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08/09/19 às 15:09

Estresses diários, perdas e luto são alguns dos "gatilhos" para a depressão

Bruna Barbosa, RDNews

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Estresses diários, perdas e luto são alguns dos

Foto: Rodinei Crescêncio/Arte/Rdnew

Fatores sociais como términos de relacionamentos, pressão familiar, pós-parto e frustrações podem ser “gatilhos” para o surgimento de um quadro depressivo. A psicóloga Marianna Portelada, explica, porém, que os sintomas precisam ser recorrentes há pelo menos duas semanas para serem diagnosticados como depressão.

Apesar de alguns acontecimentos da vida funcionarem como “gatilhos”, Marianna ressalta que a doença, normalmente, não surge de forma repentina. Além da recorrência dos sintomas depressivos, o profissional de saúde também levará em consideração se o paciente já possui histórico de altos e baixos com oscilações emocionais há pelo menos dois anos. 
 
 
De acordo com ela, a depressão é uma construção histórica, ao longo dos anos. A doença já foi encarada pela sociedade de diversas formas, chegando a ser associada à mitos e superstições. Porém, a psicóloga afirma que atualmente os sintomas da depressão ganharam interpretações estereotipadas.
“A sociedade tenta encaixar o depressivo em um quadrado, a primeira coisa que devemos dizer é que a depressão tem muitas formas de manifestação. Por exemplo, uma pessoa pode estar dançando ou rindo e, em seguida, se suicidar”, explicou.

“Gatilhos”
Arquivo Pessoal
Marianna PorteladaMarianna Portelada (foto) explica que, apesar das condições para o diagnóstico da depressão, os “gatilhos” podem acarretar em um período depressivo, onde questionamentos profundos sobre a vida podem surgir. Sem tratamento, os pensamentos correm risco de se tornarem ideações suicidas.

“A pessoa pode começar a pensar que a vida dela não está indo bem, que precisa por um fim no sofrimento. Mas, não acontece de a pessoa estar bem psicologicamente falando e se suicidar no dia seguinte”, explicou.

A psicóloga pondera que, geralmente, a pessoa com ideações suicidas passa por um “período de luto”, em que, primeiramente, tenta sair do problema sozinha e, em seguida, se "entrega" e acaba optando por atentar contra a própria vida.

De acordo com a última edição da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada em 2013 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 11 milhões de brasileiros foram diagnosticados com depressão, 52% deles faziam uso de medicamento.

O estudo levou em consideração apenas maiores de 18 anos, que já haviam sido diagnosticados por um profissional - psicólogo ou psiquiatra. Conforme a pesquisa, 6,9% dos mato-grossenses sofriam com depressão à época, sendo que 42% precisava utilizar algum tipo de remédio (veja quadro acima).

Com relação à transtornos de ansiedade, o Brasil é o país com maior índice de manifestação da doença na América Latina, chegando a 9,3%, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). As mulheres são as que mais enfrentam o problema – 7,7% são ansiosas e 5,1% possuem depressão. Nos homens, a porcentagem cai para 3,6% em ambos os casos.

Depressão pós-parto

O período pós-parto também pode funcionar como um “gatilho” depressivo para as mulheres. A psicóloga explica que, devido a enormidade da maternidade – quando a mulher precisa lidar com dezenas de sentimentos e hormônios – a depressão pós-parto pode chegar sem dar sinais ou avisos prévios.

“É uma depressão de médio prazo, se for tratada, em alguns meses a pessoa pode se curar, mas, sem o tratamento correto pode evoluir para uma depressão crônica”, ressalta.

Sintomas como ansiedade, irritabilidade, ataques de pânico, cansaço extremo e dificuldade para estabelecer vínculos com o bebê podem acometer as mulheres. Marianna ainda alerta que a depressão pós-parto não necessariamente pode surgir por meio de um trauma ou de uma gravidez indesejada e também pode levar a ideações suicidas.

Desequilíbrio genético 

Fatores genéticos também podem influenciar no diagnóstico futuro de um quadro depressivo. Casos de depressão ou outros transtornos psicológicos na família devem ser observados com atenção, orienta a psicóloga. 

Caso alguns dos sintomas da doença se manifesta, Marianna ressalta a importância de procurar atendimento profissional em um psicólogo ou psiquiatra. "A pessoa deve ter muito cuidado, as vezes existe um desequilíbrio hormonal e isso pode ser passado hereditariamente. O psquiatra, normalmente, pedirá exames hormonais para analisar aqueles que estão em falta". 

De acordo com ela, caso esse tipo de situação não seja avaliada por um profissional, a baixa de hormônios poderá continuar afetando o paciente, que, futuramente, correrá risco de tornarsse dependente do medicamento, caso faça uso. 

Marianna ainda ressalta a importância do acompanhamento psicológico por meio de terapias. Conforme a psicóloga, o tratamento desses tipos de desordens emocionais são feitos em conjunto (remédios e terapia). 
 
Rodinei Crescêncio
Ana Rosa CVV
Voluntária Ana Rosa Nunes, durante entrevista ao RDTV, em que fala sobre trabalho do CVV
 
CVV

A voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV), Ana Rosa Nunes, explica que as pessoas que procuram por atendimento da instituição falam sobre sofrimentos como bullying, desemprego e solidão. De acordo com ela, vivenciar situações diárias, que podem parecer simples, pode ser gatilho para uma pessoa depressiva. 

A instituição não possui como função diagnosticar transtornos psicológicos e atua apenas no campo da escuta emocional. Ela também ressalta a procura de pessoas que foram vítimas de preconceito, que relatam a dor emocional causada pela intolerância. 

"Buscamos escutar essas pessoas, estamos ali para ouvir e fazer com que ela alivie um pouco do sofrimento que estão passando", conta. 

Conforme Ana Rosa, o papel do CVV é apenas "escutar com seriedade e respeito". De acordo com ela, diferente de uma relação de amizade. Ela decidiu se tornar voluntária após se espantar com o grande número de suicídios no país. 

"O voluntário precisa ouvir sem julgamento e ter empatia com o problema do próximo. Normalmente, em uma relação comum, as pessoas interrompem, não escutam corretamente o sofrimento do outro", diz. 
A instituição realiza atendimentos a qualquer pessoa por meio do telefone 188, a ligação não possui custos ou cobranças. Os voluntários também atendem pelo site

No dia 2 de outubro, o CVV realizará um curso gratuito para novos voluntários na sede da instituição, localizada na rua Comandante Costa, 296, no Centro de Cuiabá. O evento acontecerá nas 19h às 22 e as incrições podem ser feitas pelo e-mail: cuiaba@cvv.org.br
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