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12/03/19 às 09:37

Algodão chega prometendo trazer novo pico de desenvolvimento para Canarana

Rafael Govari, Jornal O Pioneiro

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Algodão chega prometendo trazer novo pico de desenvolvimento para Canarana

Lavoura de algodão da Meta

Foto: Rodrigo Piccinini

Alguns vão dizer que que algodão não dá na região de Canarana. Outros, que é loucura. Mas assim foi quando começaram a plantar soja na década de 1980 e, hoje, o município é um dos maiores produtores de soja do Brasil. Não seria diferente em relação a mais uma cultura, que desperta curiosidade e medo ao mesmo tempo.

Mato Grosso é o maior produtor de algodão do Brasil. Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), aponta que foram plantados na safra 2018/19, 800 mil hectares com a cultura no estado, com uma produção estimada em 1,4 milhão de toneladas, um novo recorde. No Brasil, a estimativa e que a área plantada ocupou 1,4 milhão de hectares, conforme informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Aqui na região a cultura está recém engatinhando. Conforme o próprio Imea, foram plantados 28.180 hectares na região Xingu/Araguaia. Em Canarana, conforme o prefeito Fábio Faria, somente o Grupo Bom Futuro investiu forte e semeou 11 mil hectares na Fazenda Cocal, local onde também será construída uma algodoeira. Além do Grupo Bom Futuro, a Meta Consultoria Agrícola plantou 30 hectares para averiguar os resultados aqui na região.

A média das áreas de lavoura em Canarana, conforme a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente (Seagri), é de cerca de 1.000 hectares. A maioria dos produtores não possui capital para investir na cultura do algodão, onde os custos giram em torno de R$ 7.000,00 por hectare. Bancos e revendas ainda não financiam a atividade aqui na região. Assim, o cultivo se dá em regiões onde se concentram produtores maiores e mais estruturados, como em Campo Verde e no Médio Norte.

Porém, o que se acreditava ser um prejuízo para nossa região, pode ser algo positivo para o algodão. Acontece que aqui no Araguaia/Xingu, começa a chover depois e para de chover antes do que nas grandes regiões produtores de algodão do Mato Grosso. Isso prejudica o plantio da soja e o algodão como safrinha depois, por conta da janela mais curta. A janela ideal para o plantio do algodão é até o dia 15 de janeiro, atingindo 150 dias até a colheita.

Conforme Rodrigo Piccinini, da Meta Consultoria Agrícola, a vantagem de parar de chover antes aqui na região, significa que o algodão não vai pegar água na reta final de desenvolvimento da planta, deixando a pluma com qualidade superior. Além disso, as altas temperaturas do Araguaia/Xingu beneficiam a cultura do algodão, assim como acontece, por exemplo, com o gergelim, a melancia, a piscicultura e tantas outras culturas que se desenvolvem melhor em altas temperaturas.

Os resultados em campo na lavoura da Meta têm sido excelentes. A ideia, falou Piccinini, é que na próxima safra mais agricultores façam experimentos em áreas pequenas, o que poderá já fomentar a vinda de uma algodoeira para atender esses produtores. Por enquanto a produção será levada para algodoeiras em outros municípios. Da mesma forma, a colheita será feita em parceria com produtores de outros municípios, por conta do alto valor do equipamento, que compensa a compra somente para atender grandes áreas de cultivo.

Do outro lado, revendas já começam a se preparar para oferecer máquinas e produtos para o algodão. Consultorias, como a Meta, já estão fazendo testes. No Dinetec 2019, realizado no nosso município no mês de janeiro, pela primeira vez foram apresentadas variedades de algodão e na próxima edição o número de experimentos deve crescer. Bancos também estão sendo contatados para oferecer financiamentos, ou seja, toda a cadeia para fomentar o plantio do algodão aqui na região Xingu/Araguaia.

“Estamos acreditando muito no algodão e que este é um caminho sem volta aqui para a região”, disse Rodrigo. Para ele, a tendência é de crescimento e de uma consolidação do cultivo em Canarana e região, o que atrairá investimentos em máquinas agrícolas e algodoeiras, atrairá profissionais, valorizará as terras e movimentará a economia. Por conta dos altos valores que o algodão movimenta, em poucos anos o PIB de Canarana pode até dobrar, trazendo novo pico de desenvolvimento.
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