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06/06/19 às 09:29 / Atualizada: 06/06/19 às 09:47

Canarana - 'As árvores fizeram tudo isso por nós e agora nós temos que fazer isso por elas'

Tatiana Ribeiro, Isa

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Canarana - 'As árvores fizeram tudo isso por nós e agora nós temos que fazer isso por elas'

Foto: Tatiane Ribeiro/ARSX

Cerca de 60 alunos da Escola Jesus Maria José participaram de um roteiro de visita especial na cidade de Canarana (MT). Em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) e a Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX), o colégio levou os estudantes para conhecerem áreas de restauração ecológica, a Casa de Sementes e o Viveiro Municipal para sensibilizá-los sobre a importância da preservação da natureza na data em que é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente.

“Para nós é muito importante ter esse momento de prática fora da sala de aula porque incentiva e conscientiza mais as crianças”, explica Michelle Lehnen, professora de História da escola.  “Nós do colégio temos desde o início do ano interesse em trabalhar a questão do reflorestamento por isso tivemos a iniciativa de procurar essas instituições. Queremos despertar o interesse por um mundo melhor que começa pela nossa escola, que já tem mais arborização, e se expande para o bairro e para o município”, complementa.


Área degradada em loteamento de Canarana terá plantio de floresta ainda em 2019. Foto: Tatiane Ribeiro/ARSX

O trajeto contou com visita a uma área degradada que vai ser restaurada ainda esse ano dentro do Loteamento Alto do Cerrado. “Essa é uma das áreas que vamos reflorestar em parceria com ISA para adequação ao PRADA (Programa de Regularização Ambiental e Alterada). No total temos 14 hectares de área preservada dentro do empreendimento, cerca de 40% a mais do determinado por lei. Então a ideia de trazer os alunos aqui está alinhada com nossa proposta de qualidade de vida”, explica Wagner Pires Cândido, Coordenador Comercial do MGU Empreendimentos.

Lara da Costa, técnica em restauração do ISA, explicou para os alunos que a área que eles viram onde hoje é uma área degradada onde há somente capim e receberá sementes na época das chuvas, quando será feito o plantio manual de sementes das espécies florestais e adubo verde, e no início do ano já será possível ver pequenos pés de feijão-guandú crescendo. “Primeiro vem as plantas de adubação verde, mas a partir de dois anos já é possível ver árvores de até 1,5 metros e daqui nove anos a floresta já estará formada”, explicou. “Ideia é que se forme um corredor ecológico próximo ou igual a área de remanescente natural que existe no loteamento”.

Benefícios da floresta em pé


Alunos visitam área pública restaurada na entrada da cidade de Canarana. Foto: Tatiane Ribeiro/ARSX

O percurso continuou até uma área pública já em processo de restauração localizada no início da cidade. Com árvores que foram plantadas há 8 anos, a área verde conta com diversidade de espécies e um clima já característico de floresta. João Carlos Mendes Pereira, técnico da rede de sementes, incentivou os alunos a prestarem atenção nas diferenças entre o local com árvores e sem árvores.

“Eles mesmo indicaram os benefícios como a sombra, a retirada do gás carbônico da atmosfera, a liberação do oxigênio, a retenção de água no solo, a preservação das nascentes e dos rios, as frutas, os animais”, conta. “Então é uma série de pontos positivos como, por exemplo, a poluição que está sendo absorvida por esses fragmentos de floresta que temos aqui, que são importantes serem considerados”, afirma.

Para o professor de ciências, Alex Marcato Gonçalves, os temas tratados nas visitas coincidem com o conteúdo de sala de aula do 5º ao 9º ano e mostrá-los em atividades práticas potencializa a consciência de que esses jovens fazem parte de uma população que futuramente vai precisar dessa restauração. “Também há o fato de que é eles quem irão constituir nosso papel na sociedade daqui alguns anos então é importante que reflitam desde já.”

Aprendizados para a vida

Os alunos também visitaram o Viveiro Municipal onde são realizados os testes de germinação e o espaço onde são armazenadas as sementes nativas da ARSX. “Aprendi aqui que as sementes têm que ser guardadas para depois serem reflorestadas. É um proc
esso avançado de resfriamento do embrião da semente para segurar o desenvolvimento delas, para que elas só germinem nas áreas degradadas onde são plantadas”, conta o aluno Leonardo Hoshina, de 11 anos.

Lúcio Flávio Signori Ferraz, também de 11 anos, foi um dos alunos que mais fez perguntas durante a atividade. “Aprendi que o reflorestamento é muito importante e com ele as áreas degradadas podem ser restauradas, as florestas podem voltar, podem proteger o solo de novo e o lençol freático pode ser cuidado e várias outras coisas”, conta. “Se não fosse as árvores não estaríamos aqui então as árvores fizeram tudo isso por nós e agora nós temos que fazer isso por elas”, conclui.


Alunos visitam Viveiro Municipal onde são realizados os testes de germinação das sementes da ARSX. Foto: Tatiane Ribeiro/ARSX
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