Notícias / Internacional

03/08/18 às 22:57

Mosquito da dengue erradicado em cidade australiana

Jéssica Maes, HypeScience

AguaBoaNews

Imprimir Enviar para um amigo
A dengue está longe de ser um problema apenas para o Brasil. A doença tem avançado globalmente em tempos recentes. No entanto, uma cidade na Austrália – país que sofre com índices recordes de contaminação com 2.000 pessoas infectadas apenas no ano passado – conseguiu reverter essa tendência e erradicar a doença por completo.

Desde 2014 a cidade de Townsville, no estado australiano de Queensland, não registra um caso sequer de dengue. A solução encontrada foi liberar milhões de mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, tornando-os incapazes de transmitir o vírus da dengue.

O projeto

Nesta cidade de apenas 187.000 habitantes, pesquisadores da Universidade Monash em parceria com o World Mosquito Program fizeram dos próprios residentes locais os agentes nessa empreitada. O projeto recrutou 7.000 famílias na área metropolitana da cidade para abrigar uma pequena cuba de ovos de Aedes aegypti infestados de Wolbachia. Eventualmente, 4 milhões de mosquitos infectados se misturaram com a população selvagem e espalharam a bactéria durante os períodos de acasalamento. O artigo dessa pesquisa foi publicado no Gates Open Research.

Os pesquisadores australianos afirmam que esta foi a primeira vez que a dengue foi completamente erradicada em uma cidade inteira.

Para além da dengue

Esses resultados promissores colocam agora a atenção em outras doenças causadas pelo mesmo mosquito. Os pesquisadores acreditam que seja possível obter resultados semelhantes no combate à zica e chikungunya. “Nós queremos causar um impacto significativo sobre essa doença. Quando o assunto é dengue e zica, nada está funcionando em termos de controle. Há evidências de índices crescentes da doença bem como uma grave pandemia de zica que se espalhou pelas Américas recentemente e pelo resto do mundo”, disse Scott O’Neill, diretor do World Mosquito Program, em matéria publicada no site do jornal The Guardian.

O mesmo projeto já está em andamento na cidade no Rio de Janeiro, onde os mosquitos já foram liberados nas áreas mais críticas da cidade. No entanto, ainda que a tecnologia seja promissora, suas experiências até o momento foram majoritariamente em áreas de no máximo 1.5 km². A cidade de Townsville foi a primeira experiência bem-sucedida em larga-escala, abarcando uma área total de 65 km². Além do Rio de Janeiro, o projeto já atua em 12 países, em diferentes estágios de progresso desde pesquisa até a liberação do mosquito infectado, tais como em Medellín na Colômbia e em Jogjacarta na Indonésia.

No longo prazo, se o uso da bactéria Wolbachia for comprovadamente seguro e eficaz, o próximo passo está no combate à malária. A doença afetou 216 milhões de pessoas em 2016 ao redor do mundo, causando 445.000 mortes. “Existem dados laboratoriais que mostram que essa investida pode ser eficaz também no combate à malária, mas isso é algo para o futuro “, disse O’Neill.

Outras Tentativas

Esta não é a primeira experiência científica que tenta erradicar a dengue através da modificação dos próprios mosquitos. Pesquisas genéticas já experimentaram com mosquitos resistentes ao vírus ou mosquitos machos que morrem com o tempo, o que levaria a uma queda vertiginosa na quantidade dos insetos. A própria bactéria Wolbachia poderia ser usada para infectar apenas os machos e quaisquer ovos fertilizados com fêmeas não infectadas seriam estéreis, o que também causaria uma eventual extinção do mosquito.

O método Wolbachia do World Mosquito Program, no entanto, apresenta várias vantagens. Modificação genética é um assunto polêmico e pode esbarrar em reações públicas. Da mesma forma, a erradicação do próprio mosquito pode gerar impactos negativos no meio ambiente. O World Mosquito Program defende que seu projeto tem pouco impacto no meio ambiente uma vez que a bactéria Wolbachia já se espalha naturalmente pelo mundo mundo, com pouco risco de espalhar um patógeno para outras espécies.
 
Uma outra vantagem está no custo. Atualmente o programa custa em torno de $15 por pessoa, mas os pesquisadores já planejam formas de reduzir este valor para $1 por pessoa, facilitando a sua implantação em regiões mais pobres do mundo, justamente onde existe maior urgência. [The Guardian, Smithsonian, BBC]
Imprimir Enviar para um amigo

comentar  Nenhum comentário

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Agua Boa News. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Agua Boa News poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
 

veja maisArtigos

Welyda Cristina de Carvalho

Ampliação da produção já depende de ferrovias

Todo ano, empresários do setor, produtores e governos têm dificuldade de criar condições para transportar grãos Uma nova safra recorde de milho e algodão começou a ser colhida e deve avançar...

 
 
 
 
Sitevip Internet