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23/03/19 às 08:58 / Atualizada: 23/03/19 às 09:11

Milho Safrinha - Planejamento da nova safra já incluiu gastos com novo Fethab

Na ponta do lápis, produtores avaliam impacto financeiro da tributação sobre todo o cereal que deixar MT, seja com destino aos portos ou mesmo a outros estados

Marianna Peres, Diário de Cuiabá

AguaBoaNews

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Milho Safrinha - Planejamento da nova safra já incluiu gastos com novo Fethab

Imagem ilustrativa: Faz. Santo Antônio em Água Boa/MT

Foto: AguaBoaNews

O custo total de produção do milho safrinha em Mato Grosso deverá passar dos R$ 3 mil por hectare, na safra 2019/20. Considerando o cultivo do chamado ‘milho de alta tecnologia’ a previsão é de um aumento de 0,99% em relação à projeção do mês anterior e de 3% sobre o valor apontado na safra atual, 2018/19, que tem média de R$ 2,91 mil por hectare. A necessidade de ampliar os investimentos se dá em razão da inclusão do novo Fethab sobre a produção de milho de Mato Grosso, isenta do imposto até a safra passada.

Como avalia o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a legislação estadual passou a aplicar a alíquota de 6% da UPF/MT por tonelada de milho vendido para exportação e envio a outros estados a partir do mês de fevereiro. “Até então, não havia tal cobrança na comercialização do cereal mato-grossense. Dessa forma, com o incremento de mais uma taxa nas despesas do cereal, o produtor mato-grossense passa a ter maiores desafios para viabilizar sua próxima safra, visto que o custo de produção passa a estar mais alto em relação ao fechamento da safra anterior”. A sigla Fethab representa a contribuição paga ao Fundo de Transporte e Habitação instituído pela Lei nº 7.263, de 29 de março de 2000, no âmbito territorial de Mato Grosso. O Fundo foi instituído para ser uma nova via de arrecadação para fazer frente às obras e serviços de transportes, habitação, bem como para o desenvolvimento da agricultura e pecuária.

Mas a conta que considera o peso da carga tributária vai além do cálculo de alíquotas, a realidade mato-grossense deve ser considerada, já que o milho tem um custo e um retorno diferentes em relação à soja, por exemplo. Cálculos realizados pelo Diário mostram que o custo total de produção do milho, em R$ 3 mil por hectare, representa 77,92% do custo total da soja, que nessa safra está orçado em R$ 3,85 mil por hectare. Já o preço da saca é inversamente proporcional: enquanto a saca da soja fechou a semana passada em R$ 63,38, a do milho bateu R$ 23,47, valor equivalente a menos de 40% da cotação da oleaginosa (37%).

O Imea revisou as projeções e o contexto para o novo ciclo e chegou a estimativa de desembolso considerando uma produtividade média de 121,51 sacas por hectare e um dólar médio para o período do levantamento em R$ 3,72.

PRODUÇÃO – De acordo com o Imea a nova safra deve ter um incremento de área em 0,57% quando comparada a divulgação anterior, ficando prevista em 4,69 milhões de hectares. Tal valor corresponde a um aumento de 1,62% ante a safra passada, motivada pelo adiantamento nos trabalhos de campo com a soja, o que está colaborando para que grande parte das áreas de milho seja semeada dentro da janela ideal no Estado.

No que tange a produtividade, houve um reajuste apenas na região nordeste, que passou de 89,30 sc/ha para 92,50 sc/ha, visto que, assim como já estava sendo previsto nas demais regiões, o adiantamento nos trabalhos de semeadura traz a possibilidade de que grande parte das áreas se desenvolvam dentro do período de chuvas. Com isso, na média do Estado, os rendimentos a campo passam a ser de 102,23 sacas por hectare, exibindo um aumento de 2,68% em relação à safra 17/18.

Ainda é importante salientar que há possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño nos próximos meses, podendo alterar os níveis de chuvas no Brasil durante a sua manifestação. Sendo assim, as condições climáticas daqui para frente continuam sendo um fator determinante para o comportamento da safra.

Com o novo incremento tanto da área, quanto da produtividade, é esperado que a produção do milho mato-grossense na safra 2018/19 seja de 28,78 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 4,35% quando comparada a safra 2017/18.

A semeadura está chegando à reta final, atingindo 99,83% da área cultivada e um avanço semanal de 0,97 p.p.
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