Notícias / Agronegócios

03/07/15 às 09:23

Baixa oferta de gado leva 18 frigoríficos a fecharem em MT; Cerca de 4 mil são demitidos

Viviane Petroli

Agro Olhar

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Foto: Viviane Petroli/Agro Olhar

A baixa oferta de bovinos para abate nos últimos dois anos levou 18 plantas frigoríficas a fecharem em Mato Grosso. A mais recente foi à unidade de Cuiabá da JBS, levando a demissão de em torno de 500 funcionários. Em 2015, no primeiro trimestre, os abates recuaram 13,4% em comparação a 2014. Somente em 2015 cerca de 4 mil pessoas (empregos diretos) foram demitidas no setor.

Em Mato Grosso existem 43 frigoríficos, de acordo com o Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), destes 18 pararam as suas atividades. Somente nos últimos quatro a cinco meses cinco unidades fecharam, sendo duas em Rondonópolis, uma em Cuiabá, uma em Sinop e uma em São José dos Quatro Marcos.

Conforme o Agro Olhar já comentou, Mato Grosso possui um estoque de bovinos machos, com mais de 24 meses, de 3,9 milhões de cabeças prontas para o abate em 2015. O resultado é o pior dos últimos nove anos. De acordo com a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), o baixo estoque de machos é reflexo do grande volume de matrizes encaminhadas para o abate entre 2011 e 2013, o que comprometeu a oferta de animais para reposição. Entre 2011 e 2013 o volume de fêmeas destinadas para o abate era superior a 50% do volume total de animais encaminhados para os frigoríficos. Uma recuperação tende a ser sentida a partir de 2016.

Em meados de junho o Grupo Frialto paralisou suas atividades em Sinop na planta de abate e processamento de carnes. Com a parada das atividades 700 funcionários foram dispensados.

Nesta quinta-feira (02) a JBS anunciou a suspensão das atividades na unidade de Cuiabá. Conforme nota encaminhada pela sua assessoria de imprensa, "a suspensão dos trabalhos se deve à baixa disponibilidade de matéria-prima em algumas regiões do país, que tem provocado um sistemático aumento da ociosidade na indústria nacional".

Em entrevista ao Agro Olhar o presidente do Sindifrigo, Luiz Freitas, revelou que a capacidade instalada de abate e processamento de carne em Mato Grosso é “duas vezes maior que a oferta de animais”.

Segundo Luiz Freitas, o setor em Mato Grosso opera na ociosidade há aproximadamente dois anos. “Nada mais é que um ciclo da pecuária. Isso é verificado a mais ou menos a cada seis anos. Estamos a cerca de quatro anos com o rebanho praticamente estagnado. Em todas as regiões do estado há plantas com atividades paralisadas”.

Questionado sobre prejuízos, Luiz Freitas salientou que não há como quantificar, porém ressaltou que as unidades fechadas possuem condições de voltar a operar assim que a oferta de animais se recuperar. “Já vivemos situações como esta, porém desta vez está mais crítica”.

Confira nota da JBS emitida em 01.07:

A JBS informa que está suspendendo, a partir de amanhã (2), as atividades de sua unidade de Cuiabá (MT). O motivo para a suspensão dos trabalhos se deve à baixa disponibilidade de matéria-prima em algumas regiões do país, que tem provocado um sistemático aumento da ociosidade na indústria nacional.

Em Cuiabá, a JBS mantinha 494 colaboradores. A companhia oferecerá a todos a possibilidade de transferência para unidades no MT ou de outros Estados. Para aqueles que não aceitarem a transferência, a JBS promoverá o desligamento e consequente indenização trabalhista, dentro da legislação vigente.

A decisão de suspender as atividades da unidade já foi devidamente comunicada ao sindicato representativo da região. A JBS ainda mantém em operação 12 unidades de abate de bovinos no Estado do Mato Grosso.
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