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28/06/19 às 18:27

Canarana - Crescimento de cultuas alternativas é a comprovação da falta de rentabilidade na soja e no milho

Rafael Govari, Jornal O Pioneiro

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Canarana - Crescimento de cultuas alternativas é a comprovação da falta de rentabilidade na soja e no milho

Foto: Divulgação

O município de Canarana é o maior produtor de gergelim do Brasil. Foram plantados na atual safra, que está quase toda colhida, mais de 50 mil hectares. Foi mais de 100% de aumento de área em relação à safra anterior do grão. A produtividade média fica em torno de 400 kg por hectare.

O que motivou os produtores a plantar gergelim, além dos preços atrativos, que variaram de R$ 3,00 a R$ 4,00 o kg, foi também a baixa perspectiva de rentabilidade da soja e do milho. Esse é o principal fator por trás da procura dos produtores por culturas alternativas.

O mercado do gergelim ainda não é consolidado. Pelas informações, o Brasil não é responsável nem por 1% da produção mundial. Então, uma super safra nos outros países produtores pode baixar os preços aqui. A dúvida é se os contratos seriam honrados em caso de queda brusca de preços no mercado internacional, pois a maior parte do gergelim de Canarana vai para exportação.

Outra questão é que o produtor ainda está conhecendo a cultura. Aqui no Município há produtores que não colheram nada e alguns tiveram produtividade superior a 1.000 kg por hectare, por vários fatores como clima, inço e manejo. Adequar o maquinário para o plantio e colheita também são desafios que precisam ser superados.

Ou seja, o gergelim, mesmo com baixo custo e perspectivas de boa rentabilidade, ainda é uma cultura de risco que precisa se consolidar. Mas então porque o produtor arisca plantar um grão que ao final poderá ficar sem preço ou sem mercado?

A resposta é muito simples. Se a soja e o milho estivessem vantajosos, dificilmente o produtor procuraria alternativas e correria riscos. Acontece que a perspectiva de rentabilidade baixa ou até negativa nas principais culturas mato-grossenses, força os produtores a buscarem caminhos para sobreviver na agricultura.

Conforme o produtor rural de Canarana e vice-presidente da Famato (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso), Marcos da Rosa, o crescimento do gergelim é um prova que a soja e o milho não estão sendo rentáveis. “A conta não fecha e o produtor vem tomando prejuízos. Quando ele enxerga alguma cultura nova com chance de lucratividade ele não pensa duas vezes em ariscar”, falou Marcos, que também plantou gergelim.

Nossa reportagem entrou em contato com o IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), que repassou dados do custo das últimas safras de soja e milho aqui no Mato Grosso. No ciclo 2018-19, o custo por hectare da soja foi de R$ 3.912,80. O preço da soja praticado na praça local neste mês de junho foi de R$ 64,00. Somente para cobrir os custos, neste preço, seria preciso colher mais de 60 sacas por hectare. Como a média no Município é geralmente de 53, gera um prejuízo de 07 sacas.

Em relação ao milho na safra de 2018 (a atual ainda não foi encerrada), o custo conforme o IMEA foi de R$ 3.053,24 por hectare. Em Canarana o preço varia atualmente na casa de R$ 22,00. Portanto, para cobrir os custos, seria preciso colher mais de 138 sacas, sendo que a média no município é de menos de 100 por hectare, deixando um prejuízo de 38 sacas de milho.

E não é só o gergelim que virou alternativa em Canarana e Região. Conforme o secretário de Agricultura do Município, Charles Visconti, os produtores também estão investindo em outras culturas. “Além do gergelim, produtores de Canarana plantaram feijão, crotalária, milheto e sorgo na atual safra. Acreditamos que no próximo ciclo a maior parte delas terá aumento de área, além do ingresso de novas, como a pipoca e o grão de bico”, disse.

Junto com essas novas culturas, a indústria tem vindo junto. Duas empresas já manifestaram o interesse em construir estrutura para beneficiar e esmagar o gergelim para a produção de óleo. Já outra empresa que compra feijão também está se preparando para se instalar e beneficiar o grão aqui em Canarana.

O Município plantou na última safra 280 mil hectares de soja e 80 mil de milho, que continuam sendo as principais culturas. Mas no próximo ciclo a área de gergelim já deve ultrapassar a de milho e outras culturas devem crescer. Isso é a comprovação daquilo que já se falava sobre a falta de rentabilidade ao produtor na soja e no milho.
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