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21/03/19 às 10:00

Sobrepreço de 600% - PF indicia Lula e filho por lavar dinheiro e traficar influência no marketing esportivo

Crimes envolvem R$10 milhões em propinas sob disfarce de patrocínios'

Redação AguaBoaNews

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Sobrepreço de 600% - PF indicia Lula e filho por lavar dinheiro e traficar influência no marketing esportivo

Ex-presidente e presidiário Lula ao ser interrogado na Justiça.

Foto: Divulgação

A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho mais novo, Luís Cláudio, pela acusação de praticar crimes de lavagem de dinheiro e de tráfico de influência por pagamentos para a empresa de marketing esportivo Touchdown, investigada desde 2017, a partir das delações da Odebrecht, na Operação Lava Jato.

Os investigadores descobriram que a Touchdown recebeu mais de R$ 10 milhões de grandes patrocinadores, tendo  capital social de apenas R$ 1 mil. E a juíza Bárbara de Lima Issepi, da 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo, determinou o encaminhamento do caso para uma vara especializada em crimes financeiros.

A Força-Tarefa da Lava Jato em São Paulo já analisa o caso. E o  indiciamento ocorreu em janeiro e permanecia sob sigilo.

O ex-executivo Alexandrino Alencar delatou que, em 2011, o ex-presidente Lula pediu ajuda a Emílio Odebrecht para que o filho Luís Cláudio iniciasse a carreira de empresário. À força-tarefa, o delator entregou recibos de pagamento da Empresa Concept, contratada por ele para ajudar na criação de uma liga de futebol americano no Brasil. E revelou que a Odebrecht pagou a maior parte do serviço, o equivalente a cerca de R$ 2 milhões e cerca de R$ 120 mil foram pagos por Luís Cláudio.

“Então, ele pede isso de uma maneira digamos eu diria de um pai pedindo para outro pai muito interessante esse evento. E na mesma maneira, Lula pede para ele que se pudesse ajudar o filho dele a iniciar uma carreira empresarial”, disse Alencar em depoimento.

“Combinei com o Luis Claudio que nós pagaríamos 90% do custo da Concept e ele e a Touchdow pagariam 10%. Meu compromisso original com o presidente e com o Emílio era de 2 anos. Depois, ele voava sozinho. Então, ampliamos porque ele se atrapalhava e não decolava. Renovamos mais um ano. Soube depois, agora, que ele teve de desistir do projeto”, contou ainda Alencar.

Sobrepreço de 600%

 
A Polícia Federal afirma que não houve formalização do contrato entre a empresa de Luís Cláudio e a Concept, mesm com a movimentação da quantia vultosa. E o inquérito aponta um sobrepreço de 600% no valor dos serviços prestados pela Concept à empresa de Luís Cláudio, em relação ao valor de mercado. E o diretor da Concept depôs afirmando que a consultoria realizada para a Touchdow custou entre R$ 300 mil e R$ 400 mil.
 
O uso de um laranja por Luís Cláudio para movimentar dinheiro ilícito também foi apontado pelos investigadores, que identificaram que uma empresa de recreação e produção de doces e salgados com capital social de apenas R$ 1 recebeu, só em 2013, cerca de R$ 846 mil da Touchdown.
 
A PF ainda apurou que, antes de começar a receber os valores da empresa de Luís Cláudio, a dona da empresa tinha renda mensal de apenas um salário mínimo.
 
Os valores expressivos e sem formalizar contratos foram apontados como incomuns por representantes da Confederação Brasileira de Futebol Americano, em depoimentos em que afirmaram jamais ter recebido patrocínio anual e nem investimentos que durassem tantos anos, naqueles patamares.
 
Indícios de irregularidades e omissão de receitas na movimentação financeira da Touchdown também são citados por um relatório da Receita Federal, que faz parte do inquérito. Seus autores dizem que “causa estranheza que a empresa comprove pagamentos apenas a partir de dezembro de 2012, sendo que os serviços já eram prestados pelo menos desde março do mesmo ano”.

À época da delação, o Instituto Lula divulgou seguinte nota: “Delações são relatos unilaterais para a obtenção de benefícios judiciais. São indícios de provas, não provas. Mesmo que o relato de Alexandrino Alencar seja verdadeiro, os fatos teriam acontecido após Lula ter deixado a presidência, quando não exercia nenhum cargo público e sequer seriam atos ilegais.”
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