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14/08/18 às 16:59

A quatro anos da Copa, Catar começa a plantar árvores no deserto

Próxima sede do Mundial de futebol, árvores e grama se espalham pelas areias do país do Oriente Médio

Débora Ramos

AguaBoaNews

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A quatro anos da Copa, Catar começa a plantar árvores no deserto

Foto: Divulgação

Duas décadas atrás, desde o boom do petróleo que transformou a economia do Catar, o governo do país começou a plantar extensos campos de árvores e grama onde antes era deserto.
 
O projeto grandioso e muitas vezes irreconhecível foi acelerado nos últimos meses, após o Mundial de futebol da Rússia e a preparação para a primeira Copa no Oriente Médio da história, em 2022.
 
Pelos próximos quatro anos, o país vai comandar a completa atenção da comunidade do futebol mundial. Em 2022, o país de 2,6 milhões de pessoas vai abrir suas portas para um público de aproximadamente 1,5 milhão de visitantes estrangeiros.
 
Apesar das questões que surgem do Ocidente, como as transformações pelas quais o país está passando e o respeito do governo aos direitos humanos, o Catar segue crescendo: arranha-céus, shoppings e grandes estádios estão em fase terminal.
 
Milhares de estradas e um novo transporte público estão aparecendo a cada dia. Centenas de milhares de trabalhadores do exterior estão nos canteiros de obras. No deserto, árvores e grama são plantadas.
 
"Todo dia alguma coisa munda", disse Mohamed Ahmed, administrador do Khalifa International Stadium. "É sinal de que estamos preparando para algo grande", completou em entrevista ao jornal local The Peninsula Catar.
 
"Dois anos atrás, isso aqui era um deserto", explicou Yasser al-Mulla, diante de um vasto campo de grama e árvores, em um dos vídeos recentes sobre a Copa de 2022.
 
"Eu tinha que usar um carro para ir ao escritório antes", completou. Ele dirige um Jaguar F-Type para trabalhar em uma área na qual ficou responsável: as árvores e jardins que vão decorar os estádios, os centros de treinamento e as praças públicas daqui quatro anos.
 
Sua equipe cultiva campos de grama no deserto, depois organiza tudo como lençóis, enrola como tapetes e envia a outras áreas estéreis do país. O grupo já juntou 10 mil árvores pelo Catar e do exterior, alimentando-as em tendas sombreadas.
 
As plantas não crescem facilmente em Doha, que consegue ter cerca de três pancadas de chuva por ano. No entanto, a Copa requer vegetação: não apenas para a cidade e para amenizar o calor, mas para os campos.
 
Do outro lado da capital, um outro grupo contratado pela organização do Mundial está experimentando 12 espécies de grama para encontrar o campo perfeito para as partidas. Eles dependem de variáveis -- luz, solo, água -- e, para isso, dependem de equipamentos como bomba d'água, placas de energia solar e terrenos aptos para o cultivo.
 
"O negócio da grama é muito complicado", disse Carlos Sartoretto, pesquisador-chefe da Aspire Sports Turf, empresa estadunidense que está tocando o projeto. "Todo estádio é um micro-ambiente", continuou ao The Guardian.
 
O sentimento dele será particularmente verdadeiro durante o Mundial: segundo seus dados, apenas o Khalifa International Stadium entre os oito estádios do evento já tem um gramado pronto para a bola rolar.
 
As temperaturas em Doha variam em uma média de 40°, chegando a 42° no verão. O calor excessivo obrigou a Fifa a mudar a programação da Copa, que ocorre tradicionalmente em julho: no Catar, o primeiro jogo está marcado para novembro. Os organizadores prometeram à entidade máxima do futebol que todas as arenas vão ter média de 28° durante as partidas.
 
Quase dois milhões de estrangeiros estão no país -- e são objeto de intensos escrutínios desde que o Catar ganhou o direito de sediar o evento, em 2010. Eles estão em todos os lugares, incluindo o Al Wakrah Stadium, onde 600 veículos estão circulando todos os dias e 4 mil migrantes trabalham debaixo do sol catari.
 
Lusail City
A Qatari Diar Real Estate Investment Company, empresa responsável pela infraestrutura do Catar para a Copa, já entregou 80% do projeto da Lusail City, erguida no deserto do país para ser a nova capital e sede da final do Mundial.
 
O CEO da empresa, Nabeel Mohammed Al Buenain, disse em entrevista ao jornal The Peninsula Qatar que serão gastos R$ 40 bilhões para desenvolver a estrutura, os serviços e outras facilidades na nova cidade.
 
Ele ainda contou que o plano é acomodar 450 mil pessoas, incluindo 250 mil moradores, 190 mil trabalhadores de escritórios e cerca de 60 mil empregados no setor de varejo. Nabeel Mohammed Al Buenain revelou ainda que o primeiro dos três shoppings previstos no mapa inicial já foi construído. O periódico escreveu que algumas instituições do governo do Catar já começaram a se mover para Lusail.
 
A construção da nova cidade foi ordenada em 2014 pelo emir Sheikh Tamin. Segundo a Business Insider, o projeto de Lusail City já custa, no total, US$ 45 bilhões (R$ 165 bilhões) e inclui, claro, um grande estádio com capacidade para 80 mil pessoas cujo desenho se baseará no tradicional navio árabe Dhow. Os jornais cataris o chamam, por enquanto, de Sports Arena.
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