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08/04/19 às 19:50

Mudanças climáticas: Dialogando e aprendendo para ser a mudança que queremos ver no mundo

Liebe Lima/AXA

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Mudanças climáticas: Dialogando e aprendendo para ser a mudança que queremos ver no mundo

Foto: Divulgação/AXA

Quantas vezes ouvimos falar em “mudanças climáticas”, observando seus impactos serem ilustrados em imagens de desastres climáticos que muitos de nós assistimos pela televisão em localidades distantes, sem, contudo, relacionarmos esse fenômeno ao cotidiano de nossas atividades diárias? Como uma lente de aproximar nossas práticas ao mundo que desejamos viver e deixar como legado às próximas gerações, lideranças de assentamentos e indígenas da Região Xingu Araguaia se encontraram no Centro comunitário Padre Josino em Porto Alegre do Norte para dialogar sobre o tema e modelos de desenvolvimento em torno do qual a nossa sociedade funciona e produz.
 

Pergunta norteadora para pensar mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável – Foto: Liebe Lima/AXA
 
Mudanças para quem olha de perto

Seu João do PA Dom Pedro em São Félix do Araguaia é coletor da ARSX – Rede de Sementes do Xingu e tem no seu lote um grande plantio de sistema agroflorestal que é chamado de Casadão, por juntar espécies frutíferas e florestais. Quando começou a coletar sementes para a ARSX, seu João observava a floração das matrizes para saber quais estariam carregadas de frutos e sementes naquele ano.

Segundo ele, as árvores produzem muito em um ano e descansam no outro. Algumas espécies, tem ciclos de dois em dois anos e as cargas de florações eram a informação que ele usava para saber se haveria disponibilidade da espécie e assim oferecer para a ARSX elaborar sua encomenda.

“Pelas flores hoje, não está dando pra você fazer uma lista para entregar pra Rede, porque elas tá deixando a gente de mentiroso!” Nos últimos anos, a informação das flores deixou de ser um indicativo seguro para a elaboração do que a ARSX chama de lista potencial. Para seu João esta é uma das mudanças provocadas pela alteração no regime de chuvas e aumento nas temperaturas que impactam diretamente na produção de sementes que coleta para complementar a renda de sua família.
 
Participantes do Encontro de Formação em Mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável – Foto: Liebe Lima/AXA
 
Quem vive no campo em ligação com a terra, vem observando de perto as mudanças e trazendo relatos onde narram os impactos que estas mudanças no clima trazem para suas vidas e como estão se adaptando a elas. No encontro formativo de Mudanças Climáticas e desenvolvimento sustentável em Porto Alegre do Norte, MT, foi possível ampliar o conhecimento sobre as informações que cientistas de todo o mundo estão produzindo. Atualmente o IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas é quem tem a Missão de analisar e avaliar a informação científica, técnica e socioeconômica produzidas no mundo para compreender estas mudanças.

As pegadas que deixamos na terra

O equilíbrio ecossistêmico necessário à vida é produzido pelos serviços ambientais das florestas e outros elementos da natureza e as mudanças estão indicando a possibilidade de colapso em um futuro próximo. Para mudar o futuro que está em curso, é necessário que a transformação passe a ser produzida pela sociedade, pois o uso do solo, o desmatamento, a poluição gerada pelos processos de produção nas fábricas, os resíduos que estão sendo deixados pelo nosso modo de vida é a causa direta do que está acontecendo e todos estamos juntos neste grande planeta terra.

A jovem de 16 anos Greta Thunberg, na Suécia, durante semanas, ia todos as sextas feiras à frente do parlamento de seu país para perguntar aos seus governantes:

O que eu vou dizer para os meus filhos quando eles me perguntarem porque não fizemos nada quando ainda era possível?

Segundo o site www.nationalgeographicbrasil.com, atualmente, mais 120 milhões de jovens no mundo estão realizando manifestações em que cobram dos políticos locais, atitudes que levem a sério as mudanças que estão ocorrendo no clima. Este é o momento de nos juntarmos a estas pessoas que estão se ocupando em realizar ações individuais e coletivas para diminuir o rastro de impactos que estão sendo produzidos pelo nosso modo de vida.

Sistemas Agroflorestais para produzir comida e florestas

A agroecologia e os sistemas agroflorestais se assemelham a maneira de existir das florestas e são alternativas que se apresentam como modos de produção capazes de coexistir com ela e ainda potencializar e recuperá-la. Seus pressupostos estão conectados com os ciclos de abundância e generosidade que a fertilidade da terra realiza a milhares de anos através dos ciclos da natureza.

A “Agri-cultura” tal qual os povos da floresta e dos campos a realizam é uma forma de resistência em manter conhecimentos e práticas antigas que com toda a tecnologia da agricultura moderna, não foi possível imitar. O exemplo disso é a “Terra Preta de Índio” que são bolsões de terras pretas e férteis encontradas na Amazônia, demonstrando o amplo conhecimento dos povos no manejo da terra.

Produzir alimentos saudáveis e sem veneno para si e para os outros é uma forma de amar e cuidar do mundo!

Vamos Plantar essa idéia!?
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