os pesquisadores de lá para entender e desenvolver ações de modo a preservar a biodiversidade do Rio Paraguai”, diz o pesquisador.

Além de professores da Unemat, também participam do projeto: “Efeitos da Introdução de Cichla spp. (Tucunaré) sobre a ecologia de comunidades ícticas em riachos de cabeceira do Pantanal: implicações a biodiversidade e uso humano”, que tem financiamento da Fundação de Amparo a Pesquisa de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Universidade de Brasília (UnB).
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