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30/10/19 às 08:46 / Atualizada: 30/10/19 às 08:57

Conheça a história de Carlito, pecuarista que investiu no Xingu quando poucos queriam

Ao chegar na região, ele costumava dizer que o povo tinha os olhos na nuca, por não enxergarem o potencial de crescimento do Xingu

Edyeverson Hilário, O Livre

AguaBoaNews

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Conheça a história de Carlito, pecuarista que investiu no Xingu quando poucos queriam

Foto: Arquivo Pessoal

Pecuarista nato e apaixonado pela raça Nelore, Carlos Alberto Guimarães, mais conhecido como Carlito, chegou na região do Xingu mato-grossense quando quase ninguém queria investir no lugar.

Enfrentou muitas dificuldades, entre elas a distância da civilização e a falta de logística – que ainda continua precária. Hoje, após 41 anos desde que chegou a Mato Grosso, colhe os frutos do trabalho visionário e, é referência nacional na criação de gado puro de origem (P.O).

Antes de tudo, Carlito teve que vender suas propriedades em Marabá (PA) para investir em seu projeto. Comprou terras na região do Xingu mato-grossense. Na época, ele conseguia comprar cerca de 5 hectares de terras a cada um hectare vendido no Pará. “Hoje se eu fizer o contrário, consigo comprar de 5 a 10 hectares no Pará. Eu sabia que ia valorizar, mas não tanto”, relata.

O bom trabalho no campo vem de berço, desde cedo aprendeu com seu pai Iron Gomes Guimarães sobre o trato com os animais. Por amar a pecuária e por dizer não ter vocação para a universidade, Carlito é o único entre os dez irmãos que não se formou em uma universidade. “Percebi que o meu mestre estava dentro de casa e não lá”, afirma.

O tempo em que passou com o seu pai na fazenda foi o suficiente para aprender as maiores lições da sua vida, entre elas, a importância de ter bons parceiros.

Mesmo quando ficava “preso” na fazenda, ele diz que “nunca teve medo de enfrentar o sertão” ou de ter que ficar até 6 meses sem poder ir para a cidade. “Em outubro, a fazenda precisava ficar abastecida com tudo que fosse preciso para usar até março. No período de chuva, não dava para sair da fazenda”, recorda.

Paixão pelo gado nelore

Ele teve seu primeiro contato com a raça em 1962, quando chegaram os primeiros animais zebu no Brasil. Momento em que houve uma revolução na pecuária de corte nacional, avalia o pecuarista.

“No Brasil a gente matava boi com no mínimo cinco anos e meio. Com as importações, a raça Nelore, o Brasil se tornou poderoso no mundo da carne”, disse.

“Eu não conheço uma raça melhor que o Nelore para se criar em um clima tropical, as raças taurinas são difíceis de serem criadas aqui”, complementa.

Com o trabalho, conquistou fazendas nos municípios de São José do Xingu, Santa Cruz do Xingu, Porto Alegre do Norte e Cocalinho. Com projetos que vão desde a cria, recria, engorda e seleção.

Vale do Araguaia excelente para a pecuária

Motivado pelo potencial da região, já conhecida por ele, resolveu acreditar na terra. “Sempre dizia que parece que o povo tem os olhos na nuca, não enxergam as coisas. Isso aqui iria virar um paraíso. Isso se tornou realidade”, afirma.

Avaliava que o Xingu era uma região de Cerrado, mas de terra plana e agricultáveis. “A topografia era a mesma de Marabá, mas o clima era melhor”.

Parceira de vida
 
Casado há 34 anos com a Fátima Roriz, mulher com quem compartilha a vida, Carlito diz ser um “cara” de muita sorte por ter uma “boa patroa”. Ele ressalta que com o companheirismo dela, conseguiu investir em um lugar de futuro e ter sucesso nos negócios.

Juntos, venceram todas as dificuldades como a falta de logística, distância da família e no trato com os animais. “Vivíamos na fazenda e íamos em Goiânia a cada 90 dias”, relata, ao lembrar da demora em ver o resto da família. “Hoje vamos ver nossa família uma vez no mês”, comemora.

Carlito diz que não consegue imaginar como seria a sua vida sem ela. “Muitas pessoas voltaram atrás, mais da metade da turma que foi comigo para lá”. Foi ao lado da esposa, que ele decidiu investir na agricultura há 36 anos, trabalho que também deu bons frutos. “Meu pai dizia que eu precisava ter parceiros certos”.

A decisão de fechar uma parceria com a Estância Bahia também foi tomada em conjunto. Com quase 30 anos de negócios, Carlito diz que cresceu junto com a empresa e já perdeu as contas de quantos animais comprou e vendeu nos remates da leiloeira.
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