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01/10/18 às 16:16

'A casa caiu; não tem como mentir', diz homem que dopava idosos

Vítimas eram drogadas com substância conhecida como "boa noite, Cinderela"; três delas morreram

Redação Mídia News

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'A casa caiu; não tem como mentir', diz homem que dopava idosos

Foto: PJC-MT/Alair Ribeiro/MidiaNews

Preso por dopar e roubar mais de 25 idosos em pelo menos 6 estados do País - causando a morte de três deles -, Francisco Djalma Francioni, de 67 anos, confessou os crimes à Polícia Civil ao ser interrogado pelo delegado Eduardo Rizzotto, que conduz as investigações. Dois dos casos com vítimas fatais ocorreram em Cuiabá.
 
Reportagem veiculada nesse domingo (30) pelo Fantástico, da Rede Globo, mostra trechos do interrogatório do acusado, que explicou a mistura dada às vítimas e deu detalhes de como o golpe era executado - veja a reportagem completa AQUI.
 
Foragido da Justiça desde 2011, quando conseguiu fugir da prisão - onde cumpria pena por crimes como sequestro e roubo -, o homem que tornou-se conhecido como "maníaco da garrafada" chegou a negar o crime no dia em que foi preso, em 19 de setembro deste ano.
 
A casa caiu. Não tem como mentir. Eu tenho uma dor de consciência, mas, agora, não adianta eu querer voltar atrás. Essa é a minha vida
 
Porém, ao ser interrogado, confessou os golpes, afirmando, ainda, que já havia sido condenado a mais de 120 anos de prisão por outros crimes e que passou 20 anos atrás das grades.
 
"A casa caiu. Não tem como mentir. Eu tenho uma dor de consciência, mas, agora, não adianta eu querer voltar atrás. Essa é a minha vida", afirmou.
 
Segundo a Polícia Civil, Francisco Djalma abordava idosos na porta de hospitais e rodoviárias em várias cidades do Brasil, apresentando-se como tenente militar aposentado, a fim de ganhar a confiança das vítimas.
 
Ele, então, oferecia um medicamento "milagroso", que supostamente curaria diversas doenças. O "remédio" dado pelo homem seria, na verdade, uma dose de uma droga conhecida como "boa noite, Cinderela".
 
Após ingerirem a substância, as vítimas desmaiavam e tinham todos os pertences levados pelos suspeito, como documentos pessoais, dinheiro, aparelho celular e cartões de bancos. 
 
Ele explicou ao delegado a forma como fazia a "mistura" dada às vítimas.
 
"[Além da droga], colocava um pouquinho de cachaça para dar uma reação e colocava um suco de laranja ou alguma coisa", disse.
 
Francisco já era investigado há mais de um ano pela polícia por aplicar o que tornou-se conhecido como "golpe da garrafada" e foi preso em Goiás  por policiais da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Cuiabá (Derf). Ele foi recambiado para Cuiabá no dia 22 de setembro.
 
À polícia, ele contou que aplicava o golpe desde 2013 e, segundo a polícia, estava sempre viajando para dificultar sua captura.

 
"Ele escolhia suas vítimas, na maioria pessoas idosas e moradoras da zona rural, o que dificultava suas oitivas, sobretudo, por ficarem inconsciente e por muito tempo internadas em estado grave em UTIs", afirmou Rizzotto.
 
Outros crimes
 
Conforme a polícia, Francisco possui vasta ficha criminal, com seis indiciamentos no Rio Grande do Sul, 14 no Paraná, 6 em Santa Catarina e 1 em Goiás, além dos roubos, homicídios e tentativa de homicídios que passará a responder em Cuiabá e Rondonópolis, referente a seis vítimas.  
 
Os indiciamentos referem-se a crimes de roubos desde o início da década de 70.
 
Ao ser interrogado, Francisco contou que viveu uma vida inteira cometendo crimes, principalmente roubos a bancos, e que ficou mais de 20 anos preso.
 
"Nós pegamos dinheiro de saco. Nós dormíamos em cima de sacos de dinheiro", afirmou.
 
Por esses crimes, ele diz que já foi condenado a 120 anos de cadeia. "Eu tenho um passado pesado, doutor", afirmou Francisco ao delegado.

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