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19/09/18 às 18:15

A empresa que vende dois milhões de carros usados por ano pelo mundo

Modelo de negócio da Copart, sediada na Califórnia, serviu de inspiração para agências brasileiras

Débora Ramos

AguaBoaNews

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A empresa que vende dois milhões de carros usados por ano pelo mundo

Foto: Divulgação

Nos últimos anos, os investidores do setor automotivo no mundo todo passaram a olhar com mais atenção para o mercado de carros usados, mas uma empresa estadunidense anteviu o aquecimento desse comércio há pelo menos vinte anos.
 
Desde 1982, a Copart -- uma empresa que começou com um único lote na Califórnia e que hoje é uma companhia de nível global -- atua no ramo de revenda de frotas, revendedora de veículos reprocessados e recuperados. E agora, com o mercado aquecido, ela se tornou uma potência, diz a revista Forbes.
 
Vinte anos atrás, o negócio de veículos usados consistia em trocas: os compradores levavam seus automóveis antigos às lojas e trocavam por novos. Então, o negociante o recolocava em outro lote de venda ou revendia em um leilão local.
 
Era um ecossistema de muitos negociantes, mecânicos e seguradoras, em que cada uma conseguia seu pedaço de negócio. Outros veículos chegavam de empresas de aluguel e havia ainda um resto que vinha de empresas de seguro após acidentes ou desastres naturais. Os vendedores se motivavam para liquidar seus inventários tão rápido quanto pudessem.
 
Nos anos 1980, o administrador estadunidense Willis Johnson teve uma brilhante ideia: ele começou a Copart para consolidar as partes transacionais desse ecossistema fragmentado.
 
Uma década depois, ela já tinha quatro lotes ao nordeste da Califórnia, nos EUA. Em 1997, quando a Internet era uma realidade no país, ele também apostou na tecnologia da informação: pela primeira vez na história, grandes inventários e documentos em rede eram visíveis a qualquer um. Um ano depois, a já Copart Auction System significava que comprar e vender frotas inteiras de veículos de aluguel era possível com apenas um clique.
 
Por causa disso, em 2003, a Copart parou de vender carros em leilões ao vivo e focou apenas nos pregões pela Internet. Em 2004, já parte da Securities and Exchange Commission (SEC), agência estadunidense de regulação do comércio, os gerentes da Copart apresentaram uma visão ao futuro: a empresa continuaria a trabalhar com leilões físicos, mas focaria na entrada de compradores e vendedores do seu sistema online.
 
Terrenos foram adquiridos em Oregon, Alasca, Ohio, Montana e Toronto, no Canadá e, com eles, as vendas cresceram para US$ 400,8 milhões (R$ 1,6 bilhão, no câmbio de setembro de 2018), com lucros que chegaram a US$ 124 milhões. Melhor ainda: os seus vendedores, a maioria deles seguradoras, recebiam melhores preços porque os leilões virtuais alcançavam um número de potenciais compradores.
 
O modelo de negócio pegou na maior parte dos países da América Latina, como é o caso do Brasil. Aqui, agências de leilões como a Sodré Santoro passaram a atuar da mesma forma até que, com o avanço dos smartphones, focaram apenas nas vendas pela Internet. "A maneira que eles encontraram para fazer as intermediações comerciais foram significativas para o nosso modo de atuar", explica Flávio Santoro, diretor da agência.
 
Os administradores da Copart buscavam agressivamente acordos de fornecimento nacionais e regionais de seguradoras, operadoras de frotas, empresas de financiamento e negociantes próprios enquanto, em paralelo, seguia adquirindo lugares estratégicos para leilões, tanto nos Estados Unidos como no exterior.
 
Hoje, a plataforma Copart tem 750 mil membros em ao menos 170 países. Ela opera em 200 locais em 11 países e oferece 125 mil carros em leilões organizados diariamente. No ano passado, de acordo com a Forbes, a empresa vendeu mais de dois milhões de veículos usados no mundo. E não há sinal de diminuição do fôlego nos próximos anos.
 
O Statista, uma empresa de análise de dados da Dell, afirma que foram registrados 13 milhões de acidentes de trânsito nos Estados Unidos em 2016. O número só cresce porque, segundo a companhia, as pessoas dirigem cada vez mais para distâncias longas e, ao mesmo tempo, se distraem ao volante.
 
"É um estranho fenômeno: os carros estão se tornando mais seguros enquanto os acidentes, especialmente os fatais, estão crescendo", explica João Marista, analista do setor automotivo.
 
O fator China
O império da Copart, no entanto, pode estar prestes a ter seu reinado ameaçado com a entrada da China no jogo global de carros usados.
 
Cerca de 39 milhões de veículos seminovos foram vendidos nos EUA no ano passado, comparado com os 17 milhões de 0 kms, por exemplo. Na China, o contrário sempre prevaleceu: 29 milhões de automóveis novos foram vendidos em 2017 no país asiático contra 12 milhões de usados.
 
Isso acontece graças a algumas particularidades do mercado automotivo chinês: até os anos 2000, a má qualidade de fabricação limitava a vida útil dos carros feitos pelas companhias nacionais, enquanto compradores mais atentos a veículos usados tinham poucas chances de saber a propriedade anterior de um carro ou seu histórico de acidentes. A indústria também eram muito fragmentada e tinha uma reputação ruim.
 
Os governos locais pioraram a situação para o mercado de usados: muitos proibiram a venda deles entre províncias como uma forma de manter os fabricantes e vendedores. O governo central, por sua vez, também fechou vários caminhos para o comércio de automóveis de segunda mão enquanto dava as mãos para as empresas automotivas nacionais.
 
No entanto, esse processo está mudando: muitos carros chineses agora cumprem ou até excedem os padrões internacionais de qualidade e, portanto, são duradouros. O governo começou a diminuir as restrições em vendas de seminovos entre as províncias, enquanto consumidores estão abrindo mão de suas barreiras e reconhecendo que seus veículos já utilizados têm valor.
 
Desde o começo dos anos 2010, de fato, as vendas de carros usados cresceram muito mais rapidamente do que as de novos. Em 2017, o setor de seminovos cresceu 19,3%, enquanto as lojas de o kms tiveram uma expansão de apenas 3,2%.
 
Os analistas prevêem que o comércio de usados pode chegar a 20 milhões de unidades até 2020, o que ainda está longe da taxa de "dois para um" que prevalece nos Estados Unidos. Em outras palavras, a China está pronta para se tornar o maior mercado de carros usados do mundo.
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